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Preços dos insumos subiram mais de 100% em 2021, aponta CNA

quinta-feira, outubro 28, 2021


A escalada dos preços dos insumos foi a principal responsável pelo aumento dos custos de produção da agropecuária em 2021.

O fertilizante, por exemplo, subiu mais de 100% de janeiro a setembro deste ano, em razão da alta demanda, escassez da oferta mundial, elevação dos preços internacionais e problemas logísticos.

No acumulado do ano, os preços da ureia, do MAP (fosfato monoamônico) e do KCL (cloreto de potássio) subiram 70,1%, 74,8% e 152,6%, respectivamente. Esse cenário de tendência de valorização dos preços de fertilizantes deve permanecer em 2022, impactando na margem de lucro dos produtores rurais.

As informações são do projeto Campo Futuro, iniciativa do Sistema CNA/Senar que faz o levantamento de dados econômico-financeiros e técnicos, assim como o acompanhamento dos preços dos insumos utilizados em mais de 40 atividades agropecuárias.

O projeto é realizado em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), a Labor Rural (Universidade Federal de Viçosa – UFV), o Pecege (Esalq/USP) e o Centro de Inteligência de Mercados da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA).

Metodologia

Em 2021 foram realizados 127 painéis virtuais de levantamento de custos de 24 atividades produtivas, com a participação de 1.604 produtores rurais de 20 estados e 110 municípios com significativa participação na produção agropecuária brasileira.

O Custo Operacional Efetivo (COE) é uma das principais variáveis analisadas no projeto Campo Futuro, pois inclui todos os itens considerados variáveis ou gastos diretos, como insumos (fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas), operações mecânicas, comercialização agrícola, entre outros.

Glifosato

De acordo com os resultados do Campo Futuro, dentre os defensivos agrícolas, o glifosato foi o que sofreu a maior alta (126,8%), influenciada principalmente pela interrupção da operação de indústrias fabricantes do insumo na China e problemas com o fornecimento de matéria-prima.

Segundo relato dos produtores, houve falta do produto em algumas regiões, trazendo preocupações que vão além da elevação do custo.

Impacto do clima

Além dos insumos, o clima também afetou algumas atividades agropecuárias. A estiagem no segundo semestre de 2020 e início de 2021 comprometeu o desenvolvimento da safra de café colhida este ano. No caso do tipo arábica, houve redução de 10% da produção com relação ao volume pesquisado em 2020.

Para as culturas de soja, milho, arroz, trigo, feijão e algodão, o clima foi o principal desafio. As condições climáticas – desde a falta de chuvas durante os plantios até o excesso no período da colheita – tiveram muita influência em culturas com uma produção acima da safra anterior (soja, trigo e arroz). O clima também afetou negativamente as produções de milho e algodão.

As safras de feijão da seca e milho segunda safra foram significativamente prejudicadas pela estiagem no primeiro semestre de 2021 e geadas nos meses de inverno. Com isso, a produtividade do feijão teve redução de 30,4% e do milho segunda safra de 39,3%, quando comparada ao cenário pesquisado em 2020.

Custo de produção por cultura

Soja – O Custo Operacional Efetivo (COE) da soja na safra 2020/2021 foi cerca de 17% superior se comparado à safra anterior, na média de todos os painéis. O grande aumento ocorreu pela alta dos preços de fertilizantes e defensivos, que subiram 14,8% e 16,9% respectivamente. Entretanto, a produtividade média das lavouras de soja também aumentou, atingindo 59,4 sacas por hectare, 8,6% acima da safra anterior. O preço médio de venda do grão subiu 46,9% frente ao levantamento do ano anterior.

Milho 1ª safra – O principal gasto do milho primeira safra foi com o controle de pragas, 25,7% superior à safra passada. Parte desse aumento se deve ao ataque da Cigarrinha (Dalbulus maidis), que afetou a produtividade de regiões ao Sul do país. Os municípios de Campos Novos e Xanxerê, em Santa Catarina, por exemplo, registraram produtividades de 110 e 130 sacas por hectare respectivamente. A produtividade média de todos os painéis avaliados pelo Campo Futuro para o milho de primeira safra foi de 160 sacas por hectare.

Milho 2ª safra – O atraso no plantio da soja retardou o plantio do milho de inverno, que também passou por geadas próximas à colheita. A produtividade média da cultura em 2020/2021 foi de 63,8 sacas por hectare, 39,3% abaixo do observado na safra anterior, com 105,2 sacas por hectare de média. Regiões no Sul e Sudeste do país, como Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, foram as mais afetadas. Em Londrina (PR), a área média da região definida para o cultivo de milho safrinha foi de 90 hectares, com apenas 20,7 sacas por hectare de produtividade média. Em Dourados (MS), com 280 hectares, a produtividade foi de 15 sacas por hectare.  O bom momento dos preços de venda do cereal auxiliaram a assegurar uma receita bruta 2,7% acima do ano anterior. A margem bruta, porém, ficou 4,1% abaixo da média do ano anterior, mas ainda assim positiva.

Feijão – O Custo Operacional Efetivo do feijão primeira safra em Santa Catarina e no Paraná registrou aumento de 7% ante a média pesquisada para a safra anterior. Os fertilizantes foram responsáveis pela maior parte da alta, subindo 17,8% de uma safra para a outra. A produtividade recuou 20,6% devido a problemas causados principalmente pelo clima. O preço médio de venda 38,7% acima da temporada anterior garantiu uma margem bruta positiva, e praticamente igual ao observado na última safra.

Arroz e Trigo – Ambas as culturas cultivadas principalmente no Sul do país tiveram ganhos consideráveis de produtividade. O arroz cultivado no Rio Grande do Sul registrou produtividade 5% superior ao ano anterior. Enquanto o trigo, no Paraná, teve um incremento de 19%. O COE também subiu para os dois cultivos, com 34% de alta para o arroz e 23,7% para o trigo. Porém, os elevados preços médios de venda garantiram boas margens para as duas culturas, que apresentavam nível elevado de risco de cultivo. A boa safra deste ano dá um suporte adicional aos produtores e ameniza parte do prejuízo de safras passadas.

Café – Os painéis de levantamento de custos da cafeicultura foram realizados nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Rondônia, Paraná e São Paulo. O Custo Operacional Efetivo do tipo arábica teve aumento de 15% em relação ao levantamento realizado em 2020. Já o COE do conilon sofreu alta de 31,3% ante 2020. O fertilizante foi o item que mais impactou no bolso do produtor, sendo 20,8% para o arábica e 34,2% para o conilon na média das regiões. Houve aumento de receita (preço de comercialização do produto no período x produção) de 54% do café arábica e 35,4% do café conilon. A valorização das cotações do café foi resultado da menor oferta mundial (produção brasileira de bienalidade negativa + redução de produtividade) e problemas logísticos para escoamento da safra em países produtores. Para 2022 deve haver aumento ainda mais significativo nos custos com fertilizantes, podendo impactar negativamente na margem dos produtores.

Cana-de-açúcar – Apesar do clima adverso e da alta de custos, a atividade teve resultados positivos. A recuperação dos preços ocorreu ao longo do ano, sendo que a safra nordestina, iniciada em setembro de 2020, beneficiou-se menos das altas que o Centro-Sul, cuja safra começou em abril de 2021. Esse cenário favoreceu a obtenção de resultados econômicos positivos aos produtores. Na região Nordeste (PE, PB e AL), houve aumento de 29% do Custo Operacional Efetivo, em relação ao levantamento realizado em 2020. Já na região Centro-Sul (GO, MT, MG, SP e PR), essa alta foi de 27%. Fertilizante foi o item que mais impactou no bolso do produtor de cana. Na região Nordeste a alta foi de 163% e no Centro Sul 110%. Já os defensivos tiveram alta de 114% no Nordeste e de 43% no Centro-Sul.

Pecuária de corte – Dos 22 modais produtivos, pesquisados entre junto a setembro deste ano, 8 não foram capazes de gerar recursos suficientes para arcar com os custos diretos de produção, bem como as despesas com depreciação e pró-labore, operando com margem líquida negativa. Nos painéis de recria e engorda, o desembolso com a aquisição de animais para reposição representou em média 64,8% do COE e nos de confinamento 62,6%. Dado a um ágio médio de 35% da arroba desses animais sobre a arroba que o produtor comercializou, o desafio em termos de margem foi alto. De janeiro a setembro de 2021, o Custo Operacional Efetivo dos sistemas de recria e engorda acumularam alta de 15,2% em relação a 2020. Já o modelo de ciclo completo teve aumente de 10,6% no COE e os sistemas de cria 16,1% ante os painéis do ano passado. Para obter os dados, o projeto Campo Futuro visitou 17 regiões nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo.

Pecuária de leite – O Campo Futuro visitou 19 regiões produtoras nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rondônia, de junho a setembro. Segundo dados do levantamento, os sistemas de produção de leite que operaram com maior eficiência produtiva, alcançando resultados maiores que 10 mil litros por hectare ao ano, foram os que apontaram os melhores resultados financeiros. Em média uma margem liquida de R$ 0,04 por litro. Já os modelos de média e baixa produtividade acabaram operando com margem líquida negativa, sendo os que mais sentiram os efeitos da alta nos custos na atividade leiteira. Em linhas gerais, de janeiro a setembro, o Custo Operacional Efetivo acumula 15,7% de elevação, sendo que os componentes ração/concentrado tiveram alta de 15% e o sal mineral 24,7%. No mesmo período, a receita gerada pela comercialização do leite cresceu 15,8%.

Avicultura de corte – Os modelos analisados pelo Campo Futuro apontam a realidade produtiva de cinco sistemas de integração situados nos estados de Santa Catarina e Paraná. Em termos médios, a taxa de giro do capital investido foi de 18%, fruto de uma receita com atividade pressionada e um elevado estoque de capital médio por ave (em média R$ 4,50 por ave alojada). O item de maior impacto nos custos de produção foi o gasto com a mão-de-obra (26,7%). Em seguida os com energia (19,5%) e aquecimento dos aviários (18,2%).

Suinocultura – Os modelos de integração para Unidades de Terminação de Suíno obtiveram como maior item de custo o gasto com mão-de-obra, em média 41,5% do custo operacional. Os painéis ocorreram em Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná.

Aquicultura (piscicultura) – Os dados de piscicultura evidenciaram que no cultivo de tilápia, no Paraná, o custo com ração é o principal item que pesa no bolso do produtor, em média R$ 4,30 por quilo de peixe produzido.

Fonte: Canal Rural

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