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Se é "bio" é bom?, questiona presidente do Instituto Brasileiro de Bioeconomia

terça-feira, julho 09, 2019

Anselmo Cunha / Agência RBS
Energia oriunda dos dejetos de animais e dos resíduos de agroindústrias é transformada em biogás. Anselmo Cunha / Agência RBS

Omar Benedetti faz uma reflexão sobre possíveis soluções a problemas sociais e ambientais do modelo de sociedade e do crescimento populacional


A simples presença de um termo relacionado com renovável, biológico, ou qualquer outra palavra é insuficiente para garantir que tenhamos realmente uma forma inovadora de produzir os bens necessários.


Consideramos três grandes linhas de propostas dentro da bioeconomia. Existe a abordagem que considera os limites da terra em relação ao consumo dos recursos naturais, sendo essa visão considerada “radical”, pois é preciso pensar uma “velocidade” menor para o crescimento econômico e, portanto, menos atraente para empresas e governos. Tem a pesquisa baseada na busca por soluções tecnológicas, e contempla a biotecnologia como centro de estratégia considerada uma nova revolução industrial baseada no conhecimento (tecnologias). 

E a terceira, é considerar as fontes biológicas de recursos, isto é, a substituição de fontes fósseis por biomassa, seja para produtos finais (biocombustíveis) como para insumos para as indústrias. Aqui têm-se as biorrefinarias como representação da proposta de ação, obtendo produtos a partir de diferentes tipos de biomassa e de tecnologias. Seja qual for a visão relacionada com a bioeconomia, é preciso avaliar as escolhas feitas. 

A simples presença de um termo relacionado com renovável, biológico, ou qualquer outra palavra é insuficiente para garantir que tenhamos realmente uma forma inovadora de produzir os bens necessários. Assumir que “bio é bom” nos parece incompleto. É preciso considerar que as soluções com reais contribuições para uma economia mais sustentável precisam ser pensadas, desenvolvidas, avaliadas, com base em critérios consistentes e que esse processo envolve diferentes atores: empresas, poder público, pesquisa e a população. 

Nós, do Instituto Brasileiro de Bioeconomia, buscamos ampliar o debate sobre as diversas possibilidades tecnológicas, além de temas como uso adequado da biodiversidade brasileira e tantos outros temas. Nos propomos a ser o elo entre os atores (sociedade, empresas e governos), desenvolvendo projetos que levam em conta as múltiplas possibilidades de soluções para os problemas atuais e futuros. Se é “bio é bom?” A resposta é: depende

Fonte: Gauchazh

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