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Pré-melhoramento, melhoramento e pós-melhoramento: desafios e estratégias

sexta-feira, junho 08, 2018

O melhoramento genético de plantas para o Brasil visando à produção de grãos, fibras, frutos e energia tem promovido o aumento de produtividade das principais culturas

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O melhoramento genético de plantas para o Brasil visando à produção de grãos, fibras, frutos e energia tem promovido o aumento de produtividade das principais culturas, como soja, milho, trigo, algodão, fruteiras, cana de açúcar, entre outras. Entretanto, ainda há a possibilidade de um aumento maior de produtividade e diminuição de custos, por exemplo, com materiais rústicos, tolerantes a doenças e pragas e fatores abióticos como seca, alta temperatura entre outras características.
Adicionalmente, uma maior qualidade nutricional e industrial é altamente desejável e tornaria os produtos mais atraentes em um mercado competitivo. Os novos cenários relacionados às mudanças climáticas globais, uso de áreas marginais e novos sistemas de cultivo baseados na integração lavoura-pecuária-floresta vão demandar novas cultivares com características específicas e alto desempenho agronômico.
Além dos cultivos tradicionais, o melhoramento deve viabilizar outras opções de cultivos, tornando o sistema como um todo mais diversificado e sustentável. Para isso, os programas de melhoramento genético de plantas assumem grande importância. Atividades de pré-melhoramento e pós-melhoramento têm sido discutidas e sugeridas para aumentar a eficiência dos programas de melhoramento ou mesmo para resolver problemas decorrentes do estreitamento da base genética de certas culturas.
As atividades de pré-melhoramento envolvem a identificação de genes e/ou características de interesse em germoplasma exótico ou em populações que não foram submetidas a qualquer processo de melhoramento (parentes silvestres e raças locais), e sua posterior incorporação em materiais elites agronomicamente adaptados (Nass e Paterniani, Pre-breeding: a link between genetic resources and maize breeding. Scientia Agricola, Piracicaba, v.57, p.581-587, 2000). O valor dos recursos genéticos é enorme e sua conservação, caracterização e uso são fundamentais para os programas de melhoramento, principalmente para espécies cultivadas que apresentam base genética estreita. As atividades de pré-melhoramento são de grande importância para subsidiar a utilização prática dos recursos genéticos e ampliar a base genética dos programas de melhoramento (Duvick, Genetic enhancement and plant breeding. In: Janick, J.; Simon, J.E. (Eds.). Advances in new crops. Portland :Timber Press, 1990. p.90-96.). Tais atividades assumem maior importância para caracteres com insuficiente variabilidade genética em materiais já melhorados ou em germoplasma elite. Nesse sentido, para maximizar o sucesso dos programas de pré-melhoramento é essencial a integração de suas atividades com as atividades e demandas dos programas de melhoramento e pós-melhoramento.
É importante relatar que as atividades de melhoramento relacionadas aos métodos de seleção e recombinação são o eixo principal de qualquer programa. Tais atividades são indispensáveis, mesmo quando pensamos em obtenção de plantas geneticamente modificadas via engenharia genética. Os avanços em áreas como a biologia, bioquímica, genética molecular, mecanização, informática, dentre outras podem contribuir, cada vez mais, de forma decisiva para as atividades de melhoramento. Para a identificação, seleção e introgressão de novos genes, o uso de técnicas moleculares, desde a seleção assistida por marcadores moleculares até plantas geneticamente modificadas aparecem como ferramentas importantes. Espera-se que estas técnicas sejam gradativamente incorporadas à rotina do melhoramento, sendo utilizadas de forma prática e aplicada no desenvolvimento de novos produtos tecnológicos.
Finalmente, para que estas tecnologias ou materiais genéticos melhorados sejam utilizados pelos produtores, são fundamentais as atividades de pós-melhoramento envolvendo a validação de cultivares para diferentes agroecossistemas e também ações fundamentais de transferência de tecnologia. Tais atividades abrangem o conhecimento detalhado do comportamento de cada cultivar nos diferentes ambientes de cultivo, o processo sistematizado de produção de sementes e mudas e as ações de marketing e vendas. Estas atividades vão garantir a recomendação correta e regionalizada das cultivares e a  excelência na qualidade genética, física e fisiológica do material propagativo, contribuindo para que a tecnologia gerada alcance de forma eficiente os produtores. Há muito tempo, a semente ou a muda deixou de ser apenas um meio de propagação ou multiplicação, para ser um veículo para a introdução, divulgação e adoção de tecnologia.
Os termos “pré-melhoramento” e “pós-melhoramento”, às vezes, têm sido alvos de crítica por parte dos melhoristas. Afinal de contas, tais atividades são intrínsecas dos programas de melhoramento, ou seja, são atividades de melhoramento. Tais termos têm sido encontrados em muitos trabalhos científicos nacionais e internacionais. O mais importante é entender que as atividades de pré-melhoramento, melhoramento e pós-melhoramento podem ser divididas didaticamente, mas não devem ser trabalhadas de forma fragmentada. A união e a interação entre essas atividades são fundamentais para que os programas de melhoramento genético alcancem seus objetivos e metas, que invariavelmente têm contribuído para a sustentabilidade da agricultura e do ambiente e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem no campo e nas cidades.
Para discutir mais os termos “pré-melhoramento” e “pós-melhoramento” foi editorado o Livro “Pré-melhoramento, melhoramento e pós-melhoramento: desafios e estratégias”. Este livro é um dos produtos científicos do II Encontro da Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas – Regional DF, realizado pela Embrapa Cerrados, Planaltina, Distrito Federal. O livro apresenta 11 capítulos em 184 páginas onde foram discutidos temas relacionados ao estado da arte e as experiências de sucesso do pré-melhoramento, a importância da variabilidade genética no pré-melhoramento, o uso de ferramentas moleculares como suporte ao pré-melhoramento e melhoramento, os objetivos e estratégias do melhoramento e especificamente do melhoramento participativo, o melhoramento genético na graduação e pós-graduação, as perspectivas pós-melhoramento na iniciativa privada, as parcerias público-privadas e os sistemas de registro e proteção de cultivares.
 
Fábio Gelape FaleiroAusteclínio Lopes de Farias Neto - Pesquisadores da Embrapa Cerrados, Walter Quadros Ribeiro Júnior - Pesquisador da Embrapa Trigo
Contato: ffaleiro@cpac.embrapa.br
Fonte: Embrapa Cerrados

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