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Bioeconomia é aposta de municípios mineiros para saída da crise

quarta-feira, dezembro 23, 2020



município mineiro de Juiz de Fora quer chegar a 2031 com uma produção anual de 226 milhões de litros de  (BioQAV). O plano faz parte da Plataforma de Bioquerosene e Renováveis da Zona da Mata, cujos primeiros resultados foram apresentados na segunda (14), em evento online promovido pela prefeitura.

Ao todo, mais de 40 cidades da região participam da iniciativa, que envolve governos, empresas e universidades.

A previsão é que a primeira biorrefinaria da região entre em operação nos próximos 60 dias, de acordo com o prefeito de Juiz de Fora, Antônio Almas (PSDB). Inicialmente, o projeto da britânica Green Fuels vai produzir biodiesel com óleo de cozinha usado para abastecer a frota municipal e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

A expectativa, de acordo com o prefeito, é reduzir custos da conta combustível e evitar a contaminação de cursos d’água, com a reciclagem do óleo.

Fruto de uma parceria entre a britânica Green Fuels e a UFJF, a biorrefinaria lança a pedra fundamental do Cieptec, um centro tecnológico para apoio da academia à plataforma. É também o primeiro passo na produção de hidrocarbonetos sintéticos com tecnologia da Green Fuels.

“Neste projeto, estaremos cumprindo também nosso compromisso com o clima, restaurando a Mata Atlântica, produzindo mais água para os nossos mananciais, mais alimentos e insumos renováveis, limpando o ar que respiramos e integrando nossa agricultura e indústria na bioeconomia”, disse Almas.

O objetivo é iniciar em 2023 a produção de bioquerosene e diesel verde (HVO), com pouco mais de um milhão de litros por ano, para atingir 25 milhões em 2027 – ano em que o CORSIA começa a valer de vez e as empresas aéreas precisarão avançar na redução de emissões de CO2 para chegar a 2050 emitindo metade do volume de 2005.

A partir daí, a expectativa é dobrar a produção nos dois anos seguintes para 59 milhões de litros/ano em 2028 e 104 milhões de litros em 2029, chegando aos 226 milhões em 2031.

A projeção é mais ambiciosa que a do Plano Decenal de Energia (PDE 2030) divulgado ontem pelo Ministério de Minas e Energia para consulta pública.

Embora faça uma breve menção à plataforma mineira, no contexto nacional, o PDE estima a entrada do BioQAV na matriz energética brasileira apenas a partir de 2027, atingindo 91 milhões de litros em 2030, o que corresponde a aproximadamente 1% da demanda total de combustível de aviação.

Para essa análise, o PDE adotou como premissa a introdução de uma unidade produtora deste biocombustível, consorciada com a produção de HVO, bionafta e GLP, de cerca de 300 milhões de litros por ano, média mundial, em uma razão de produção de 45% para o BioQAV.

O investimento necessário projetado seria da ordem de 1,5 bilhão de reais ou 270 milhões dólares.

Para a indústria de aviação, investir em combustíveis renováveis para descarbonização do setor é impreterível, mas existem desafios a serem superados, como regulação, políticas públicas e preço.

Por isso, a Plataforma da Zona da Mata tem apoio do setor aéreo, com parceiras como a  (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) e a .

Eduardo Sanovicz, presidente da Abear, diz que a plataforma contribui com a busca por recursos tecnológicos que permitam concretizar a redução de emissões do setor aéreo.

“Nossa intenção é ampliar e criar as condições para uso correto e cada vez mais massivo do bioquerosene e o enfrentamento às condições que hoje impedem que isso seja feito”, afirmou durante o evento.

Já Pedro Scorza, consultor sênior para Combustíveis Alternativos e Sustentabilidade da Gol, contou que a empresa tem olhado para as diversas possibilidades existentes no Brasil e no mundo para produção de bioquerosene e vê com muito otimismo a plataforma da Zona da Mata.

“A macaúba no sistema proposto, fazendo dela um vetor para o desenvolvimento regional, é um dos projetos que mais nos agrada, porque vai além da produção de biocombustível e tem a capacidade de fixar CO2 e incluir a agricultura familiar entre outras externalidades, e a gente consegue incluir isso no nosso balanço de carbono e no nosso balanço social”, explicou Scorza.


Aposta na macaúba

Apesar de já ter sido uma das mais prósperas de Minas Gerais, a região vinha sofrendo uma decadência econômica nas últimas décadas, chegando a ocupar a posição de terceira mais pobre do estado em 2012.

Para reverter o quadro, o município de Juiz de Fora apostou no conceito de economia verde e é com essa visão que pretende também superar a crise no pós-pandemia.

Desde 2017, foram mobilizados 46 municípios em um esforço de recuperação de 130 mil hectares na Zona da Mata, até 2026, com plantio de 66,3 mil hectares de macaúba. Em 2019, foram recuperados 10 hectares.

“Este novo ciclo de recuperação econômica pós-pandemia exige uma convergência de esforços integrando academia, ONGs, fundações, iniciativa privada e toda sociedade civil organizada em um movimento suprapartidário, com foco nos objetivos do desenvolvimento sustentável para melhoria da qualidade de vida e erradicação da pobreza em nossa região”, argumenta o prefeito Antônio Almas, cujo mandato encerra este ano.

Ele será sucedido por Margarida Salomão (PT), que derrotou Wilson Rezato (PSB), no segundo turno, com 54,98% dos votos válidos.

Conceitos como Agricultura 4.0 e Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), além da produção de macaúba e a inclusão de agricultura familiar, estão na base da Plataforma.

Jackson Fernandes, secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agropecuária de Juiz de Fora explica que a Zona da Mata fica dentro da Mata Atlântica, um dos biomas mais degradados no Brasil, restando apenas 10% dos remanescentes florestais.

Além disso, a principal atividade dos municípios da região é a primária, realizada com baixíssima eficiência e ao mesmo tempo com uma capacidade de degradação muito elevada.

A solução para o desenvolvimento regional veio da Universidade Federal de Viçosa, que desenvolve projetos com a macaúba, uma palmeira nativa que pode servir de matéria-prima para produção de biocombustíveis, cosméticos e diversos produtos da química verde.

Com produtividade de 24,5 toneladas por hectares e manejo simplificado, a macaúba se apresentou como uma oportunidade para recuperação de áreas degradadas utilizando o modelo agroflorestal ao mesmo tempo em que produz biomassa para energia renovável e até alimentos.

“Ao mesmo tempo [o modelo permite] recuperar áreas degradadas, fixar água no solo, recuperar os mananciais e aumentar a produção nas pequenas propriedades, fortalecendo a principal atividade da região, que é produção de proteína animal, pecuária leiteira e pecuária de corte, mas em modelo de integração de consorciamento ILPF, que já tem demonstrado bons resultados”, conta Jackson.

Entre os projetos já em andamento, está a parceria com a Geofloresta e a Curcas, para recuperação ambiental de nove hectares do manancial de João Penido, usando a Agricultura 4.0 como modelo para a agricultura familiar.

Também há um acordo de cooperação com a Embrapa Agroenergia e Embrapa Hortaliças que pretende “aportar conhecimentos” sobre os consórcios da macaúba com culturas alimentares, para produzir alimentos para merenda escolar e restaurantes populares.


Fonte: EPBR

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