Buscar

Sustentabilidade como fator de competitividade para o setor brasileiro de celulose e papel

terça-feira, novembro 10, 2020




O setor brasileiro de produção e comercialização de celulose e papel tem se constituído em um dos principais e bem-sucedidos segmentos do agronegócio nacional. Trata-se de um setor com ampla gama de atividades, que se inicia na produção de florestas plantadas de Eucalyptus e/ou Pinus para obtenção da principal de suas matérias-primas, as árvores, continuando pelas suas modernas fábricas de celulose de mercado e de papéis, culminando com a comercialização de seus produtos no Brasil e em grande parte do planeta, graças ao seu foco exportador.

Em termos históricos, pode-se dizer que grande parte de suas conquistas são recentes, pois a fabricação comercial de celulose e papel no Brasil passou a ocorrer há pouco mais de um século. Já o modelo exportador tem pouco mais de 40 anos, tendo iniciado em meados dos anos 1970. Em 2019, o setor produziu cerca de 20 milhões de toneladas de celulose e 10,5 milhões de toneladas de papel. Desses totais, foram exportadas quase 15 milhões de toneladas de celulose de mercado e 2,2 milhões de toneladas de papel.

Alguns fatores foram determinantes para esse crescimento: em 1966, foi criado pelo Governo Federal o Programa de Incentivos Fiscais ao Florestamento e Reflorestamento (PIFFR), que perdurou por 20 anos; em 1974, foi lançado o 1.º Programa Nacional de Papel e Celulose (PNPC), que tinha como metas estimular a produção de celulose e papel com foco na exportação. Em 1974, ano de lançamento do 1.º PNPC, o Brasil produzia cerca de 1,29 milhão de toneladas de celulose e 1,85 milhão de toneladas de papéis. Em 2019, 45 anos depois, a produção de celulose corresponde a 15,5 vezes mais (6,3% ao ano no período) e a de papel 5,7 vezes (3,95% ao ano no período). Ambos os produtos abastecem os mercados nacionais e se exportam excedentes.

As florestas plantadas passaram a se constituir nos alicerces desses processos de industrialização e comercialização de produtos florestais para o Brasil e para o mundo. Principalmente porque a silvicultura brasileira conseguiria tornar essas florestas plantadas em líderes mundiais em produtividade florestal. Paralelamente ao crescimento do setor, também se desenvolveram as pesquisas científicas e tecnológicas nas florestas e nas tecnologias industriais, o que tem ocorrido com a instalação ou modernização de centros de pesquisas públicos e privados para atendimento às necessidades do setor.

Talvez o mais eficiente dos fatores para rupturas na forma de gestão do setor brasileiro de base florestal plantada tenham sido os resultados da Earth Summit de 1992 – Conferência Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, aqui no Brasil conhecida como Rio-92 ou Eco-92. Dessa conferência resultaram dois importantes aceleradores: o fortalecimento do conceito de Desenvolvimento Sustentável e a importante “Declaração das Florestas”. Como consequências dessas propostas surgiram e se estabeleceram rápida e globalmente os sistemas de certificação florestal de bom manejo e logo depois de cadeia de custódia e as normas de qualidade e socioambientais da ISO – International Organization for Standardization, séries ISO 9.000 e 14.000 e da OHSAS – Occupational Health & Safety Assessment Series 18.000. O setor brasileiro de celulose e papel abraçou rapidamente esses sistemas como forma de conquistar credibilidade e visibilidade de suas ações positivas em temas socioambientais. A “vantagem escondida” desses sistemas, só descoberta ao serem utilizados, é de que a gestão empresarial fica muito mais comprometida e participativa, graças aos desafios que esses sistemas incutem e motivam nas pessoas. Também as auditorias de terceira parte agregam mais visibilidade, confiabilidade e credibilidade aos desempenhos empresariais. Ao final do milênio passado, praticamente todas as empresas do setor de celulose e papel que exportam produtos já tinham obtido ou estavam trabalhando para obter esses certificados ou selos ambientais.

Ao início dos anos 2000, o setor brasileiro de celulose e papel teve uma nova época de expansão, mas já dispondo de engenharia e de equipamentos com desempenhos muito mais ecoeficientes, com menores impactos ambientais, principalmente pela redução substancial de geração de poluentes, de reciclagem dos mesmos e de reduções de consumos específicos de insumos (água, energia, madeira) e aumento de rendimentos.

O conceito de sustentabilidade se tornou global, sendo que se passou a acreditar que a sustentabilidade é uma rota de busca sem fim, pois ela sempre precisa estar sendo aperfeiçoada conforme a ciência for evoluindo e mostrando outras realidades comprovadas sobre a natureza e sobre o ser humano no planeta.

Fonte: SEGS

Veja também:

0 comentários

Agradecemos seu comentário! Volte sempre :)

Categorias

Abastecimento (26) Abiove (8) Acordo Internacional (29) Acrocomia aculeata (54) Agricultura (139) Agroenergia (121) Agroindústria (23) Agronegócio (138) Agropecuária (41) Água (8) Àgua (1) Alimentos (317) Amazônia (31) animal nutition (1) ANP (67) Arte (1) Artigo (32) Aspectos Gerais (177) Aviação (31) Aviation market (18) B12 (3) B13 (2) Bebidas (1) Bioativo (1) Biochemistry (5) Biocombustíveis (386) Biodiesel (277) Biodiversidade (4) Bioeconomia (69) Bioeletricidade (25) Bioenergia (176) Biofertilizantes (7) Biofuels (102) Bioinsumos (5) Biomass (7) Biomassa (86) Biomateriais (6) Biopolímeros (9) Bioproducts (2) Bioprodutos (19) Bioquerosene (39) Biorrefinaria (1) Biotechnology (35) Biotecnologia (74) Bolsa de Valores (22) Brasil (14) Brazil (28) Cadeia Produtiva (14) Capacitação (12) Carbonatação (1) Carbono Zero (13) Carvão Ativado (7) CBios (50) CCEE (1) cellulose (1) Celulose (9) Cerrado (13) Cidades (1) Ciência e Tecnologia (311) Clima e ambiente (245) climate changed (47) CNA (1) Cogeração de energia (29) Combustíveis (84) Combustíveis Fósseis (28) Comércio (22) Consciência Ecológica (23) COP24 (76) COP25 (20) COP26 (4) Copolímeros (2) Cosméticos (33) Crédito de Carbono (39) Crédito Rural (4) Créditos de Descarbonização (23) Culinária (1) Cultivo (120) Curso (4) Dados (1) Davos (3) Dendê (3) Desafios (1) Desenvolvimento Sustentável (140) Desmatamento (1) Diesel (13) Diesel Verde (14) eco-friendly (4) Economia (68) Economia Circular (7) Economia Internacional (109) Economia Sustentável (1) Economia Verde (170) Economy (30) Ecosystem (6) Efeito estufa (16) Eficiência energética (44) Emissões de Carbono (13) Empreendedorismo (5) Empresas (48) Energia (83) Energia Renovável (239) Energia Solar Fotovoltaica (19) Etanol (70) Europa (1) event (11) Eventos (129) Exportações (75) Extrativismo (52) FAO (2) Farelos (45) farm (1) Fertilidade (2) Fibras (9) Finanças (4) Floresta (12) Floresta plantada (103) Fomento (15) Food (42) food security (7) forest (1) Fuels (27) Gás (3) Gasolina (1) Gastronomia (1) GEE (2) Glicerina (2) Global warming (105) Green Economy (126) health (22) IBP (1) Incentivos (4) Industry 4.0 (1) Ìnovaç (1) Inovação (97) Instituição (1) Investimento (3) IPCC (14) L72 (4) L73 (7) Legislação (6) Lignina (7) livestock (4) Low-Carbon (45) Lubrificantes e Óleos (20) Macaúba (564) Madeira (14) Mamona (1) Manejo e Conservação (97) MAPA (16) Matéria Prima (1) Matéria-Prima (1) matérias-primas (2) Meio Ambiente (205) Melhoramento e Diversidade Genética (69) Mercado (4031) Mercado de Combustíveis (58) Mercado Financeiro (9) Mercado florestal (67) Mercado Internacional (38) Metas (2) Milho (13) MME (28) Mudanças Climáticas (26) Mundo (52) Nações Unidas (1) net-zero (12) Nutrição animal (18) nutrition (9) Oil (50) Oleaginosas (82) Oleochemicals (8) Óleos (246) Óleos Essenciais (4) Óleos Vegetais (2) ONGs (1) ONU (10) Oportunidade (2) Oportunidades (2) other (1) Palma (20) Paris Agreement (89) Pecuária (79) Pegada de Carbono (83) Personal Care (3) Pesquisa (49) Petrobras (9) Petróleo (25) PIB (3) pirólise (3) Plant Based (21) Política (77) Preços (31) Preservação Ambiental (28) Produção Animal (7) Produção Sustentável (40) Produção vegetal (3) Produtividade (37) Produtos (150) Proteção Ambiental (10) proteína vegetal (28) Qualidade do Ar (2) Recuperação de área Degradada (43) Recuperação Econômica (3) Reflorestamento (3) Relatório (11) renewable energy (19) RenovaBio (54) Report (1) Research and Development (10) Resíduos (6) SAF (3) Safra (2) Saúde e Bem-Estar (98) science and technology (46) Sebo (5) Segurança Alimentar (102) Segurança Energética (12) Selo Social (5) silvicultura (2) Sistema Agroflorestal (24) Sistemas Integrados (13) Sociobiodiersidade (1) Soil (9) Soja (61) Solos (36) Sustainability (54) Sustainable Energy (67) Sustentabilidade (539) Tecnologia (35) Transportes (5) Turismo Sustentável (5) Unica (1) Vídeo (235) World (1) World Economy (78) Zero-Carbon (1)

Total de visualizações de página