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Poluição do ar pode aumentar mortes por covid-19 em 9%, conclui estudo

segunda-feira, setembro 28, 2020




A poluição do ar, em grande parte aquela causada pela emissão de poluentes tóxicos, como em veículos automotores, está diretamente ligada a um aumento de mortes por covid-19.

A conclusão é de um estudo de oito pesquisadores americanos ligados à Faculdade de Ciências Ambientais e Florestais da Universidade Estadual de Nova York, publicado na última semana.

“Aumentos no índice de emissão de poluentes tóxicos estão associados com altas de até 9% na quantidade de vítimas fatais da doença causada pelo novo coronavírus”, concluíram os pesquisadores.

O trabalho reforça conclusões pioneiras de pesquisadores italianos e chineses durante o pico da pandemia no norte da Itália e na China, mostrando que a exposição contínua à poluição do ar amplia o risco de sintomas graves em caso de infecção pela covid-19 e aumenta a probabilidade de morte por síndrome respiratória aguda.

O novo estudo cogita duas possibilidades. Na primeira, de impacto direto, a poluição provoca danos nos cílios das células que revestem as vias aéreas, expondo o sistema respiratório a agentes infecciosos. Os cílios fomentam a formação de muco que, depois, é expelido por meio da tosse ou levado à boca para ser engolido ou expelido, e que captura micro-organismos infecciosos e partículas, evitando que cheguem aos pulmões; sem eles, o organismo fica mais vulnerável a agentes como o novo coronavírus.

Na segunda hipótese, o impacto é indireto, causado pelo agravamento de doenças cardiorrespiratórias preexistentes, o que reduz a imunidade e acelera dificuldades causadas pela covid-19.

Para o professor de patologia Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, o trabalho ajuda a consolidar o conceito de que a exposição crônica a poluentes atmosféricos reduz a eficiência dos mecanismos de defesa do pulmão. Ele é membro do painel de especialistas que estabeleceu os padrões de qualidade do ar adotados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é integrante do grupo que definiu o potencial cancerígeno da poluição atmosférica para a Agência Internacional do Câncer.

“Esses mecanismos combatem agentes infecciosos inalados. Há evidências suficientes na literatura médica mostrando que os pulmões de indivíduos expostos à poluição do ar desenvolvem uma inflamação crônica que se manifesta produzindo mudanças na estrutura do epitélio respiratório. Isto também prejudica a defesa imune, que funciona como uma segunda barreira contra micro-organismos patogênicos”, comentou.

Metas de redução de emissões

O estudo analisa ainda o impacto na mortalidade de poluentes classificados como tóxicos, os chamados HAPs (Hazardous Air Pollutants), emitidos por diversas fontes de poluição, sendo particularmente relevante a dos veículos automotores em zonas urbanas.

Entre os poluentes considerados HAPs estão as partículas de diesel, aldeídos como acroleina, acetaldeído e formaldeído, e hidrocarbonetos aromáticos, como benzeno e naftaleno.

As conclusões, segundo o estudo, são importantes para nortear as ações de governos, que, também por conta dos danos causados pela pandemia na economia, vêm sendo pressionados pelas fabricantes de automotores a postergar os prazos de implantação de metas obrigatórias de redução de emissões veiculares.

No Brasil, por exemplo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) propõem o adiamento por três anos das novas etapas do Proconve, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores. Segundo a indústria, seriam necessários investimentos de R$ 12 bilhões para adotar as regras, elaboradas em 2018, no prazo original, de 2022.

No Estado de São Paulo, a questão aguarda decisão e tem manifestações contrárias ao adiamento por parte do Ministério Público e do Consema, o Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Fonte: Valor Investe

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