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Bacia amazônica perdeu 295 mil Km² da sua cobertura vegetal

terça-feira, março 26, 2019

Acima, desmatamento na Reserva Biológica do Gurupi e das Terras Indígenas Caru e Alto Turiaçu, no Maranhão. Foto: Felipe Werneck/Ibama.
A Bacia Amazônica, que abrange nove países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela), numa área total de 8,41 milhões de quilômetros quadrados (Km²), perdeu 295 mil Km² de floresta entre os anos de 2000 e 2017, o que corresponde mais ou menos ao território do Equador (283 mil Km²) ou da Itália (301 mil Km²). Os dados são da Primeira Coleção de Mapas Anuais de Cobertura e Uso do Solo da Pan-Amazônia (2000-2017), divulgada na quinta-feira (21) em Lima, no Peru.

A coleção, também chamada de MapBiomas Amazônia, é uma nova ferramenta de mapeamento, que torna possível monitorar mudanças de uso do solo nos nove países e acompanhar as pressões sobre suas florestas ou outros tipos de vegetação. Ela é resultado de um trabalho em parceria entre a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), um consórcio de organizações da sociedade civil dos países amazônicos voltada para a sustentabilidade socioambiental da região, e a MapBiomas, que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia para entender as transformações do território brasileiro, por meio do mapeamento anual da cobertura e uso da terra de todo o país.

Segundo a coordenadora técnica do projeto MapBiomas Amazônia, pela RAISG, a pesquisadora Sandra Rios, do Instituto do Bem Comum (IBC) do Peru, os mapas foram feitos pelos membros da rede em cada país. “É algo único”, disse. “O mapeamento não foi centralizado em uma instituição. Cada país gerou seu mapa, com acordos e trabalho em rede.” Eles abarcam toda a bacia e floresta amazônica, desde os Andes passando pela planície amazônica chegando até as transições com Cerrado e Pantanal.

Sandra informou que apesar da perda, a Pan-Amazônia ainda tem 85% de sua área coberta por vegetação natural. Mas a destruição continua. “A área de uso agropecuário cresceu 41% entre 2000 e 2017”, disse. “Ela passou de 734 mil Km² para 1,038 milhão de Km²”. Embora o crescimento da área de agropecuária no Brasil tenha sido ligeiramente menor – 38% – o país é o campeão disparado em território ocupado por essa atividade, tendo passado de 626 mil Km² em 2001 para 867 mil Km², o que representa, neste último ano, 83,5% do total da área utilizada na Pan-Amazônia.

O Brasil também responde pela maior parte – cerca de dois terços – das perdas florestais (sem contar outras vegetações naturais, como savanas e bosques, por exemplo) da Pan-Amazônia. A floresta na região amazônica do país sofreu uma redução de 203 mil Km² no período mapeado, passando de 3,859 milhões de Km² para 3,656 milhões de Km². É mais ou menos um território correspondente ao do Paraná, que tem 199 mil Km².

Sandra informou que os mapas foram elaborados a partir de imagens de satélites norte-americanos da série Landsat (Land Remote Sensing Satellite), com resolução de 30 metros, e analisadas pixel por pixel. “A principal utilidade do mapeamento é observar ao longo do tempo o comportamento da cobertura de vegetação natural e a dinâmica do uso da terra”, explicou. “Podemos gerar mapas anuais de desmatamento nos biomas e cruzar os dados com outras informações que nos orientem para entender o que se deve fazer e mudar.”

Em texto divulgado à imprensa pelo Observatório do Clima, que integra a rede MapBiomas, Beto Ricardo, coordenador da RAISG, diz que o MapBiomas Amazônia é um passo importante para o objetivo de “construir e promover uma visão integral da Amazônia, considerando aspectos políticos de uma região compartilhada entre nove países, bem como aspectos socioambientais de grande significado: a presença de cerca de 400 povos indígenas, bacias hidrográficas compartilhadas, conectividade entre unidades de conservação, e processos de alteração de uso do solo – desmatamento –, entre outras pressões e ameaças que pairam sobre a maior floresta tropical do planeta”.

No mesmo texto, Tasso Azevedo, coordenador técnico do Observatório do Clima e coordenador geral do MapBiomas, diz que o lançamento da Coleção 1 do MapBiomas Amazônia é uma iniciativa para garantir o mapeamento de toda a América do Sul, com um grau de detalhe espacial e temporal sem precedentes para outros continentes. “Com o lançamento da Coleção 3 do MapBiomas Brasil, a Coleção 1 do MapBiomas Amazônia e a primeira coleção de MapBiomas Chaco, que será apresentada nos próximos meses, vamos cobrir quase 90% do território da América do Sul”, informa. “Esta base de dados é inestimável para a compreensão da dinâmica de uso dos recursos naturais na região além de contribuir para a modelagem climática e o cálculo de emissões e remoções de gases de efeito estufa por mudança e uso solo na região.”

De acordo com o Observatório do Clima, a plataforma MapBiomas Amazônia é de acesso público e interativa, possibilitando a qualquer um a obtenção de figuras e gráficos. “O público em geral pode visualizar mapas da região amazônica, países, áreas protegidas e territórios indígenas”, diz o texto. Para cada país é possível visualizar as informações em diferentes unidades territoriais, como estados e municípios, por exemplo, e por período de ano a ano, ou qualquer outro intervalo de anos (dois, cinco ou outro qualquer).

Fonte: O Eco

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