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Biocombustíveis agregam valor à produção

terça-feira, outubro 22, 2019

Donizete Tokarski e Donato Aranda, da Ubrabio, falam sobre as oportunidades econômicas com biocombustíveis
“Além de ser um produto que promove a segurança energética e alimentar, os biocombustíveis também asseguram um processo de economia mais sustentável”. A frase é do diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, que esteve em Rio Preto nesta sexta-feira, durante o Seminário “Biocombustíveis: a nova realidade do Brasil”, realizado na Câmara.

Isso porque, segundo ele, ao utilizar os biocombustíveis no processo de industrialização, isso gera um valor agregado ao produto, podendo verticalizar a produção regional. Algo que é diferente do que ocorre hoje no País, quando, no caso da soja, por exemplo, é produzida e cerca de 80% dela são exportados. “A consequência disso é a falta de oportunidade de trabalho e estabilização dos preços desses produtos. Ao verticalizar, agrega valor aos produtos”, disse.

Ao final do evento, os participantes divulgaram carta em que recomendam que o Estado de São Paulo mobilize esforços para se tornar protagonista na produção do biocombustível, já que a produção atual é inexpressiva.

Dados da Ubrabio mostram que em 2018, o Brasil produziu o recorde de 5,3 bilhões de litros de biodiesel para abastecer o mercado interno. Com isso, não só os consumidores puderam utilizar um combustível mais limpo como também a indústria pôde retomar sua produção e consolidar a posição do país como segundo produtor global deste biocombustível (atrás apenas dos EUA). Já em 2019, a produção e o consumo no Brasil devem marcar novo recorde: 6 bilhões de litros/ano.

Segundo José Anthero Pelloso, da indústria de biocombustíveis Granol, que tem três plantas no País, a execução do programa de biodiesel no Brasil movimentou o setor, já que muitas indústrias de óleo, por exemplo, que estavam inativas, voltaram à funcionar. “Plantações de soja que também estavam em terras mal aproveitavas, hoje não estão mais. Ou seja, a agricultura está sendo mais movimentada”, afirmou.

Atualmente, o diesel fóssil vendido no Brasil conta com 11% de biodiesel. O cronograma estabelece o aumento de 1% ao ano no teor de biodiesel adicionado ao diesel fóssil até 2023. Com isso, a previsão é alcançar o B15 (15% de biodiesel) até março de 2023. Segundo a Ubrabio, a política de biocombustíveis foi construída para valorização dos produtos nacionais, diminuição do desemprego, fortalecimento da indústria, segurança energética e cuidado com o meio ambiente e com a saúde da população.

“O biodiesel é de interesse da sociedade porque gera emprego, participa da economia regional, reduz os subprodutos que são lançados no meio ambiente e ao mesmo tempo melhora a qualidade do ar, que é o que precismos, gerando mais saúde, menos internações e o custo que isso acarreta”, acrescentou Tokarski.

Renovabio

O programa Renovabio também foi uma das pautas do Seminário de Biocombustíveis. Segundo Paulo Roffé, da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o programa teve seu embrião gerado em 2016, no Acordo de Paris. “O objetivo é uma diminuição da quantidade de carbono na matriz energética brasileira, a partir de incentivo a combustíveis menos poluentes”, disse.

Segundo o governo, a meta com o programa é expandir a produção de biocombustíveis no Brasil. A partir desta expansão, reduzir a emissão dos gases de efeito estufa no País.

O funcionamento será de duas formas. A primeira estabelecendo metas nacionais de redução de emissões para a matriz de combustíveis, definidas para um período de dez anos. A outra será com a certificação da produção de biocombustíveis por empresas inspetoras. “Haverá inspeção na planta e um parecer para dizer se o produtor está apto. Se não estiver, [dirá] o que é necessário fazer para produzir conforme o programa”, explicou.

Quanto menor for a emissão de gases, maior a nota que o produtor vai receber. Será criado um ativo, o Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis (CBIO). “A ideia é que haja a
comercialização do CBio na Bolsa de Valores, onde podem ser amplamente negociados, com os preços sofrendo intervenção direta de oferta e demanda do mercado”, disse. O programa entra em vigor em janeiro do ano que vem.

Fonte: Ubrabio

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