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Estamos fazendo as melhores escolhas para uma produção sustentável de alimentos?, por Agroanalysis/FGV

terça-feira, julho 02, 2019


É muito comum ouvirmos falar que a atividade agrícola de alta produtividade é mais nociva para o meio ambiente do que as práticas tradicionais, reconhecidas como “naturais”. Contudo, uma publicação da revista Nature Sustainability sinaliza o contrário. Cientistas da Universidade de Cambridge conduziram um estudo integrando dezessete organizações de pes- quisa do Reino Unido e de diversos outros países, incluindo Brasil, Polônia, Austrália, México e Colômbia, com a ideia de avaliar os impactos ambientais de quatro sistemas agrícolas: arroz (Ásia), trigo (Europa), carne bovina (América Latina) e leite (Europa). Foram analisadas as perdas de solo, as emissões de CO 2 e o consumo de nitrogênio, fósforo e água em sistemas de alta e baixa produtividades.

Considerando que cada ponto das figuras a seguir corresponde a diferentes tecnologias empregadas nas lavouras de arroz e trigo, além da correlação entre o uso da terra e a emissão de CO 2, verificamos o quanto os impactos ambientais podem ser variados nos diversos modos produtivos.

O trabalho revelou que a agricultura de baixo rendimento necessita de mais terra e libera mais gases do efeito estufa do que a de alta performance, cuja produção é maior na mesma área. No setor lácteo, para a mesma quantidade de leite, os sistemas intensivos tiveram impactos sobre o solo e a emissão de CO 2 substancialmente menores quando comparados aos dos que empregaram apenas pastagens. Isso significa que, em todos os casos, os sistemas de melhor rendimento contribuem para a preservação da biodiversidade ao permitirem mais colheitas e produção mais farta de carne ou de leite em um espaço de terra menor. Uma das consequências desse aumento de eficiência no uso dos recursos naturais é a elevação da capacidade global de poupar florestas e outros hábitats.

Assim, o estudo reforça a importância da agricultura moderna como a melhor forma de atender a crescente demanda por alimentos. A produção sustentável implica a obtenção de máxima produtividade nas regiões agriculturáveis. Para ajudar a superar esse desafio, diversas tecnologias oriundas dos investimentos em ciências da vida têm chegado ao campo. A agricultura alicerçada nessas inovações possibilita aos produtores colheitas abundantes, preservação de solo, economia de água e muitos outros benefícios que vão além da porteira.

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Desta maneira, no contexto de produção sustentável de alimentos, as práticas tradicionais não fazem mais sentido. A cada dia, é mais evidente que não é possível dissociar o rendimento produtivo agrícola do seu desempenho ambiental. E precisamos estar preparados para esses desafios.

Fonte: Agroanalysis/FGV

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