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Indústria florestal fatura com demanda alta nos mercados externo e interno

quarta-feira, dezembro 02, 2020




A retomada rápida do mercado internacional, principalmente da China, e a demanda aquecida no mercado interno estão gerando crescimento da indústria florestal de Minas Gerais em 2020.

Além disso, com as expectativas positivas em relação aos investimentos na infraestrutura brasileira e a tendência do mercado interno buscar por uma estruturação de projetos de nacionalização de indústrias estratégicas, como por exemplo, de equipamentos e ferramentas, o setor florestal está preparado para retomar os investimentos em 2021.

Minas Gerais tem a maior floresta plantada do País, com 2,3 milhões de hectares de produção, distribuídos em 93,5% dos municípios de Minas. A atividade contribuiu para a preservação ambiental. A estimativa é de que a cada um hectare plantado, 0,6 hectare  são conservados. Dessa forma, são 1,3 milhão de hectares conservados pelo setor de árvores plantadas no Estado.

De acordo com os dados do Instituto Estadual de Florestas (IEF), em 2019, o volume de carvão comercializado e oriundo das florestas plantadas de Minas Gerais foi e 4,75 milhões de toneladas, 4,5% superior quando comparado com 2018. O índice deve ser superado em 2019.

A presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), Adriana Maugeri, explica que apesar da pandemia de Covid-19, a demanda pelos produtos do setor está em alta, o que vem favorecendo o desempenho das empresas. Dentre os produtos demandados, se destacam o carvão vegetal, o aço, o ferro gusa, algumas ligas metálicas especiais, a celulose e o papel. “Nossa estimativa é superar o desempenho de 2019, já que a demanda está bem maior”, disse.

Adriana explica ainda que logo no início da implantação das ações para conter o avanço da Covid-19, o setor – que vem crescendo nos últimos dois anos – ficou receoso com a possibilidade de sofrer impactos negativos. Porém, como a retomada do mercado chinês, principalmente, e de uma demanda aquecida no mercado interno, as empresas estão se planejando para retomar os investimentos.

“Em março, quando houve o fechamento das atividades econômicas, estávamos muito preocupados, imaginando um impacto muito forte. Mas, logo no início da pandemia no Brasil, a Ásia retomou as atividades e o cenário mudou rapidamente, principalmente, na metalurgia e siderurgia. Com isso, houve aumento na demanda por carvão e celulose, principalmente. No mercado interno, também houve um aumento da demanda e, com isso, vamos crescer em relação a 2019”, explicou.

Otimismo – A indústria florestal está otimista com a retomada dos projetos de expansão e implantação, mas, ainda um pouco receosa e esperando uma acomodação do mercado. A tendência é que o início dos investimentos aconteça em 2021.

De acordo com a presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), Adriana Maugeri, todo esse movimento de demanda superelevada no qual estamos vivendo, somado ao aquecimento da indústria interna, apesar de muito positivo, não vai se sustentar por um longo período.

“Esse crescimento atual é uma bolha, que não representa a demanda sustentável. O setor está otimista e acreditamos no crescimento. Porém, a gente busca fora desse período de demanda muito alta e incomum, precisamos de uma demanda mais sustentável e prolongada. Fatores como a estimativa de uma maior nacionalização dos setores – depois que percebemos a grande dependência da China -, a retomada da construção civil e da construção pesada (com projetos de obras de infraestrutura pelo Brasil) nossa expectativa é que em 2021 haverá um cenário sustentável para a retomada dos investimentos”.

Outro fator que pode favorecer a indústria florestal é Projeto de Lei 4.054/2017, que está em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e prevê a extensão da isenção de ICMS para outras fontes de energia renovável, além da solar, incluindo a biomassa de madeira. “Caso aprovado, esta mudança trará um potencial gigante para Minas, que tem a maior área de floresta plantada”, disse Adriana.


Interesse de estrangeiros está bem maior

Em relação à origem dos investimentos, que por questões estratégicas não podem ser divulgados, além das empresas já instaladas em Minas Gerais, que estão planejando ampliar as atividades, a presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), Adriana Maugeri, ressalta que o interesse de investidores novos e estrangeiros está bem maior.

A desburocratização dos processos para a instalação de novos empreendimentos feita pelo governo de Minas Gerais é um dos fatores que vem despertando o interesse pelo Estado. Além disso, a instalação de importantes empresas, como a Amazon e o Mercado Livre em Minas, por exemplo, tendem a aumentar da demanda por embalagens, o que favorece a atividade.

“O setor tem projetos, tem recursos e está buscando um cenário mais favorável e seguro para investir em implantações e expansões. Temos muitas indústrias de segmentos variados do setor estudando Minas Gerais como opção. São olhares de investidores nacionais e internacionais. O Estado transformou o ambiente, que está mais negociável e atrativo para o estabelecimento de investimentos”, disse.


Projeto estimula preservação do cerrado

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) é parceira da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado Monte Carmelo (monteCCer) no projeto Viveiro de Atitude. A iniciativa propõe a preservação dos recursos naturais do Cerrado em Minas, a partir da distribuição e plantio de árvores nativas. As atividades são desenvolvidas no município sede da cooperativa, Monte Carmelo, região do Alto Paranaíba.

Para colocar a ação em prática, foi construído um viveiro com 97 espécies nativas do bioma Cerrado e produzidas mais de 60 mil mudas. “A iniciativa dos cooperados, juntamente com 22 entidades e nove empresas comerciais, com a participação importante da Emater local, fornece mudas de espécies nativas do Cerrado para aumento das matas e proteção das nascentes”, explica o superintendente da monteCCer, Régis Damasio Salles.

O projeto envolve 158 fazendas cooperadas, que adquiriram as mudas num valor 50% menor que o de mercado. A proposta visa beneficiar mais de 2 mil famílias no município e região, sendo executado, por exemplo, em parceria com escolas e universidades. Até o momento foram plantadas 9 mil árvores. “Podem participar tanto cooperados como não cooperados, área rural e habitantes das cidades, que são também incentivados a plantar em suas casas”, diz Régis Salles.

Boa parte da mobilização dos produtores e organização das ações do Viveiro em Atitude são por meio de website, aplicativo mobile e redes sociais. Dessa forma, evita-se o uso de papel e a poluição ambiental. Outro ponto relevante é  a arrecadação com a comercialização das mudas ser destinada para entidades filantrópicas, que cuidam de crianças e idosos. “Somos um único ecossistema e acreditamos que devemos todos cuidar e zelar pelo bioma Cerrado, da nossa biodiversidade”, afirma Régis Salles.

Itamiran Camargo Silva é produtor de hortaliças orgânicas e avicultura de postura em Monte Carmelo. Ele trabalha com a família nas atividades e comercializa para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Pelo projeto, ele plantou 250 mudas de árvores em sua propriedade. “A gente está vendo no dia a dia que quase ninguém se importa em preservar o bioma em geral. Se as pessoas começarem a fazer a parte delas, no futuro, seria bom. Preservar e cuidar”, diz o produtor.

A Emater atuou na elaboração de uma cartilha digital, disponibilizada em smartphone, tablet e ou computador, para auxiliar os produtores do plantio das mudas. O material traz dicas importantes, como a seleção das espécies, escolha e preparo do local, preparo das covas e adubações. A cartilha também orienta sobre os cuidados pós-plantio, como adubação, irrigação, capinas e controle de pragas.

A partir dessas dicas, os produtores fizeram o plantio das mudas em suas propriedades. Os cafeicultores contaram ainda com a participação dos extensionistas da Emater-MG. Muitas mudas foram utilizadas na proteção de nascentes, o que tem impacto direto na proteção dos recursos hídricos. 


Fonte: Diário do Comércio

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