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Cargill diz que indústria alimentícia não cumprirá meta de zerar desmatamento; Aprosoja rebate

sexta-feira, junho 14, 2019

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CHICAGO (Reuters) - A Cargill afirmou nesta quinta-feira que ela e a indústria alimentícia brasileira em geral não conseguirão cumprir o objetivo de eliminar o desmatamento até 2020, e prometeu aumentar suas ações para proteger florestas e vegetações nativas no Brasil.

A declaração da Cargill vem após dados mostrarem que o desmatamento da floresta Amazônica no Brasil, importante fornecedor de soja para a empresa, acelerou em maio, atingindo sua maior velocidade em uma década.

As maiores marcas mundiais em termos de consumo acertaram em 2010 uma meta de zerar o desmatamento líquido até 2020, estabelecida pelo órgão global do Consumer Goods Forum.

"Apesar de nossos esforços coletivos, nossa indústria não cumprirá a meta de eliminar o desmatamento até 2020", afirmou Ruth Kimmelshue, diretora de Sustentabilidade da Cargill.

"O clima está mudando e há uma necessidade urgente de ações para acabar com o desmatamento", disse ela.

Mais cedo nesta semana, o Greenpeace afirmou que ao menos 50 milhões de hectares de florestas, uma área equivalente ao tamanho da Espanha, foram destruídos durante os dez anos de vigência do acordo corporativo.

Em resposta, o Consumer Goods Forum declarou que seus membros tiveram importante papel em questões ambientais. Entretanto, disse que "as forças que impulsionam o desmatamento são mais complexas do que qualquer parte interessada pôde notar em 2010."

Ambientalistas têm apontado para a redução das proteções ambientais nos cinco meses do governo de Jair Bolsonaro como fatores de incentivo à extração ilegal de madeira no Brasil.

Eles também afirmam que, enquanto os clamores mundiais se concentraram em salvar a Amazônia, a agricultura levou a mais desmatamento no Cerrado brasileiro.

A Cargill, maior empresa de capital fechado dos Estados Unidos, prometeu iniciar uma avaliação de risco de sua cadeia de oferta de soja, além de reservar 30 milhões de dólares para buscar soluções para proteger florestas e vegetações nativas no Brasil.

A organização ambiental global Mighty Earth, porém, criticou o plano. "A quantia prometida pela Cargill à proteção ambiental nada mais é do que uma pequena fração do que eles gastam financiando a destruição de florestas", disse em comunicado Glenn Hurowitz, presidente-executivo da entidade.

Por outro lado, o agronegócio brasileiro também realizou críticas à ação. A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) afirmou em comunicado que a sojicultura gerou o desenvolvimento da região e que "o Cerrado do Matopiba não está ameaçado", mencionando a região que engloba os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

"A Aprosoja não encontra motivos que justifiquem a decisão anunciada pela multinacional Cargill", disse o órgão.

Posicionamento da Aprosoja Brasil sobre a produção de soja no Matopiba
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja – APROSOJA BRASIL, representando produtores associados em 16 estados, especialmente os do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), não encontra motivos que justifiquem a decisão anunciada pela multinacional Cargill de investir US$ 30 milhões para fins de preservação do bioma cerrado com o objetivo de evitar o desflorestamento da região.

Vamos aos fatos. Há vinte anos, sem a produção de soja, os municípios da região chamada de Matopiba se encontravam em situação de extrema pobreza. Não havia acesso de infraestrutura, poucas casas eram feitas de alvenaria e não havia oferta de bens e serviços básicos à população.

Vinte anos mais tarde, a região floresceu e a pujança do agronegócio, na contramão das políticas públicas e falta de incentivos, mudou esse panorama. Cidades que “não existiam” hoje são polos produtores e exportadores, com grande geração de empregos e serviços variados ligados ao agronegócio.

Foram criados milhares de postos de trabalho diretamente nas propriedades e indiretamente nas revendas de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas, além de hotéis, restaurantes, supermercados, farmácias e butiques, algo nunca visto antes. Tudo isso ocorre com a preservação de 73% da área do cerrado da região e com uma agricultura que não ocupa nem 7% deste território, segundo dados já divulgados pela Embrapa. Ou seja, trata-se de uma produção altamente eficiente e sustentável.

É evidente que nos municípios em que a soja e o milho são plantados a vida das pessoas melhorou se comparado ao que era antes da chegada da agricultura tecnificada. Nestes, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais que dobrou, conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Não fosse os agricultores que lá estão, não haveria nenhum modelo de desenvolvimento sendo adotado para os municípios da região.

A verdade é que o cerrado do Matopiba não está ameaçado. Mas as pessoas, sem o benefício do desenvolvimento econômico, ficarão ameaçadas pela pobreza e desnutrição, pela falta de oportunidades, de emprego e de qualidade de vida.

A produção de soja no cerrado brasileiro é um caso de sucesso não apenas pelo impacto econômico extremamente positivo para o desenvolvimento do país, mas também pela sustentabilidade social e ambiental desta produção.

Portanto, antes de se falar em recursos vindos do exterior para reduzir a produção de grãos do país, é preciso entender com mais profundidade e conhecimento técnico o modelo de produção brasileiro, definido por leis rígidas nas áreas ambiental, fundiária, trabalhista e tributária.

Fonte: Notícias Agrícolas

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