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Biometria e processamento dos frutos da Macaúba para a produção de óleos

terça-feira, novembro 08, 2016

Figura 1.1: Macaubal (esquerda), frutificação e inflorescência da macaúba (direita)
Autor: Teddy Marques Farias

Resumo

O mundo passa por grandes transformações nas suas estruturas econômicas, sociais, científicas e tecnológicas. Essas mudanças têm levado a uma reflexão sobre o comportamento humano em relação ao planeta terra e em relação a si próprio. O sistema de produção e consumo, imperativo durante todo o século XX, produziram diversas mazelas que afetaram profundamente a relação entre os povos e o meio ambiente, chegando a um ponto próximo do insustentável, colocando em risco as estruturas político- sociais e a própria vida no planeta. O Brasil, detentor da maior biodiversidade do mundo, tem sido pressionado a apresentar soluções para a preservação dos seus recursos naturais. Porém, a solução para os problemas aqui existentes não são simples. As equações necessárias para resolver tais questões são complexas e possuem “n” variáveis, dadas as dimensões do país e a heterogeneidade dos problemas a serem resolvidos. Além disso, os sistemas preservacionistas aqui implantados, até então, estão baseados naqueles utilizados nos países do hemisfério norte, na maioria das vezes, não adequados às condições brasileiras. Assim, existe a necessidade da formulação de um método próprio e específico para solucionar as questões ambientais brasileiras. Este trabalho teve como objetivo principal avaliar o potencial elaiotécnico da macaúba, uma palmeira nativa do gênero Acrocomia, de vasta distribuição nas diversas regiões do país e da América Latina, com um potencial de produção que pode chegar a 6000 kg de óleo/ ha. A macaúba é utilizada pelas populações tradicionais locais de forma artesanal ou semi-industrial para diversos fins, a quantidade e a qualidade dos óleos extraídos dos frutos dessa palmeira tem despertado o interesse de vários segmentos da indústria, como a alimentícia, cosméticas, de biocombustíveis e outros. Porém a obtenção dos óleos dos frutos dessa planta com boa qualidade ainda esbarra em alguns gargalos inerentes a natureza da matéria-prima. O principal problema apresentado é o rápido desenvolvimento da acidez livre no óleo da polpa dos frutos, causado pela infestação de microorganismos oriundos do ambiente dos macaubais, que elevam rapidamente o nível de acidez do óleo para fora dos padrões exigidos por diversos ramos da indústria. Os experimentos realizados neste trabalho tiveram um caráter exploratório englobando os seguintes aspectos: (i) a caracterização dos frutos coletados de macaubais de três regiões distintas, avaliando-se principalmente, as variáveis de qualidade dos frutos e a representatividade dessas em relação ao teor de óleo dos frutos; (ii) avaliação da armazenabilidade dos frutos, observando-se a dinâmica do desenvolvimento da acidez livre nos frutos, bem como os fatores envolvidos e a proposição de métodos de sanitização; (iii) avaliação do processo de extração dos óleos da polpa e da amêndoa por prensagem mecânica, por meio da análise da qualidade dos óleos obtidos e do balanço de massa do processo; (iv) levantamento dos aspectos associados ao extrativismo da macaúba no Norte de Minas Gerais. Os resultados obtidos confirmam o elevado potencial elaiotécnico da macaúba e a possibilidade da obtenção dos óleos com uma boa qualidade utilizando-se os frutos oriundos dos macaubais nativos. 

Palavras chaves: Macaúba, Acrocomia, óleos vegetais, biometria, biodiversidade, extrativismo, APL, armazenabilidade, acidez livre, rancidez hidrolítica, extração, Cerrado.

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