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Behind the Foods: O ambicioso plano de criar um mercado 'frigorífico' sem sofrimento animal

segunda-feira, agosto 05, 2019

Behind the Foods: O ambicioso plano de criar um mercado 'frigorífico' sem sofrimento

Startup é a primeira brasileira a oferecer em supermercados carne "plant-based" que imita sabor, aroma e textura de carne animal.


Imagine fazer espaguete à bolonhesa, polpetone recheado e até filé à parmegiana sem utilizar carne animal. O que parece algo de um futuro distante será possível no Brasil em poucos meses. A Behind the Foods será a primeira startup brasileira a trazer ao País a carne à base de planta de modelar, que tem um sabor e textura idêntico ao de carne. A empresa tem um plano bem audacioso: “ressignificar para sempre o jeito de se alimentar”. 

A Behind the Foods é uma das pioneiras na criação de carnes à base de plantas no Brasil. A tecnologia ganhou mercado nos Estados Unidos com as gigantes Beyond Meat e Impossible Foods. Elas criaram hambúrgueres, frangos e carne moída e de modelar a partir do laboratório, através de tecnologias próprias que tornam plantas muito parecidas com carnes animais.

Por aqui, a Behind segue os mesmos passos. Com sua “matriz tridimensional de textura PT3”, desenvolvida pelos criados da marca e primos Leandro e Malu Mendes nos Estados Unidos, a carne à base de plantas começou a ser comercializada em algumas hamburguerias e chegará nos próximos meses aos supermercados como carne moída e de modelar, em bandeja.

Com aspecto fresco e cor avermelhada ― bem similar ao da carne de verdade ―, ela pode ser manuseada, temperada e modelada ao gosto do freguês, seja para compor um macarronada à bolonhesa ou para fazer tacos, um filé a parmegiana, almôndegas ou croquete de de carne (de planta). 

A Behind é a primeira startup do País a vender carne plant-based para modelar. Um mês antes, a Fazenda Futuro “furou” a concorrente e lançou primeiro o Futuro Burger, também feito à base de plantas e condimentos naturais. A Seara e a Superbom também lançaram suas próprias carnes vegetais. 

A carne plant-based

Diferentemente das rivais, a Behind não é voltada para o hambúrguer. “A gente faz réplica de carne vegetal. A gente não vende o hambúrguer, a gente vende a carne e, então, o consumidor modela e tempera como ele quiser”, resumiu Leandro Mendes ao HuffPost Brasil. “Somos uma espécie de JBS, que vende a carne.”

A Behind comercializará três produtos: o hambúrguer (apenas para restaurantes), a carne de modelar e a carne moída.

O diferencial da Behind, segundo Mendes, é a textura, que é uma “réplica” do corte animal, tecnologia chamada de PT3. “A carne animal tem tecido fibroso, tecido adiposo e conjuntivo, cada tecido tem uma textura individual, e recriamos esses três tecidos”, explica. “Conseguimos replicar e criar uma carne parecida com os cortes que você encontra no mercado”. 

Para chegar à tecnologia, Leandro e sua prima Malu passaram três anos estudando diversas fórmulas nos Estados Unidos. Com imersão total no Vale do Silício, onde as principais empresas do setor se instalaram, os empreendedores entenderam que a fórmula estava na composição da carne, e não sua origem. “Se você só estuda a composição da carne, na visão bio-físico-química, fica claro quais ingredientes buscar. Você testa plantas que podem ser replicáveis naquele quesito que você quer.”

“A carne vegetal é resultado de diversos processos da engenharia alimentar”, explicou. “Usamos a batata. Mas não é qualquer batata; ela passa por processos até chegar ao ingrediente necessário. Foram muitos erros e acertos, chegamos a quase desistir diversas vezes.”

O mercado atrativo

A carne vegetal chega ao Brasil em meio a um mercado promissor. Uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência em 2018 mostrou que 14% dos brasileiros com mais de 16 anos (cerca de 22 milhões de pessoas) concordam parcial (6%) ou totalmente (8%) com a afirmação “sou vegetariano”.

Não só deixar de comer carne, mas há um movimento grande no sentido de reduzir seu consumo e consumir alimentos mais saudáveis. O Brasil é o quinto maior mercado de alimentos e bebidas saudáveis do mundo, de acordo com o levantamento do Euromonitor. Em 2015, o volume de vendas passou dos US$ 27,5 bilhões. 

O objetivo de marcas como a Behind the Foods é, ao menos, arrematar 1% das vendas dos maiores produtores de hambúrgueres do Brasil.


Carne vegetal X carne animal

Além da pegada ambiental (sem maltrato animal), a carne vegetal é vendida como uma alternativa mais saudável que a de animais. 

“Se for pensar que a carne vermelha tem associação direta com o câncer, com certeza a nossa opção é mais saudável”, disse Leandro.

O grande “gap” das empresas de carnes vegetais, no entanto, é garantir a segurança do alimento e ser 100% transparente com seu público. Afinal, como garantir que a carne vegetal é mesmo mais saudável do que uma animal se não se sabe a procedência dos ingredientes, ou uso de produtos artificiais. E mais: como ter a certeza de que um destes não é um ingrediente de origem animal? 

No início, a Behind se deparou com estes desafios. A marca, que ainda hoje só tem a conta do Instagram e um e-mail para se comunicar com seus consumidores, recebeu críticas por não exporem a tabela nutricional e a lista de ingredientes da Behind.

“Do que o hambúrguer é feito? Tem algum produto transgênico? São informações importantes”, protestou um usuário em uma publicação da marca no Instagram. 

Com um pouco de insistência do HuffPost, a Behind abriu a tabela nutricional e a lista de ingredientes. 

Behind the Foods: O ambicioso plano de criar um mercado 'frigorífico' sem sofrimento
Behind the Foods: O ambicioso plano de criar um mercado 'frigorífico' sem sofrimento
Divulgação

Eis a lista de ingredientes:

Cerca de 98% da composição de água, batata, fibra vegetal, proteína de soja isolada, gordura vegetal (sem gordura trans). Já os outros 2% da fórmula, o “mix com função de dar ‘liga’ e sabor”: amido de milho, maltodextrina, sal, beterraba, proteína vegetal hidrolisada, extrato vegetal cítrico (conservante natural), extrato de levedura, especiarias naturais (alho e cebola), aroma natural de fumaça de “churrasco”, aroma natural de cebola, antioxidante ácido isoascórbico (antioxidante originados de plantas).  

“Já publiquei no Instagram para todos verem”, reclamou Leandro sobre a polêmica. “A gente sempre informa que 98% do blend é de batata, proteína de sola isolada, beterraba, etc. Só os outros 2% são de elementos estruturais”, assegurou. Ele acrescenta que estes ingredientes são usados apenas para dar estrutura e aumentar a validade do produto. “Se só juntar todos os ingredientes [vegetais], vai virar uma salada.”

Para aproximar o público da novidade e sanar suas dúvidas, o empresário pretende fazer um projeto de transparência com a intenção de apresentar os processos e como a carne é feita. “Queremos mostrar como tudo é feito”, explica. 

Onde encontrar?

A carne vegetal deve chegar às gôndolas dos supermercados entre setembro e outro. O preço, no entanto, ainda não foi divulgado. Segundo Mendes, tudo vai depender da produção, mas assegurou que será competitiva com cortes de carne de preço mediano. 

“Se comparar com uma super carne, um corte premiado ou bicho de raça, vai ser mais barato. Se aproxima mais do preço de uma fraldinha. Se for considerar cortes populares, somos mais caros”, tentou explicar.

Por enquanto, você pode experimentar a iguaria em hamburguerias entre São Paulo (Prime Dog, Muda, LCB), Belo Horizonte (Las Chicas Veganas), Rio de Janeiro (SpotLab) e São José dos Campos (Hopfields e St. Joe). 

Fonte: Huff Post Brasil

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