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Pesquisa avalia produtividade em lavouras de grãos com ILPF

terça-feira, novembro 17, 2020



Estudo da Embrapa mostra diferentes reações das plantações de soja e milho ao sombreamento projetado pelas florestas plantadas.

O manejo correto pode manter a produtividade da agricultura mesmo em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) já consolidados, com árvores crescidas. É o que diz uma pesquisa realizada pela Embrapa Agrossilvipastoril, cujos resultados abrem novas possibilidades para produtores que fazem ILPF e que queiram rotacionar a pastagem com lavoura após as árvores já estarem com porte maior.

Avaliações do centro de pesquisas da unidade mostraram que a soja recuperou a produtividade mesmo com redução da sombra sobre a cultura. Essa sombra menor é causada pelo desbaste e desrama. São processos necessários para favorecer o crescimento dos plantios florestais, elevando, assim, a copa dos eucaliptos. Assim, pôde-se produzir igualmente a uma lavoura sem sombreamento por até dois anos.

No caso do milho, o resultado também foi de recuperação da produtividade, mas o efeito só é sentido em uma safra. “Isso não é problema, pois o produtor que quiser rotacionar o pasto pode fazer uma safra de soja seguida de milho e, no ano seguinte, outra de soja seguida da semeadura da forrageira, retornando à pecuária no sistema silvipastoril, com um pasto recuperado”, aponta Ciro Magalhães, pesquisador da Embrapa.

O resultado é importante, de acordo com o cientista, para contestar um entendimento comum: o de que só é viável manter as lavouras nos anos iniciais do crescimento das árvores. “Esses resultados possibilitam mudanças na gestão da propriedade. Se o produtor está querendo desacelerar a pecuária, por exemplo, ele pode fazer o desbaste e modificar um pouco as proporções das atividades. Ele pode ajustar o planejamento e aumentar a área de lavoura em determinado ano”, exemplifica o pesquisador.

Além disso, de acordo com a pesquisa, a possibilidade de reduzir o ciclo da pecuária traz os benefícios da rotação das culturas, como a quebra do ciclo de pragas e doenças e melhoria da fertilidade do solo. (veja resultados nos quadros abaixo)

Gráfico com os resultados obtidos ao longo dos anos pela Embrapa  (Foto: Divulgação/Embrapa)

Gráfico com os resultados obtidos ao longo dos anos pela Embrapa (Foto: Divulgação/Embrapa)

Incidência solar

Em todas as avaliações, a cultura do milho se mostrou mais sensível aos efeitos do sombreamento do que da soja. Segundo os pesquisadores, a principal explicação está na menor incidência solar sobre a cultura.

Nos meses em que a soja está no campo, entre outubro e fevereiro, os dias são mais longos e o ângulo de incidência solar permite maior entrada de luz entre os renques. Já no período em que o milho está no campo, entre fevereiro e junho, além dos dias serem mais curtos, o ângulo de incidência solar aumenta a projeção de sombra sobre a lavoura, reduzindo a taxa fotossintética das plantas.

“Temos uma correlação muito forte da produtividade com a taxa fotossintética. Quanto mais próximo das árvores, menor a taxa fotossintética. Mas, não é só isso que reduz a produtividade nas linhas mais próximas às árvores. Há também a competição por água e nutrientes”, pondera o pesquisador da Embrapa.

Em um sistema como o da Embrapa Agrossilvipastoril, disposto em sentido leste-oeste, a mudança no ângulo dos raios solares, em função da estação do ano, influencia também na produtividade de cada face do sistema. No caso da soja, a maior produtividade ocorre na face sul dos renques. Já no milho, a maior produtividade ocorre na face norte.

Pisoteio em área de ILP

Além de uma área de lavoura exclusiva, usada como referência, a pesquisa também avaliou áreas de integração lavoura-pecuária, nas quais a atividade era alternada a cada dois anos, sendo a agricultura feita com soja e milho e a fase da pecuária com pastagem de braquiária Marandu, com pastejo de gado nelore. Em ambos os tratamentos a produtividade observada na soja e no milho foi estatisticamente igual em todos os anos analisados.

O pesquisador Ciro Magalhães afirma que o pastejo intensivo por dois anos não prejudicou a produtividade da lavoura nos anos posteriores. “O pisoteio dos animais não provoca a compactação do solo, desde que feito seguindo critérios de manejo de pasto que permita a recuperação do capim, como por exemplo, ter uma altura de pastejo como meta,” diz.

Fonte: Revista Globo Rural

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