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Carne produzida em laboratório vai começar a ser vendida pela primeira vez

quinta-feira, dezembro 03, 2020




“Uma nova corrida espacial pelo futuro dos alimentos está em andamento”, afirma Bruce Friedrich, do Instituto Good Food, sem fins lucrativos, nos Estados Unidos. E ele está certo: ao menos, na indústria pecuária, o mundo vive os primeiros passos de uma revolução. E nesta semana, aconteceu um novo marco nessa jornada. Pela primeira vez no mundo, foi aprovada a venda de uma carne produzida em laboratório. A responsável pelo feito é a Eat Just, uma empresa de Cingapura, que desenvolveu um processo inovador para produzir carne e obteve a aprovação para venda do órgão regulador do país.

Não é de hoje que tecnologia e o setor industrial andam juntos no estudo de processos menos agressivos ao meio ambiente e com menos uso de antibióticos. Atualmente, cerca de 130 milhões de frangos e 4 milhões de porcos são abatidos todos os dias para consumo humano.

Com o produto criado pela Eat Just, não há mais a etapa do abate. As células animais são cultivadas em um biorreator de 1.200 litros, e depois combinadas com ingredientes vegetais. As células usadas vêm de um banco de células retiradas em biópsias de animais vivos. Até mesmo os nutrientes fornecidos a essas células são todos provenientes de plantas.

“Acho que a aprovação é um dos marcos mais significativos na indústria de alimentos nas últimas décadas. É uma porta aberta e cabe a nós e a outras empresas aproveitar essa oportunidade. Minha esperança é que isso leve a um mundo em que a maioria da carne não exija a morte de um único animal ou a derrubada de uma única árvore”, afirma Josh Tetrick, do Eat Just.

As empresas que cultivam carne em laboratório acreditam que esse é o produto com maior probabilidade de afastar os consumidores de carne das fontes tradicionais. Os produtos veganos  e os substitutos de carne à base de vegetais não agradam a todos por sua textura e sabor. A carne cultivada em biorreatores também evita os problemas de contaminação bacteriana de dejetos animais e o uso excessivo de antibióticos e hormônios em animais.

Se você se animou, é melhor ter um pouco de calma. A venda, a princípio, foi pensada para um grupo limitado de restaurantes em Cingapura, com um valor significativamente mais alto do que os frangos convencionais. À medida que o produto for produzido em escala, o fabricante espera uma queda no preço final. Um dos motivos para isso é que a pequena escala de produção exige um uso relativamente alto de energia. Mas, uma vez ampliada a produção, a Eat Just diz que sua pegada de carbono será muito mais baixa, e que a empresa usará muito menos água e terra do que a carne convencional.

Fonte: Revista Época Negócios

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