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Brasil terá monitor mensal do impacto da pecuária no aquecimento global

quinta-feira, outubro 27, 2016

O Monitor Agro, previsto para entrar no ar no dia 27 de outubro, divulgará mensalmente as emissões de gases de efeito estufa da criação de gado
bovinoA partir de agora, será possível acompanhar o impacto dos bois brasileiros no clima a cada mês. Esse dado estará disponível para o público pela internet no Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg). O Seeg é uma plataforma on-line com as emissões detalhadas no país. No dia 26 de outubro, ele ganhará uma nova ferramenta: o Monitor Agro. Ele divulgará mensalmente as emissões de gases de efeito estufa da criação de gado bovino. O sistema já entra no ar com as estimativas desde 1997 até agosto de 2016.

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O Monitor Agro será abastecido pelos dados fornecidos mensalmente pelos frigoríficos em todo o Brasil.O Monitor Agro é importante porque a pecuária é a atividade econômica responsável pela maior parte das emissões do Brasil. E é também nossa maior oportunidade para reduzir nosso impacto no aquecimento global. A pecuária contribuiu para as emissões de duas formas. A maior delas é pelo desmatamento. Cerca de 60% das áreas desmatadas na Amazônia viraram pastagens, segundo a Embrapa. A segunda contribuição da pecuária é na própria criação de gado, depois que a terra foi aberta. Esta será acompanhada pelo Monitor Agro. Ele vai contar o que o gado emite de duas formas: pelo pum dos bois (resultado da fermentação da ruminação) e pela decomposição do estrume. O pum dos bois é gás metano. E a decomposição do estrume é um mix de metano e óxido nitroso. Ambos fazem parte do conjunto de gases responsáveis por prender o calor do sol na atmosfera da Terra e aquecer o planeta.

“Para ter uma ideia do impacto da criação de gado no clima, cerca de 65% das emissões de todo o setor agropecuário do Brasil vêm só dos bois”, diz Marina Piatto, coordenadora de clima e cadeia da pecuária do Imaflora e responsável pelo Monitor Agro. “Nossa intenção é aumentar a consciência das pessoas para o impacto do gado e do consumo de carne. Os brasileiros não fizeram ainda a relação entre a carne que compram no supermercado e os efeitos ambientais da produção”, afirma. Segundo Marina, o objetivo não é fazer uma campanha contra o consumo de carne, mas também levantar discussões sobre como a pecuária pode reduzir suas emissões.

No caso das emissões provenientes do desmatamento, a solução é mais clara. Basta parar de abrir novas áreas de pastagens à custa da floresta. Isso é possível quando se considera que já existe na Amazônia o equivalente aos três estados do Sul do Brasil em áreas já desmatadas e abandonadas. Segundo um levantamento recente de Paulo Barreto, do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, cerca de 1 bilhão de árvores foram derrubadas na região para abrir pastos hoje abandonados. Para interromper os novos desmatamentos, será preciso aumentar a concentração de cabeças de gado nos hectares de pasto já existentes. Isso envolve investimento em técnicas de produção. E essas técnicas também reduzem as emissões da própria criação: do pum e das fezes dos bois.

É o que explica Marina Piatto. Segundo ela, uma das opções é fazer a rotação de cultivos para melhorar as pastagens. “O fazendeiro pode alternar o cultivo da pastagem com plantação de milho ou de eucalipto. Essas plantas tiram carbono da atmosfera quando crescem. Esse carbono retirado da atmosfera pode compensar totalmente o que foi emitido pelos bois, segundo estimativas da Embrapa”, diz Marina. Mesmo que o milho seja colhido e o eucalipto cortado, o carbono estocado nas raízes das plantas fica imobilizado sob o solo. “Ele fica lá para sempre. Vai acumulando sob o solo”, explica ela.

Também é possível reduzir a emissão de gases do pum e das fezes do gado mudando sua alimentação. “Se o capim é de melhor qualidade, com folhas mais novas, e se o gado recebe suplementação alimentar adequada, ele consegue converter melhor o que come em carne e emite menos gases”, diz Marina. “Isso também aumenta a produtividade. É bom para o pecuarista.”

Hoje, um pecuarista típico na Amazônia derruba a floresta, queima o que restou da mata, planta capim e deixa o gado solto por alguns anos até esgotar o solo. Depois abandona aquela terra e parte para um novo desmatamento. Isso muitas vezes ocorre em terras públicas invadidas. Com melhores técnicas de manejo, segundo Marina, é possível aumentar a concentração de bois por hectare. “A maior parte das fazendas na Amazônia tem 1 ou 1,5 cabeça de gado por hectare. Com essas técnicas, dá para aumentar para duas a três cabeças de gado”, diz Marina. Isso também reduz a necessidade de abrir novas áreas.

O Seeg divulgará as novas estimativas de emissões do Brasil nos dias 25 e 26 de outubro, na Fundação Getulio Vargas (em São Paulo) e no Museu do Amanhã (no Rio de Janeiro).

Fonte: Blog do Planeta - Alexandre Mansur

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