Buscar

Projetos verdes dão sinais de resiliência com emissões de US$ 53 bilhões em green bonds

terça-feira, maio 12, 2020

O mercado de capitais voltado para projetos sustentáveis sentiu os impactos da pandemia de covid-19 em março, mas deu uma demonstração de força com a emissão de US$ 16,6 bilhões de green bonds em abril, após despencar para US$ 3,4 bilhões no mês anterior – “títulos verdes” são emissões para financiamentos de empreendimentos que cumprem critérios ambientais e climáticos, como a mitigação de emissões.
Dados da Climate Bonds Initiative (CBI), que monitora o mercado e atua na criação de regras, enquadramento e na aproximação entre investidores e desenvolvedores de projetos. As emissões totalizam US$ 52,9 bilhões em 2020, incluindo certificações próprias da CBI ou alinhadas com seus critérios.
Mesmo com a crise – o FMI projeta retração de 3% no PIB global para este ano –, a CBI mantém a estimativa de crescimento no mercado de green bonds, para US$ 350 bilhões em emissões, +36% em relação a 2019 (US$ 258 bilhões).
“Mercados de dívidas seguem paralisados, ainda que sem fechamento formal. Poucas operações tem saído. E neste cenário, operações verdes têm tido uma demanda bem acima da média no mercado internacional, apresentando inclusive um excesso de subscrição, maior que o normal, com demanda 20 a 22 vezes maior”, explica Thatyanne Gasparotto, que chefia as operações da CBI na América Latina.
Reflexo de um desejo por “resetar o sistema”
Iniciativas de empresas, bancos e consumidores cobram que os pacotes de socorro e estímulos econômicos em implementação para amenizar ou acelerar uma retomada econômica tenham como premissa a transição para uma economia de baixo carbono.
“É a oportunidade de não cometermos os erros do passado”, afirma Gasparotto.
A executiva destaca o recentemente posicionamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), que lançou um guia para uma retomada econômica verde, apoiado em três pilares: uso de recursos públicos em projetos comprometidos com a redução de emissões; a promoção de green bonds no mercado de capital, precificando os riscos climáticos…
…E o ajuste dos preços do carbono – o FMI vem defendendo desde o ano passado a precificação da tonelada de carbono equivalente emitido na atmosfera em US$ 75, um salto na comparação com a precificação atual, da ordem de US$ 2 por tonelada.
“Essa transição deve ser justa e favorecer o crescimento [econômico]. Por exemplo, as receitas tributárias de carbono podem ser usadas para fornecer assistência às famílias mais pobres, reduzir cargas tributárias mais onerosas e apoiar investimentos em saúde, educação e infraestrutura”, defendeu Kristalina Georgieva, diretora do FMI na conferência virtual do 11º Petersberg Climate Dialogue, Alemanha.
Para o Brasil, foco da CBI é no potencial regional: o programa de concessões tocado pelo Ministério da Infraestrutura e a produção de biocombustível, especialmente do etanol, que atravessa um momento delicado com a queda nos preços do petróleo e na demanda por combustíveis.
“Temos um dos biocombustíveis mais eficientes do mundo. O setor está muito introspectivo neste momento, preocupados com seus problemas, mas é uma super oportunidade”, afirma Thatyanne Gasparotto. A produção de etanol já possui critérios para certificação e emissão de green bonds.
Há uma barreira cambial: o mercado internacional trabalha com ofertas da ordem de US$ 200 milhões a US$ 250 milhões. “Com o cambio atual estamos falando de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão, o que pode ser muito arriscado”.
Mas opções locais: a MP do crédito rural (MP do Agro), aprovada em março pelo Congresso Nacional, prevê a escrituração de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em dólar. “Talvez vejamos alguma operação no último trimestre do ano”, estima a executiva.
Para a julho, a CBI espera publicar regras de enquadramento para investimentos nos canaviais, ampliando alternativas para o setor sucroenergético, que está recorrendo à produção de açúcar para compensar perdas com etanol.
Nas concessões, o foco é nas ferrovias. Trabalho começou com a Ferrogrão, rota projetada para interligar Sinop, no Mato Grosso, a Miritituba, no Pará e demanda por investimentos estimada em R$ 17 bilhões. Depois foi estendido para as ferrovias de Integração Centro-Oeste (Fico) e Integração Oeste-Leste (Fiol).
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, vem afirmando que o plano de concessões será capaz de contratar investimentos totais de R$ 250 bilhões para os próximos anos e que, com exceção de ajustes no cronograma, a política está mantida mesmo com a crise.

Veja também:

0 comentários

Agradecemos seu comentário! Volte sempre :)

Categorias

Abastecimento (10) Abiove (2) Acordo Internacional (8) Acrocomia aculeata (32) Agricultura (13) Agroenergia (19) Agroindústria (8) Agronegócio (34) Agropecuária (15) Alimentos (242) Amazônia (5) animal nutition (1) ANP (21) Arte (1) Artigo (6) Aspectos Gerais (177) Aviação (28) Aviation market (14) B12 (1) B13 (2) Bebidas (1) Biochemistry (5) Biocombustíveis (278) Biodiesel (173) Bioeconomia (26) Bioeletricidade (9) Bioenergia (59) Biofertilizantes (3) Biofuels (97) Biomass (7) Biomassa (68) Biomateriais (2) Biopolímeros (7) Bioproducts (1) Bioprodutos (4) Bioquerosene (25) Biotechnology (31) Biotecnologia (22) Bolsa de Valores (11) Brasil (6) Brazil (28) Cadeia Produtiva (3) Capacitação (1) Carvão Ativado (5) CBios (20) CCEE (1) Celulose (1) Cerrado (5) Ciência e Tecnologia (232) Clima e ambiente (199) climate changed (40) CNA (1) Cogeração de energia (19) Combustíveis (50) Combustíveis Fósseis (14) Comércio (2) Consciência Ecológica (9) COP24 (76) COP25 (20) COP26 (3) Copolímeros (2) Cosméticos (22) Crédito de Carbono (37) Crédito Rural (1) Créditos de Descarbonização (11) Cultivo (97) Curso (1) Davos (2) Desenvolvimento Sustentável (33) Diesel (7) Diesel Verde (3) eco-friendly (4) Economia (50) Economia Circular (1) Economia Internacional (105) Economia Verde (166) Economy (30) Ecosystem (5) Efeito estufa (12) Eficiência energética (28) Empreendedorismo (1) Empresas (3) Energia (50) Energia Renovável (200) Energia Solar Fotovoltaica (5) Etanol (33) Europa (1) event (9) Eventos (92) Exportações (38) Extrativismo (30) FAO (1) Farelos (33) farm (1) Fibras (8) Finanças (3) Floresta plantada (85) Fomento (1) Food (42) food security (7) forest (1) Fuels (22) Gás (1) Gasolina (1) Gastronomia (1) GEE (1) Glicerina (1) Global warming (87) Green Economy (123) health (22) IBP (1) Incentivos (1) Industry 4.0 (1) Inovação (34) IPCC (14) L72 (4) L73 (1) Legislação (5) Lignina (2) livestock (4) Low-Carbon (45) Lubrificantes e Óleos (20) Macaúba (540) Madeira (4) Mamona (1) Manejo e Conservação (53) MAPA (3) Meio Ambiente (117) Melhoramento e Diversidade Genética (61) Mercado (3944) Mercado de Combustíveis (37) Mercado Financeiro (7) Mercado florestal (61) Mercado Internacional (23) Metas (1) Milho (4) MME (11) Mudanças Climáticas (4) Mundo (3) Nações Unidas (1) Nutrição animal (17) nutrition (9) Oil (49) Oleaginosas (44) Oleochemicals (6) Óleos (230) Óleos Essenciais (1) ONU (5) other (1) Palma (7) Paris Agreement (80) Pecuária (71) Pegada de Carbono (69) Personal Care (2) Pesquisa (11) Petrobras (3) Petróleo (18) PIB (1) pirólise (2) Plant Based (14) Política (70) Preços (7) Preservação Ambiental (5) Produção Animal (2) Produção Sustentável (20) Produtividade (6) Produtos (150) Proteção Ambiental (1) proteína vegetal (28) Recuperação de área Degradada (35) Recuperação Econômica (1) Relatório (1) renewable energy (16) RenovaBio (25) Research and Development (9) Resíduos (2) SAF (2) Saúde e Bem-Estar (88) science and technology (45) Sebo (1) Segurança Alimentar (71) Segurança Energética (5) Sistema Agroflorestal (10) Sistemas Integrados (2) Soil (8) Soja (22) Solos (11) Sustainability (45) Sustainable Energy (64) Sustentabilidade (412) Tecnologia (1) Transportes (3) Turismo Sustentável (2) Vídeo (215) World Economy (74)

Total de visualizações de página