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OMS reduz limites para poluição do ar; Brasil não cumpre nem os padrões anteriores

terça-feira, setembro 28, 2021





A Organização Mundial da Saúde revisou os limites aceitáveis para a poluição do ar, responsável pela morte prematura de 7 milhões de pessoas no planeta todos os anos. No Brasil, só dez estados e o Distrito Federal monitoram a concentração desses gases.

“Dependendo do lugar onde você está, ainda sente o cheiro, incomoda os olhos”, disse a manicure Marli Rebouças dos Santos.

“Um pouco de mal-estar mesmo, por causa do ônibus, da fumaça e tudo mais”, contou a assessora contábil Mônica Lira.

O que causa tudo isso tem nome: material particulado, ozônio, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e monóxido de carbono. Cada vez que se respira numa cidade grande, leva para o corpo uma combinação de poluentes.

No Brasil, os que mais preocupam são o material particulado fino e o ozônio, que se formam com a queima de combustíveis.

Um levantamento inédito do Instituto Saúde e Sustentabilidade mostra que só 11 das 27 unidades da federação monitoram a qualidade do ar. Apenas cinco divulgam as informações em tempo real. A maioria não mede os principais poluentes.

“Se a gente não monitora, a gente não sabe qual é a condição em termos de qualidade do ar nem pode traçar estratégias”, explica Maria de Fátima Andrade, professora de Ciências Atmosféricas da USP.

O Brasil está atrasado no controle da qualidade do ar. O país não cumpre nem os padrões anteriores da OMS, definidos em 2005. Três anos atrás, o Conselho Nacional do Meio Ambiente estabeleceu novos limites de emissão para veículos, que ainda não entraram em vigor, e essa demora, segundo especialistas em poluição, está custando vidas.

“Nós estimamos que viver numa cidade com os níveis de poluentes como os de São Paulo, você perde, em média, dois anos e meio de vida”, diz Mariana Veras, chefe do Laboratório de Patologia Ambiental da USP.

Este ano, todas as estações de monitoramento da Grande São Paulo registraram concentração de partículas finas no ar acima do limite recomendado pela OMS. Algumas, dezenas de vezes. No mês passado, depois de um incêndio na Grande São Paulo, a qualidade do ar foi classificada como “péssima”, o que não acontecia há 22 anos.

No interior paulista, o visual de São José do Rio Preto nos últimos dias tem sido uma cidade coberta pela fumaça das queimadas. Cuiabá também amanheceu assim. Segundo os bombeiros, a fumaça vem de um incêndio às margens de uma rodovia.

A chefe do Laboratório de Patologia Ambiental da USP diz que a poluição pode desencadear problemas, como: doenças cardíacas, derrame, asma, câncer de pulmão e outros.

“Perda de fertilidade, distúrbios gestacionais, obesidade, diabetes, e o mais recente, o que a gente tem trabalhado com maior afinco é a questão da associação da exposição com as doenças neurodegenerativas, como, por exemplo, o Alzheimer”, listou, Mariana Veras.

Um pronto-socorro infantil em São Paulo tinha fila na porta nesta segunda-feira (27).

“Aqui no nosso serviço, cerca de 50% das internações são relacionadas a quadros respiratórios”, conta Alessandra Geisle, gerente médica do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus.

Os três filhos da secretária Beatriz Cortez precisaram de atendimento.

Repórter: O que você está sentindo?

Matheus, de seis anos: A tosse. À noite, quando esfria e eu estou dormindo, eu espirro e eu fico acordado.

“A gente percebe uma poeirinha em cima dos móveis, no chão diariamente”, diz Beatriz.

O médico Carlos Dora trabalhou décadas na OMS e hoje é presidente da Sociedade Internacional de Saúde Urbana. Ele defende uma política para combater as queimadas e uma ação enérgica dos governos para incentivar o transporte limpo nas cidades.

“Se uma cidade tem pista ciclável, tem espaço para andar a pé, tem ônibus limpo, tem metrô, tem um sistema de transporte integrado que é limpo, que considera essas coisas que não poluem, como andar de bicicleta, caminhar, não só é bom para a população, que consegue usar esse sistema de transporte, mas também isso vai limpar a qualidade do ar”, afirma.

A Companhia Ambiental de São Paulo declarou que a seca piorou a dispersão de poluentes, que medidas adotadas desde a década de 1970 geraram melhoras na qualidade do ar do estado e que avanços dependem de um sistema viário e de um transporte público mais eficientes que estimulem as pessoas a usar menos o transporte individual.

O Ministério do Meio Ambiente não se manifestou.

Fonte: G1


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