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Embrapa Agropecuária Oeste desenvolve programa de computador para avaliar risco de contaminação ambiental por agrotóxicos

sexta-feira, maio 18, 2018

Resultado de imagem para impactos da atividade agrícola ao meio ambienteA pesquisa agropecuária tem buscado desenvolver tecnologias para minimizar os impactos da atividade agrícola ao meio ambiente


Uma das grandes preocupações é evitar que os agrotóxicos, usados para proteção das culturas contra os ataques de pragas, doenças e plantas daninhas, possam contaminar o meio ambiente. Após aplicação desses produtos, grande parte é depositada no solo podendo ser transportada para a água subterrânea e/ou superficial. Assim, há uma urgente necessidade em avaliar o destino ambiental dos agrotóxicos atualmente em uso na agricultura. 

Estudos têm sido realizados buscando avaliar o comportamento ambiental de alguns agrotóxicos para as condições brasileiras de solo e clima. Por exemplo, experimentos foram realizados nas safras 2008/2009 e 2009/2010, nos campos experimentais da Embrapa Agropecuária Oeste em Dourados e Ponta Porã, para avaliar a lixiviação (movimento do agrotóxico no perfil do solo juntamente com a água da chuva) e persistência de alguns agrotóxicos utilizados na cultura da soja. Esses experimentos são bastante onerosos, já que demandam análises e equipamentos laboratoriais de alto custo, além de mão de obra especializada. Além disso, as conclusões obtidas nesses experimentos são aplicadas, geralmente, para um determinado tipo de solo, cultura, condição climática e agrotóxico.

Diante do grande número de agrotóxicos atualmente no mercado e dadas as diferentes condições climáticas e de solo (cenários agrícolas) que esses produtos deveriam ser estudados, com objetivo de avaliar o comportamento ambiental, inúmeros experimentos deveriam ser realizados demandando grande quantidade de recursos financeiros, mão de obra e tempo.

Para contornar essa situação, pesquisadores no mundo inteiro têm somado esforços para criar programas de computador que reproduzam o comportamento ambiental dos agrotóxicos nas condições em que são usados. Assim, através de um programa de computador, é possível predizer se um determinado agrotóxico, em uma determinada condição de solo e clima, poderá contaminar, por exemplo, águas superficiais e/ou subterrâneas. Esses programas de computador já são amplamente usados em países membros da Comunidade Europeia e também nos Estados Unidos durante a avaliação da periculosidade ambiental de um agrotóxico que pretende ser lançado no mercado. 

Alguns países têm, inclusive, tornado o uso desses programas de computador obrigatórios durante a avaliação da periculosidade ambiental de um novo agrotóxico. As principais vantagens na utilização desses programas de computador durante a avaliação da periculosidade ambiental dos agrotóxicos são: - baixo custo, maior rapidez na avaliação e obtenção dos resultados, maior representatividade nas avaliações (já que podem ser avaliados diversos cenários agrícolas), etc.

Nesse sentido, a Embrapa Agropecuária Oeste, desenvolveu um programa de computador, denominado ACHA (Avaliação da Contaminação Hídrica por Agrotóxico) capaz de simular o comportamento de agrotóxicos em solos brasileiros. Por exemplo, o programa ACHA avalia a profundidade que um agrotóxico, após ser aplicado em determinada cultura e condições edafoclimáticas, poderá chegar informando o potencial de contaminação da água subterrânea. 

Além disso, o programa fornece informações sobre a persistência do agrotóxico no solo em que foi aplicado, levando-se em consideração a influência da umidade e temperatura do solo, além da atividade microbiana. O projeto de pesquisa, que teve como produto final o programa ACHA, foi financiado pela Embrapa (Programa Agrofuturo/BID) e CNPq (CT-HIDRO), em parceria com o curso de Ciência da Computação da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). Num primeiro momento, o programa ACHA será disponibilizado para órgãos governamentais que lidam com a avaliação da periculosidade ambiental de agrotóxicos.                   

Rômulo Penna Scorza Júnior - Ph.D. em Ciências Ambientais, Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS. (romulo@cpao.embrapa.br)

Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste

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