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Ser sustentável hoje atrai mais clientes

quarta-feira, julho 03, 2019

Guilherme Santos, proprietário da Salve Terra, diz que marcas que não se atentarem para a questão correm risco de perder mercado - Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE
Guilherme Santos, proprietário da Salve Terra, diz que arcas que não se atentarem para a questão correm o risco de perder mercado

Sustentabilidade é uma tendência que vem crescendo por todo o País, com cada vez mais negócios escolhendo adotar práticas sustentáveis ao repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar. A intenção é comunicar ao consumidor – que está ficando mais consciente e cobrando que as empresas tenham mais posicionamento neste sentido – a preocupação com as presentes e futuras gerações, tomando rumos diferentes da concorrência tradicional. Indo além de gerar uma melhor gestão ambiental, investir em sustentabilidade também gera mudanças positivas no meio social e econômico.

Em pesquisa realizada no ano passado pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) com mais de 1,8 mil empresários, mais de 87% dos empreendimentos declararam separar resíduos não recicláveis (úmidos) dos recicláveis (secos) para encaminhar à reciclagem e 71% separam resíduos perigosos (lâmpadas, óleo, pilhas e baterias e eletrônicos) para coleta por empresas especializadas, além de se comprometerem com eficiência energética e controle do uso da água.

Guilherme Santos é proprietário da loja Salve Terra e ressalta que ter políticas sustentáveis não é apenas importante, é necessário. "As marcas que não se atentarem a essa constante crescente de conscientização para a redução de consumo vão acabar ficando fora dessa fatia", reflete. Seu principal produto é a embalagem de presente feita de garrafa pet, que eles compram na mão de catadores, e, mais recentemente, começaram a vender também canudos inox, um produto que está se tornando cada vez mais popular, visando à redução da veiculação de plástico.

87% dos empreendimentos pesquisados pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) revelaram que separam resíduos não recicláveis (úmidos) dos recicláveis (secos)

Exigentes e seletivos

"Já tivemos casos de clientes que deixaram de comprar porque estávamos sem as embalagens", lembra Guilherme. "Além de ter uma grande durabilidade e imprimir um conceito ao produto, as pessoas também estão mudando a forma de comprar, estão mais voltadas para questões ambientais, procurando lojas mais humanizadas e que se importem com o meio ambiente e os animais".

A marca de roupas Alend nasceu no ano passado e é voltada não apenas para redução de impactos ambientais como também para a melhoria de aspectos sociais e econômicos. Em suas roupas, utilizam fibras naturais como matéria-prima, como linho, fibras botânicas e celulose da madeira, desenvolvendo um fio sustentável, que gasta menos energia e menos água em sua confecção. "Na criação do produto, procuramos sempre usar 100% da matéria-prima, para que as peças possam ser recicladas depois, já que para as peças misturadas não existe essa possibilidade", explica Vanessa Kiki, dona da marca.

71% dos 1,8 mil empresários pesquisados  demonstraram preocupação  em separar  resíduos perigosos (lâmpadas, pilhas, baterias e eletrônicos) para coleta por empresas especializadas

Quanto aos valores, Vanessa cita que, considerando a qualidade do tecido e a sua durabilidade, seus preços são mais acessíveis em comparação ao mercado, chegando a ser 50% mais baixos em alguns casos. "Nós procuramos também pagar valores honestos para nossos funcionários, muitas vezes acima do mercado. Desta forma, todos saem ganhando: nós, quem trabalha e o consumidor", reflete.

No Rio Vermelho, as sócias da loja colaborativa Amor em Dobro escolheram apostar numa produção local e artesanal, com uma linha zero waste, que, com produtos feitos à mão, tem o objetivo de substituir o uso de descartáveis, diminuindo o impacto do plástico no meio ambiente. Já a linha Eco utiliza madeira de reúso na produção de móveis e objetos de decoração.

"A sustentabilidade hoje não é apenas um assunto que está na moda, o mundo precisa da ajuda de todos para que se torne um lugar melhor para se viver", aponta Mila Cordeiro, uma das sócias. "Mudar nossos hábitos de consumo é a saída".

Sebrae-BA orienta sobre projetos na área

“A sustentabilidade é um diferencial competitivo de grande visibilidade para setores que buscam evitar desperdícios e que desejam melhorar sua imagem perante a sociedade”, avalia Eduardo Garrido, analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas na Bahia (Sebrae-BA). “Os resultados desse tipo de gestão transmitem maior confiança, um adequado posicionamento da empresa frente aos consumidores e a ampliação da visibilidade da marca”, reforça.

O analista também aponta que investir  em sustentabilidade proporciona um melhor atendimento aos requisitos legais, bem como promove a redução de custos, seja por evitar penalidades e multas, por minimizar o consumo de energia, de matérias-primas e de logística ou atenuar a geração de resíduos, de emissões e de impactos ambientais.

“A presença desses negócios em grandes espaços comerciais, como shoppings, serve como uma vitrine, um exemplo para que a comunidade adote, naturalmente, práticas sustentáveis no seu dia a dia”, avalia. “Ao se sensibilizar com as situações que se apresentam e ao se repensar hábitos, tem-se aí o cenário propício para a inovação, a qual gera frutos para todos os envolvidos”.

Para finalizar, Eduardo Garrido dá a dica de pesquisar e se informar acerca dos concorrentes e sobre as boas práticas adotadas pelo mercado e, além disso, buscar parceiros. “No site do Centro Sebrae de Sustentabilidade existe uma série de cartilhas, infográficos e casos de sucesso disponíveis ao público no âmbito da sustentabilidade para diversos segmentos. Além disso, o Sebrae dispõe de soluções voltadas para temáticas como a gestão de resíduos sólidos, a eficiência energética e a promoção da redução de desperdícios”, lembra.

Em Salvador, a sede do Sebrae funciona na rua Horácio Cezar, no centro da cidade, além do atendimento online.

Fonte: A Tarde (UOL)

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