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FAO -14% dos alimentos no mundo são perdidos entre o pós-colheita e o deslocamento até o varejo.

quinta-feira, outubro 17, 2019

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Cerca de 14% dos alimentos do mundo são perdidos após a colheita e antes de chegar ao varejo. A situação ocorre, principalmente durante atividades nas fazendas, armazenamento e transporte. Estas e outras informações fazem parte de um novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançado nesta última segunda-feira (14) em Roma (Itália), período que marca a Semana Mundial da Alimentação, cujo o dia é celebrado nesta quarta-feira (16).

O estudo também aborda o “onde e o por quê” destes desperdícios, e exige decisões informadas para uma redução efetiva das perdas, oferecendo novas maneiras de medir o progresso obtido na área. De acordo com o relatório Situação da Alimentação e da Agricultura 2019, as perdas de alimentos variam consideravelmente de uma região para outra dentro dos mesmos grupos de mercadorias e estágios da cadeia de suprimentos.

Segundo a economista da FAO, Sara Vaz, o relatório oferece uma nova metodologia para medir cuidadosamente as perdas de alimentos. Ela acredita que todos, desde os governos, setores privados e consumidores precisam se unir para lidar com a questão do desperdício e que os dados apresentados podem ajudar a “ultrapassar a barreira da informação”.

“As fases da cadeia de suprimentos onde existe uma perda crítica, ocorre muito nas fases iniciais, portanto, na fase agrícola, na fase do armazenamento e do transporte, principalmente para produtos mais perecíveis, como por exemplo, frutas e vegetais. E isso são fases em que os tomadores de decisões têm que prestar atenção redobrada para poder evitar que os produtos sejam perdidos. Isso pode ser através da utilização de infraestruturas de armazenamento mais modernas, como sacos herméticos ou silos de metal. Pode ser através do uso de caixas empilhadoras como as de plástico, que ao substituírem sacos de uso único de plástico conseguem preservar os produtos, fazendo com que durem toda a viagem de transporte, já que muitas vezes os produtos são armazenados de uma forma inadequada.”

ODSs

A economista destaca que existem inúmeras razões para se trabalhar na redução da perda e desperdício dos alimentos, principalmente, em relação ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODSs. “O primeiro é que esta redução pode potencialmente aumentar a produtividade e o crescimento econômico, através por exemplo da criação de empregos. E isso vai ser crucial para atingir o objetivo número oito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Segundo, pode contribuir para uma melhor segurança alimentar e a nutrição, que neste caso, é o objetivo número dois, que é Fome Zero, e finalmente, pode ajudar a mitigar os impactos ambientais da produção de alimentos, em particular, em termos de emissões de gases de efeito estufa, e também, diminuir a pressão que essa produção de alimentos tem nos recursos terrestres e hídricos. Neste caso, também vai ser importante em termos do objetivo 13, que está ligado com as alterações climáticas, o 14 que é a vida aquática e o 15, que é vida terrestre.”

Recomendações

O relatório faz um apelo para que os países intensifiquem os esforços para combater as causas profundas da perda e desperdício de alimentos em todas as etapas e fornece orientação sobre políticas e intervenções para reduzir as perdas. De acordo com o estudo, a América Latina e Caribe respondem por 20% da quantidade global de alimentos perdidos e desperdiçados na pós-colheita até a fase de varejo. Ao mesmo tempo, Vaz aponta que a região tem exemplos de políticas que estão ajudando de forma efetiva no problema.

“A América Latina já está fazendo progressos nesta área. Por exemplo, no Brasil há uma rede nacional de bancos alimentares, que é a Mesa Brasil, que serviu em 2017 mais de 1,4 milhão de brasileiros através de parcerias público ou privadas, em mais de 500 municípios. Por tanto, é uma rede nacional de banco alimentar que consegue evitar o desperdício alimentar ao distribuir refeições nutritivas e consegue evitar que muita gente passe fome. Também há estratégias nacionais no Chile e na Argentina, que já adotaram políticas para tentar reduzir os seus desperdícios. Por isso, mesmo que a América Latina e o Caribe apresentem de fato uma quantidade significativa em termos globais da perda e desperdício alimentar, já estão dando passos muito importantes, e por isso é que nós referimos aqui no nosso relatório porque são iniciativas que outras regiões e outros países deveriam começar também a adotar.”

Fonte: Folha MT

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