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OMS recomenda óleos no lugar de manteiga

terça-feira, setembro 03, 2019

Troca, no entanto, ainda é controversa para os médicos


Em um texto publicado em seu site no último dia 20 de dezembro, intitulado “Cinco dicas para uma dieta saudável no ano novo”, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha que óleos de soja, canola, milho e girassol sejam usados no preparo das refeições a partir de 2019, descartando a manteiga e a banha de porco.

A recomendação provocou protestos de médicos, que defendem que o consumo de derivados de animais são mais saudáveis.

“Esses óleos possuem alto teor de ômega 6 e, quando esquentados para frituras, podem causar inflamações. Pedir para as pessoas substituírem manteiga ou banha por óleos industriais vai continuar a provocar danos à saúde pública”, afirmou o cardiologista Aseem Malhotra, do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido.

“ERRO”

Malhotra acusou a OMS de ter cometido “um grande erro”, uma vez que estudos de 2015 comprovaram que óleos vegetais têm químicos cancerígenos, além de aumentarem as chances de desenvolvimento de doenças do coração e demência.

“A OMS precisa rever a evidência e atualizar o relatório urgentemente”, insistiu ele.

Apesar de não ver novidade nessa recomendação, o médico e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), José Geraldo Mill concorda, em certo ponto, com a entidade: “Quando a OMS faz uma recomendação dessa, se baseou em estudos bastantes robustos. Além disso, são orientações simples que precisam ser válidas e que possam ser seguidas pelo grande conjunto da população”.

A gordura animal, de acordo com Mill, é mais aterogênica, ou seja, que produz aterosclerose, que é o entupimento das artérias, levando ao derrame e ao infarto do miocárdio.

Mas o médico admite que a questão é complexa. “É muito difícil falar qual gordura é melhor do que a outra. É uma questão que não é simples de resolver, porque a alimentação não depende somente do que você come, mas de quanto você come de um determinado alimento e ainda do conjunto de alimentos que você ingere”, observa.

“Os óleos vegetais são menos aterogênicos, mas se você se entope deles vai ter prejuízos à saúde também”, diz Mill.

O cardiologista e cirurgião vascular Fábio Reis, que atua em Vitória, também pensa de forma mais alinhada com a OMS. Para ele, o problema da manteiga e da banha de porco é que o consumidor não tem garantia da qualidade desses produtos.

BANHA DE PORCO

“A banha de porco produzida na roça, a partir de um porco caipira, é muito saudável. O problema é que não é essa que encontramos nos supermercados, mas outras que provavelmente foram feitas de animais criados com ração cheia de hormônios e outros aditivos”, analisa o médico.

O mesmo raciocínio, diz ele, serve para a manteiga. Já os óleos vegetais, apesar de passarem por um processo industrializado para o refino, acabam sendo menos maléficos. “Na comparação, os óleos são menos prejudiciais. Prefiro seguir essa recomendação”, afirma Reis.

O consumo exagerado de gordura, principalmente a de origem animal, está associado, segundo o cardiologista, a uma incidência de doenças do coração, além de tumores, AVCs e problemas renais.

O artigo divulgado pela organização também aconselha limitar o consumo diário de sal e açúcar, comer uma variedade de alimentos e evitar bebidas alcoólicas para levar uma vida mais saudável em 2019.

Quanto aos tipos de gorduras que devem ser ingeridas, a OMS defende que “todos precisamos de um pouco de gordura em nossa dieta, mas comer muito delas, especialmente os tipos ruins, aumentam os riscos de obesidade, doenças do coração e infarto”.

É o que argumenta Geraldo Mill: “O que se sabe com segurança é que a alimentação saudável precisa ter fontes diversificadas de alimentos. É o lance do prato colorido, que deve ter uma porção de carboidrato, uma carne pouco gordurosa e legumes e verduras”.

Fonte: Portal Guandu

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