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Soja: veja práticas de manejo contra plantas daninhas resistentes

segunda-feira, outubro 01, 2018


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Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja
As principais consequências da interferência exercida pelas plantas daninhas nas lavouras de soja é a redução da produtividade de grãos e a dificuldade na colheita. Nas três últimas décadas, o manejo das plantas daninhas na cultura da soja tem sido fundamentado no controle químico, o qual foi enormemente facilitado pela introdução da soja tolerante ao glifosato. 
No entanto, em razão do uso frequente desse herbicida, foram selecionados biótipos resistentes, como o capim-amargoso, a buva e o azevém. Nesse contexto, a utilização de estratégias complementares, não químicas, na ótica de manejo integrado de plantas daninhas é fundamental, visando reduzir o custo com herbicidas e a probabilidade de aparecimento de biótipos com resistência aos diferentes mecanismos de ação dos herbicidas.
Planta daninha em soja. Foto: Dionísio Gazziero
A seguir são apresentadas as principais estratégias de manejo cultural de plantas daninhas em sistemas de produção de soja.
  • Uso de culturas de cobertura do solo nos períodos em que não há cultivo de espécies comerciais (entressafra). Este é um exemplo de técnica que reduz a disponibilidade de recursos necessários ao estabelecimento e ao crescimento de plantas daninhas na entressafra, momento em que a infestação pode aumentar expressivamente. Além disso, a palhada resultante, que fica sobre o solo em Sistema Plantio Direto (SPD), dificulta a emergência de várias espécies daninhas em decorrência do efeito físico de sombreamento e consequente redução da amplitude térmica do solo. Várias plantas daninhas, como a buva, possuem sementes fotoblásticas positivas, ou seja, dependem da presença de luz para desencadear o processo germinativo. A palha em decomposição também pode liberar aleloquímicos, que, por sua vez, podem reduzir a emergência e/ou crescimento de plantas daninhas. A produção de grande quantidade de palhada para semeadura da soja em SPD é uma das principais estratégias de manejo cultural de plantas daninhas, além de ser relevante na redução da erosão e de perdas de água por evaporação.
  • Adoção de sistemas de produção diversificados, que envolvam mais de três espécies cultivadas em rotação, visando à sinergia entre os cultivos. A baixa diversificação de culturas pode aumentar a infestação de plantas daninhas em função de três fatores: 1) aumento da população de espécies daninhas que levam vantagem na competição em relação à espécie cultivada, como a buva em cultivos repetidos de milho segunda safra, por exemplo; 2) a baixa alternância de herbicidas imposta pela falta de rotação de culturas pode resultar em aumento de espécies resistentes ao produto utilizado; e 3) a redução da qualidade do solo ao longo dos anos, em decorrência da falta de rotação de culturas, favorece várias espécies daninhas em detrimento das cultivadas.
No Brasil, um sistema de produção que tem apresentado ótimos resultados no manejo de plantas daninhas é a integração lavoura-pecuária, tanto na região subtropical com o uso de aveia-preta e/ou azevém, como em regiões tropicais, com o uso de braquiárias ou cultivares de Panicum maximum. No sistema de sucessão soja/milho segunda safra, a inserção de braquiária consorciada com o milho representa enorme avanço no manejo de plantas daninhas.
  • Uso de cultivares com elevada habilidade competitiva. Características como elevada velocidade de emergência e crescimento, que proporcionam fechamento rápido da lavoura, são atributos relevantes para suprimir o crescimento das plantas daninhas, reduzindo a dependência de herbicidas pós emergentes.
  • Uso de adequado arranjo espacial de plantas. Em áreas com elevado banco de sementes de plantas daninhas, sugere-se utilizar espaçamento de 0,45 m ou menos e densidade de plantas no limite superior da faixa indicada pelo obtentor da cultivar. Isto ocorre porque o uso de baixas densidades de plantas reduz o Índice de Área Foliar (IAF) nas fases iniciais do ciclo da soja, atrasando o fechamento da lavoura e disponibilizando luz às plantas daninhas.         
  • Evitar falhas nas lavouras. A ausência de plantas cultivadas disponibiliza recursos do ambiente para a emergência, crescimento e produção de sementes pelas plantas daninhas.         
  • Baixa mobilização do solo nas linhas de semeadura. A mobilização do solo nas linhas de semeadura permite a emergência de plantas daninhas nessa região, onde a competição com a cultura é acentuada.
Fonte: Blog da Embrapa Soja

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