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Projetos de conservação de biomas estão em alta

terça-feira, agosto 25, 2020

Buriti - Buritizeiro - Plantas - InfoEscola

O mercado cada vez mais exigente em relação às práticas sustentáveis e à preservação do meio ambiente deve estimular os investimentos das empresas em projetos que visam à conservação de biomas.

Em Minas Gerais, a ONG SaveCerrado nasceu com o objetivo de preservar uma área privada de Cerrado, onde pessoas e empresas podem contribuir financeiramente para a preservação e desenvolvimento de projetos para recuperação e ampliação da área protegida e desenvolvimento da sociedade local.

De acordo com o fundador e presidente da ONG SaveCerrado, Paulo Bellonia, a área do projeto tem mais de 180 milhões de metros quadrados e está localizada na região de Bonito de Minas (Norte de Minas), dentro de um dos quatro principais corredores de preservação do Cerrado brasileiro.

A princípio, a ideia era desenvolver alguma atividade agropecuária no espaço, uma vez que pela legislação, propriedades privadas localizada no Cerrado podem destinar até 80% da área para a produção agropecuária. Por ser uma área de interesse de preservação do Estado e da União, depois de estudos e por questões de legado, foi definida a criação de um projeto para preservação da área e fundada a SaveCerrado.

A SaveCerrado nasceu baseada em importantes pilares. Um deles é trabalhar no desenvolvimento de ações sociais, pagando a propriedade privada pela área protegida – o que é permitido pelo Código Florestal -, e a ONG recebendo valores para manter a área preservada.

“São raros os casos que alguém recebe valores para preservar as áreas, tanto do governo como do setor privado. Nosso objetivo é manter a área preservada dentro ou próxima das unidades de conservação, ou seja, em áreas que são de relevância de preservação e privadas, de forma que sejam definitivamente preservadas. Também desenvolvemos ações sociais na região onde a propriedade está inserida”, relata Bellonia.

Dentre as atividades, é desenvolvido o extrativismo sustentável, que gera recursos para a comunidade local e a pesquisas voltadas para a preservação e recuperação do bioma.

Outro princípio é permitir que a sociedade e as pequenas e médias empresas possam se conectar com esse tipo de atividade de proteção e de combate ao desmatamento.

Bellonia explica que as grandes empresas têm estruturas próprias para investir e setores que vão de encontro com a sustentabilidade e na implantação das práticas de meio ambiente, social e governança (ESG). Elas também contam com recursos para mensurar o impacto que estão gerando no meio ambiente e criar mecanismo de combate e na neutralização de emissões de carbono.

“Já os pequenos, não. O grande desafio é disseminar o conceito e a importância da sustentabilidade no combate ao desmatamento e no aquecimento global. Além disso, queremos sensibilizar a sociedade e fazer com que ela haja efetivamente em relação a isso. Tanto na mudança de comportamento (consumindo produtos sustentáveis) como na contribuição para projetos de preservação”, aponta.

Segundo Bellonia, cada recurso destinado para a SaveCerrado é vinculado a um metro quadrado correspondente. “Uma empresa que nos apoia com 10 mil metros quadrados, terá aquele espaço carimbado com a marca dela. Para cada apoio, é criada uma página de transparência. Também associamos a área a créditos de carbono e a empresa pode fazer um inventário de emissões para ser carbono neutro”, detalha.

Permutas – Já participam do projeto empresas de tecnologia, segurança, time de futebol, escritórios de advocacia e imprensa. Além de receber recursos financeiros, também podem ser feitas permutas. O valor de referência para as empresas apoiarem é de R$ 450 por mês, para proteger 10 mil metros quadrados.

“Percebemos que agora estamos no momento, na hora e no local certo. O mundo está cobrando do Brasil uma política clara e transparência na gestão de sustentabilidade. O impacto econômico que podemos ter se não mudarmos a relação com o meio ambiente será infinitamente pior que o provocado pela pandemia. Então, acho que o setor produtivo e econômico começou a entender e a ter recursos para aplicar nestas práticas. Hoje vemos que os principais executivos das companhias, estão debruçados sobre os ESG, querendo entender como se implementa. As pequenas e médias também precisam desses mecanismos e a SaveCerrado é uma opção”, argumenta  Bellonia.

Fonte: Diário do Comércio

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