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ESG: sustentabilidade é elemento chave para investimentos hoje

quarta-feira, março 10, 2021



Entre os dias 2 e 5 de março, a XP Investimentos realizou a 11ª edição do evento Expert XP, no formato 100% online. A edição de 2021 teve como tema o ESG, sigla em inglês para Environmental, Social e Governance (Ambiental, Social e Governança).

Esses três elementos, de acordo com a proposta do evento, oferecem uma nova forma de investir para as empresas e os investidores, pensando em um futuro sustentável. A ideia da edição era discutir como a sigla vem transformando o mundo dos investimentos.

A proposta é simples: utilizar critérios de sustentabilidade na tomada de decisões relacionadas ao investimento e planejamento de ações empresariais. Para Fiona Reynolds, CEO do Principles for Responsible Investment (PRI), rede que atua para engajar e coordenar investidores nestas questões, o cenário de 2020 possibilitou um maior interesse pelo sistema.

“Essa tendência já estava em andamento, mas a pandemia acelerou o progresso. Foi um gatilho para o investimento sustentável, que nada mais é do que atuar conectado com outras questões da sociedade. O mercado precisa entender e pensar que pessoas, lucro e planeta estão relacionados. O último ano provou que o investimento responsável está no caminho certo para se tornar o novo normal”.

Reynolds pontua que ainda é comum relacionar sustentabilidade com a perda do lucro, mas os fatores ESG funcionam no caminho inverso.

“Ao considerar os fatores ESG, os investidores irão ver as situações de risco de forma mais ampla e tomar melhores decisões. É uma forma de mitigar os riscos e capitalizar nas oportunidades existentes. Para isso, é importante pensar não apenas nos riscos do ESG para a minha carteira, mas no impacto que a minha carteira terá no mundo real. Temos que integrar isso nas nossas práticas”.

Ela reforça que as mudanças climáticas e as estruturas desiguais estão ameaçando o desempenho dos investimentos.

“Os investidores não estão ali como observadores, eles fazem parte do mundo real. Podem ser participantes intencionais ou não. Estamos numa era de recuperação sustentável urgente. Precisamos pensar no impacto no planeta e nas pessoas, mas sem deixar de pensar no lucro. Com ESG buscamos o equilíbrio destes pilares”.

Quando questionada sobre a situação do Brasil, Reynolds afirmou que o país vem crescendo em adeptos do ESG, mas que as práticas neste sentido ainda são muito baixas. “Mas existe um apetite para isso. Agora é o momento de adotar o investimento responsável. As empresas que não o fizerem ficarão para trás. Demorar para agir é a pior decisão a se tomar”.


Sustentabilidade

O evento da XP buscou abordar alguns dos elementos que colaboram para a construção de ações pensadas com base no ESG, e nas quais os investidores estão de olho.

Na mesa ‘Amazônia 4.0’, a proposta foi pontuar formas de promover o mercado na região do bioma brasileiro e, ao mesmo tempo, garantir a preservação e a biodiversidade.

Para Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a grande questão do século é o meio ambiente.

“Os efeitos do aquecimento global e outros desequilíbrios ambientais mudam completamente as formas de produzir e consumir na sociedade. O Brasil tem vantagem contra o resto do mundo, mas temos que tratar a floresta através de uma economia verde. Produzir e preservar é possível”.

Grossi e os demais participantes da conversa reforçaram que o desmatamento ilegal atrapalha a entrada de investimentos na região, uma vez que promove insegurança jurídica.

“A Amazônia coloca o Brasil como fonte de solução, mas agimos como se fosse problema. Temos organizações e empresas que mostram ser possível gerar emprego e renda para as comunidades sem a necessidade de derrubar uma só uma árvore”, aponta Grossi.

Já Denise Hills, diretora global de Sustentabilidade na Natura, defende a manutenção do trabalho em rede que o bioma amazônico exige.

“Sem a Amazônia, o Brasil sofre com impactos dolorosos. É preciso combinar o potencial científico e tecnológico com as comunidades tradicionais. Desta forma, surgem modelos de negócio que promovem a conservação. Ao colocar a sustentabilidade no meio, é possível falar dos resultados e garantir o impacto positivo”.

Para Mariano Colini Cenamo, fundador e Diretor do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM), a grande questão é: como atrair investimentos para a Amazônia aliando a conservação e o uso sustentável de seus recursos?

“O desmatamento vem afastando diversos investimentos da região, com perdas de acordos internacionais. Sabemos qual caminho não funciona. Agora é seguir a fórmula para que o investimento sustentável seja implementado em larga escala: fortalecer as comunidades, fiscalizar e promover o protagonismo empresarial em rede. As empresas precisam dialogar com os pequenos empreendedores destas regiões”, defende.

Fonte: Observatório 3 Setor

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