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Rustificação hídrica, nutricional e de radiação em mudas de macaúba

quarta-feira, agosto 21, 2019



Autora: Cindy Patricia Hernández Guzmán

Resumo: A rustificação é um processo fundamental para melhoria das características físicas e fisiológicas das mudas produzidas em viveiro. Este processo quando realizado da maneira correta pode contribuir com a precocidade das mudas no viveiro e a sobrevivência no campo. Para o sistema de produção de mudas de Macaúba, o processo de rustificação vem sendo praticado de forma empírica em cada transição de fase produtiva: de pré-viveiro a viveiro e de viveiro a campo. Durante estas transições, são observados o amarelecimento e mortalidade das mudas, colocando em dúvida a efetividade desse processo. Nesse sentido, objetiva-se com este trabalho desenvolver um protocolo para a rustificação hídrica, nutricional e de radiação de mudas de macaúba. 

Para isso, foram conduzidos três experimentos em ambientes com características micrometeorologicas distintas: Ambiente controlado e a pleno sol (Pré-viveiro e viveiro, respectivamente): Experimento I – Avaliação do efeito morfológico, fisiológico e nutricional da alteração da frequência de irrigação em mudas de macaúba em pré-viveiro. Experimento II – Avaliação das características físicas e fisiológicas dos efeitos da variação de radiação em fase de produção pré-viveiro. Experimento III – Avaliação do efeito morfológico, fisiológico e nutricional da alteração da aplicação de potássio em mudas de macaúba em pré- viveiro. Os três experimentos foram conduzidos em viveiro comercial da empresa Acrotech Viveiros utilizando ambiente controlado (irrigação, radiação e temperatura), localizada no município de João Pinheiro, no estado de Minas Gerais, Brasil. 

Para avaliar o efeito isolado da radiação, água e nutrientes, os experimentos foram conduzidos utilizando diferente conjunto de mudas de macaúba para cada experimento. Foram realizadas análise destrutivas para avaliar características físicas (número de folhas, diâmetro do estipe, comprimento da parte aérea e raízes e massa da matéria fresca e seca de folhas, estipe, bulbo e raízes) e químicas, determinando o teor de nutrientes minerais presentes nas folhas e estipe (N, P, K, Ca, Mg, S, Cl, Fe, B, Cu e Zn). Durante todo o processo foram coletados dados meteorológicos (temperatura máxima, mínima e instantâneas do ar). Os resultados indicaram – Experimento I: a altura da parte aérea e o diâmetro do estipe diminuíram à medida que a irrigação foi reduzida. O acúmulo de biomassa fresca em folhas e estipes, e a biomassa seca de folhas e raízes aumentaram nas mesmas condições. Quando o estresse hídrico foi induzido em mudas mais jovens, ou seja, quando a alteração da irrigação iniciou-se primeiro, a alocação de fotoassimilados ocorreu proporcionalmente em todos os órgãos das plantas. O maior acúmulo de K, S e Fe na parte aérea foi observado em plantas que foram expostas ao estresse hídrico. O acúmulo de N foi maior na parte aérea das plântulas à medida que a frequência de irrigação aumentou. 

Entretanto, o comportamento oposto foi observado para P, cujo acúmulo foi menor no tratamento testemunha. – Experimento II: As plântulas expostas a 25 % de sombra após 40 dias da semeadura apresentaram melhor características até os 90 dias de idade, mas não apresentaram boas características após 8 meses sob condições de luz solar. O melhor processo de rustificação para obtenção de plantas de alta qualidade, adequado para adaptação em campo foi o tratamento com 50 % de sombra nos primeiros 30 dias no interior da estufa, seguido de 25 % de sombra nos 30 dias seguintes e após transplantado para o viveiro e exposto a pleno sol, o qual expôs as mudas à luz solar direta na idade precoce. – Experimento III: as variáveis altura da parte aérea, comprimento do estipe, diâmetro do estipe, comprimento da folha mais velha, número de folhas definitivas e número de folíolos na folha mais velha não tiveram nenhuma relação com a adubação de K aos 15 dias antes do transplantio do ambiente controlado para o viveiro a pleno sol. 

Foi observada elevada resposta a aplicações de K com concentração de 3500 mg L-¹no acúmulo de biomassa em folhas, estipe e raízes frescas aos 15 depois de realizadas as aplicações. Adubações com concentração de K de 2250 mg L-¹ aos 15 dias que antecedem o transplantio para o viveiro a pleno sol, apresentou maior acúmulo de biomassa secas em raízes. Índice de Qualidade Dickson (IQD), não mostraram diferença estatística significativa entre os tratamentos. Em concordância com os resultados obtidos a partir dos diferentes experimentos e entendendo que estes resultados estão provavelmente correlacionados com as condições microclimáticas em ambiente controlado abordados nesse estudo e as condições climáticas da região brasileira onde foram realizados os experimentos, concluiu-se que as mudas de macaúba apresentam resposta positiva à diminuição da frequência de irrigação de duas vezes por dia para uma vez por dia a partir dos 30 dias após a semeadura. 

Na aplicação de um processo de rustificação por radiação, as mudas de macaúba apresentaram melhor desenvolvimento e adaptação a condições de pleno sol quando estas são colocadas sob sombrite de até 25 % quando a partir dos 30 dias após semeadura e posteriormente sendo transplantadas e alocadas em viveiro a pleno sol aos 60 dias após semeadura. A adubação potássica apresentou resposta positiva em mudas de macaúba em estádio de pré-viveiro quando aplicada aos 15 dias antes do transplantio para o viveiro, assim conclui-se que a adubação recomendada é: 1.5 mg L-¹ de Uréia, 2.5 g/L de KCl, 0.9 g/L de MgSO4, 0.9 g/L de H3BO3, 1.5 g/L de ZnSO4 e 2,1 g/L de CuSO 4 .

Para ter acesso ao artigo completo, clique aqui.

Fonte: Locus UFV

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