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Na terra da soja, cultivo de eucalipto deve ganhar espaço com demanda por biomassa

segunda-feira, julho 27, 2020

Klabin anuncia compra de 14 mil hectares de floresta plantada de ...

O cultivo de florestas comerciais tem ganhado espaço em Mato Grosso. O salto nos últimos dez anos foi de 60% segundo a Associação dos Reflorestadores (Arefloresta-MT). Hoje, a área plantada ocupa mais de 258 mil hectares. Um crescimento fomentado – principalmente – pela demanda das agroindústrias. “As espécies que foram cultivadas no estado, como eucalipto, tiveram seus plantios impulsionados pela necessidade da biomassa sustentável, por ser mais barato e utilizar geração de calor de secagem de grãos e frigoríficos. Atualmente, esse cultivo também é visto como ótima alternativa de investimentos, inclusive com foco em uma gama maior do uso desta madeira, como carvão, mourão, poste tratado, serraria, entre outros”, explica Cléber Muniz de Brito, instrutor credenciado do Senar Mato Grosso.

Carro-chefe nesta seara, o eucalipto ocupa quase 190 mil hectares no estado. E é preciso avançar para conseguir atender às necessidades do setor. A previsão dos reflorestadores é de que, em uma década, o cultivo de eucalipto ganhe mais 400 mil hectares em Mato Grosso. Ou seja, ocupe uma área 3 vezes maior que a atual. O instrutor do Senar-MT, comenta o panorama. “O Imea projeta uma produção de grãos de 46 milhões de toneladas de soja em 2025. Então, em função disso, a expansão detectada adiciona aproximadamente 900 mil metros cúbicos anuais a essa atual demanda. Mas onde irá demandar um volume de biomassa maior será no eixo da BR-163 por causa das indústrias de etanol de milho que estão instaladas. Então, estima-se que para cada milhão de tonelada de milho processada, seja preciso 10 mil hectares de eucalipto para co-geração de energia”, calcula.

Embora promissor, o investimento precisa ser estratégico. Num passado não muito distante (entre 2014-2015) a maior aposta no cultivo de eucalipto provocou excesso de oferta em algumas regiões do estado, como a sudeste e a centro-sul. Naquele biênio, as florestas ocuparam área recorde em Mato Grosso, acima de 212 mil hectares. Houve recuo no preço da lenha e desestímulo aos produtores. Por isso, o primeiro passo antes de investir na atividade envolve logística. É preciso saber se a localização do futuro cultivo está a uma distância economicamente viável para o comprador. “O custo de transporte é alto. Então, ao implantar a floresta, uma das coisas que deve se observar é justamente isso. A distância não deve ultrapassar 150 quilômetros do ponto de uso desta madeira, dessa biomassa. Às vezes esta logística encarece o custo e ele sobe tanto, que não justifica o transporte da madeira”, comenta o instrutor do Senar-MT.

Também é fundamental ter o foco da produção bem definido. “Nós precisamos saber, primeiro, para que queremos e onde vamos utilizar esta biomassa: se é para energia, se é para poste, para serraria. O segundo passo é saber qual o volume necessário para atender a demanda. O terceiro é avaliar e escolher o material genético compatível com as finalidades da biomassa e que se adapte também às variáveis ambientais da região. Conhecer a produtividade deste material genético e saber calcular a área para produzir o volume de biomassa desejável, também é importante”, orienta.

Quanto ao plantio, Cléber Muniz aponta as principais variáveis que precisam ser observadas. “No eucalipto é utilizado o processo de preparo de solo do cultivo mínimo. Então, a gente só faz intervenção no local de plantio. A gente tem que verificar as características do solo e a profundidade da subsolagem. Também temos que analisar a época de operação, já que não podemos ter um solo muito úmido, nem muito seco para não provocar o espelhamento do solo e nem a produção de torrão. Depois vamos fazer a marcação de covas para ter aquele espaçamento desejável. Se eu for produzir para celulose vou plantar num espaçamento de ‘3×3’, se for biomassa para energia ‘3×2’. Além disso, temos que observar correção de solo, aplicação de calcário, adubação fosfatada, adubação de plantio e assim por diante, pensando sempre em obter uma floresta de qualidade.

O tema também foi destaque no Bom Dia Senar Mato Grosso desta semana. Confira na íntegra as dicas do instrutor para quem quer implantar uma floresta comercial.

Confira aqui a reportagem sobre esse assunto.

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