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Sinal ruim da internet é maior ‘praga’ contra agricultura de precisão

quinta-feira, maio 17, 2018


Família Marcolim na lavouora de milho em Nova Santa Rosa, no Piauí | Jonathan Campos
Família Marcolim na lavouora de milho em Nova Santa Rosa, no Piauí

Seminário de inovação do Centro-Oeste aponta necessidade de investimentos em infraestrutura para que os benefícios da conectividade cheguem às propriedades rurais, principalmente às de menor porte

A ausência de conectividade digital e carência na assistência técnica aos pequenos produtores são os principais entraves para a consolidação da agricultura de precisão no Brasil. Apesar de as propriedades familiares serem maioria no setor, a falta de estrutura dificulta o crescimento da produtividade.
Esta foi uma das conclusões dos especialistas que integraram a terceira mesa de debates do seminário Inovação no Brasil: Centro-Oeste, promovido pela Folha de S.Paulo e com patrocínio do governo de Goiás, nesta segunda-feira (12), no K Hotel, em Goiânia.
A agricultura de precisão é a tradução de informações que contribuem para a redução do uso de insumos, para o aumento de produtividade e para uma maior renda aos produtores, explicou Luis Henrique Bassoi, pesquisador da Embrapa Instrumentação.
“É uma forma de gestão de uma área agrícola que leva em consideração a variação de fatores em um determinado sistema de produção no espaço e tempo. Possibilita analisar e tomar decisões de um modo diferenciado”.”
José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), afirmou que a união entre as esferas políticas e entidades de pesquisa é fundamental para a inclusão da produção familiar na agricultura de precisão.
“Temos muita tecnologia no agronegócio, mas isso não consegue chegar nas propriedades rurais, principalmente àquelas de menor porte”.”
Para encurtar a barreira tecnológica, o governo do estado investe na expansão da rede de conectividade através de um programa com a Goiás Telecom.
O objetivo é garantir acesso em todos os 246 municípios até o fim do ano, segundo Francisco Gonzaga Pontes, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação de Goiás (SED).
Os elevados investimentos na compra de maquinários inteligentes e análise de dados restringem a técnica aos grandes produtores. Para o secretário, os resultados positivos em grande escala justificam os investimentos aos produtores familiares.
“Esse setor é carente, que precisa muito do apoio governamental para que ele se desenvolva, fazendo papel social de fixação do homem do campo no seu local”.”

Início dos anos 90

A agricultura de precisão foi introduzida no Brasil nos anos 1990, com a chegada dos primeiros tratores com sistema de GPS. Nas últimas décadas, o sistema evoluiu para outras frentes de trabalho, incluindo plantadeiras, colheitadeiras e pulverizadores pré-programados de acordo com as condições da área.
Schreiner afirmou que a automatização do trabalho rural reflete no protagonismo do Brasil como produtor mundial de alimento.
Além da mudança na produtiviidade, a agricultura de precisão também atraiu profissionais e especialistas de outras áreas ao agronegócio, segundo Bassoi. O aumento nos investimentos na área elevará o setor ao o que o especialista chama de “fazendas inteligentes”.
“Precisamos ter essa transmissão de dados de maneira mais eficiente. A partir disso, teremos práticas diferenciadas do tratamento de solo, água, controle de plantas invasoras, controle de pragas e doenças”.”

Políticas públicas diferenciadas

Apesar de ser majoritariamente presente em lavouras de grande escala, os especialistas ressaltam que o emprego da agricultura de precisão é acessível para todos os tipos de produção.
“O procedimento é passível de utilização em qualquer sistema de produção e em escalas diferentes”, disse Bassoi.
Para Schreiner, a diferenciação deve ser nas ações do poder público para a inclusão de todos. “Todos nós somos produtores. Não existe essa diferença, o que devem existir são políticas públicas para chegar a esses produtores menores e cadeias menos favorecidas”.”

Benefícios ambientais

A análise de áreas que precisam de maiores combates contra pragas, resultando na redução do uso de defensivos agrícolas, também foi enfatizada pelos especialistas como benefício da agricultura de precisão. Segundo o presidente da Faeg, a economia chega a 80% em determinadas situações.
A seleção de áreas para irrigação também foi apontada como outra contribuição para preservação ambiental. “A irrigação é o maior elemento da agricultura de precisão, porque consigo controlar exatamente a minha umidade do solo, assim como eu desejo ou preciso”, afirmou Pontes.

Fonte: Gazeta do Povo

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