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Óleos essenciais no esporte: como usar e benefícios

quinta-feira, janeiro 07, 2021

 


Os óleos essenciais são compostos aromáticos voláteis extraídos de diversas partes das plantas, como caule, folhas, flor ou até mesmo da casca. Utilizados há milhares de anos, hoje são estudados por pesquisadores que avaliam se podem auxiliar a nossa saúde promovendo bem-estar físico e psicológico. E vêm sendo utilizados até para melhorar o desempenho de atletas. O fisiologista Alessandro Fromer Piazzi, que já trabalhou com a seleção brasileira de futebol sub-21 e no Palmeiras, é referência quando falamos do uso de óleos essenciais no esporte. Tanto que é responsável por criar protocolos de uso em diversas equipes de futebol do Brasil, Europa, Estados Unidos e Ásia. E explica que os óleos podem ser usados pelos atletas para melhorar o rendimento e também auxiliar durante o processo de recuperação muscular.


- Existem vários estudos na literatura científica que mostram que os óleos essenciais são capazes de melhorar a performance de atletas, como por exemplo, o óleo de hortelã-pimenta. Existem estudos que mostram que indivíduos que tomaram uma gota de óleo de hortelã-pimenta tiveram uma melhora na força muscular, ou seja, melhoraram a potência, o tempo de reação e a capacidade de reação a um estímulo externo, além de também aumentar alguns parâmetros de função pulmonar. E este efeito aconteceu cinco minutos após a administração de óleo essencial. Os atletas tomaram uma gota de óleo diluído em um copo d'água e esse benefício se manteve por pelo menos uma hora após a sua administração - esclarece Piazzi.


O fisiologista explica também que os óleos essenciais podem ser administrados de três maneiras diferentes.

1- Uso aromático: com a inalação do óleo essencial, em que ele pode ser espalhado nas mãos e inalado ou utilizado em um difusor de ambiente. Algumas pessoas também pingam o óleo em alguma peça de roupa ou até mesmo na fronha do travesseiro na hora de dormir.

2 - Uso tópico: ao passar na pele em alguma região específica do corpo. Desta maneira é possível ter o benefício local na região e também em todo o corpo, já que o óleo é absorvido pela pele e vai para a corrente sanguínea.

3- Ingestão: administração via oral do óleo puro ou diluído em água ou sucos. Mas esta modalidade exige atenção, pois nem todos os óleos essenciais podem ser ingeridos. E geralmente se usa apenas uma gota diluída em um líquido, como água.


Quatro óleos essenciais para o atleta



Produzidos pelas plantas, na natureza têm o objetivo de auxiliar no processo de polinização, pois conseguem atrair os animais com seu aroma, e também para se proteger contra agressões ambientais como bactérias, fungos e insetos. Pelos seres humanos, são usados como flavorizantes de alimentos, na produção de perfumes e cosméticos, na fabricação de compostos aromáticos e medicamentos e como recurso terapêutico na aromaterapia. O fisiologista explica que os atletas possuem diversas possibilidades na aromaterapia para melhorar sua performance esportiva. Por isso, Alessandro listou quatro exemplos de óleos e seus benefícios para quem pratica atividade física.

1- Hortelã-pimenta: este óleo é muito popular entre os esportistas, pois auxilia na melhora da força e potência muscular. Piazzi afirma que os efeitos podem percebidos pelos atletas em poucos minutos após sua administração.

2- Lavanda: é muito usado para melhorar a qualidade do sono. O fisiologista comenta que existem alguns estudos que mostram que o uso do óleo essencial de lavanda aumenta a produção de melatonina - que é um composto muito importante que ajuda o organismo na hora de adormecer - e colabora na indução do sono. Um sono de qualidade tem relação direta com o risco de lesões e queda de performance, e uma boa noite de sono é essencial na recuperação dos atletas.

3- Cravo: tem uma grande capacidade antioxidante. Alessandro afirma que existem estudos que demonstram que a mistura de óleos essenciais de alecrim, cravo e laranja é capaz de acelerar o processo de recuperação em experimentos animais.

4- Copaíba: este óleo é extraído de uma árvore da Amazônia e é muito interessante por ter propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e ajudar na recuperação muscular tanto do atleta saudável quanto dos que tiveram alguma questão de ordem inflamatória.

Alessandro explica que os óleos essenciais atualmente fazem parte da rotina de treinamento dos atletas de diversos clubes de futebol e de outros esportes, assim como o uso de suplementação, alimentação e testes de desempenho, entre outros. E o fisiologista ressalta que os óleos são utilizados de forma associada às demais atividades dos esportistas.

- Os óleos essenciais são usados hoje no esporte não necessariamente como um tratamento específico, eles são usados dentro de um contexto mais amplo, da rotina de treinamento. Quando um atleta precisa de um aporte específico, ele vai ter um tratamento específico com um determinado óleo essencial - ressalta Piazzi.


Cuidados e orientações para o uso



Antes de iniciar o uso dos óleos essenciais, os atletas devem estar atentos à procedência do produto. O ex-fisiologista da seleção brasileira sub-21 afirma que os óleos são muito seguros e podem ser usados de uma forma ampla, por todas as idades, mas é importante ter alguns conhecimentos para fazer o uso de forma segura.

- Quando utilizar os óleos cítricos, por exemplo, é necessário evitar exposição solar pois eles podem manchar a pele;

- É recomendado evitar o uso próximo da região do olho, das mucosas e dentro do ouvido;

- Nem todos podem ser ingeridos, por isso uma orientação é fundamental;

- Atletas de alto rendimento devem sempre consultar o médico da equipe antes de começar a utilizar os óleos. O médico do esporte é capaz de verificar se não tem nenhuma substância proibida de uso em alguma composição do óleo e que poderia até configurar doping.

É importante também que o atleta tenha acesso a um teste de chama cromatografia, pois ele mostra todos os compostos químicos naturais que existem dentro do óleo essencial e permite ao médico avaliar se dentro do óleo há alguma substância que o atleta não pode utilizar - recomenda Piazzi.

Também é necessário se informar sobre a origem do óleo, pois há uma infinidade de marcas de óleos essenciais no mercado e se o produto não foi extraído e armazenado de forma correta, corre-se o risco de contaminação. E não se esqueça de seguir as orientações do fabricante do produto em termos de utilização e armazenamento. Se apresentar alguma reação ao produto, descontinuar o uso.

- O uso dos óleos é muito seguro, hoje muitos atletas de alto nível de várias equipes de futebol da série A do Campeonato Brasileiro e equipes que jogam Champions League já usam os óleos essenciais uma forma muito ampla. É muito comum o uso também por atletas olímpicos e amadores que usam de uma forma interessante e com excelentes resultados - afirma o fisiologista.


Resultados na prática

Alessandro Piazzi comenta que muitos clubes de futebol brasileiros utilizam os óleos essenciais para melhorar o rendimento dos jogadores. O fisiologista comenta que é muito comum que o corpo técnico utilize difusores nos centros de treinamento, principalmente quando há um jogo importante, e os atletas dormem sob o efeito dos óleos essenciais. Ele afirma que os próprios jogadores conseguem perceber que sua performance é melhorada durante o uso dos óleos.

Piazzi comenta que apesar do departamento médico, corpo técnico e atletas apresentarem uma resistência a novas práticas, a aceitação foi mais fácil para implementar os protocolos nos times por haver um grande número de estudos científicos e pesquisas com óleos essenciais.

- Eu trabalhei muito tempo com o futebol de alto nível, trabalhei com preparação física e fisiologia por mais de 20 anos com várias equipes no Brasil, na Europa e na Ásia. Principalmente o futebol, mas o esporte em geral, é um meio muito fechado e a gente procura ter certeza antes de introduzir um novo produto, uma nova prática ou uma nova técnica. É preciso ter uma certeza muito grande porque temos uma responsabilidade enorme - relata Alessandro.

O fisiologista comenta que atualmente diversos departamentos médicos o contactam para perguntar sobre soluções para tratamento de desconfortos, como por exemplo de trato respiratório ou de trato digestivo. Alessandro afirma que os óleos essenciais também podem ajudar na qualidade da saúde em geral. Como os atletas têm grandes restrições em relação ao uso de substâncias e medicamentos, por causa do risco de doping, o óleo essencial, por ser uma alternativa natural, pode auxiliar no controle questões específicas que podem aparecer na rotina dos esportistas.

Seja atleta ou não, profissional ou amador, é necessário orientação de especialistas para que o produto não seja usado da forma errada e acabe tendo o efeito contrário do esperado.


Fonte: Globo Esporte


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