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Conservação pós-colheita e potencial bioenergético de frutos de macaúba (Acrocomia aculeata)

segunda-feira, julho 15, 2019



Autor: Anderson Barbosa Evaristo

Resumo: Desde o início do século XXI, o interesse pelos biocombustíveis vem crescendo em todo o mundo. O Brasil segue com essa mesma tendência, principalmente para o biodiesel, que apresentou aumentos expressivos em sua produção nos últimos anos. Esse crescimento tem promovido a busca por novas oleaginosas como a macaúba (Acrocomia aculeata). A macaúba é uma palmeira nativa do Brasil com elevado potencial de produção de óleo e coprodutos de alto valor energético. Essa palmeira produz cachos volumosos, cujos frutos apresentam elevado teor de óleo. O processamento dos frutos da macaúba para extração do óleo vegetal produz grande quantidade de coprodutos: casca (epicarpo), torta da polpa (mesocarpo), endocarpo e torta da amêndoa. Os conhecimentos das características físico-químicas e do volume produzido destes coprodutos ainda são incipientes. Em relação à colheita e conservação pós-colheita, há poucos trabalhos. Além disto, normalmente, os frutos são armazenados em lugares inadequados e sem controle fitossanitário, o que resulta em sua má conservação e, por consequência, em baixa qualidade do óleo do mesocarpo. 

O objetivo deste trabalho foi estudar técnicas de conservação pós-colheita dos frutos da macaúba e avaliar seu potencial bioenergético. Para isso, foram conduzidos cinco experimentos inéditos, sendo três na área de conservação pós-colheita e dois avaliando o potencial bioenergético dos coprodutos e a produção de biocombustíveis a partir desses coprodutos. Em relação aos experimentos sobre conservação pós-colheita, o primeiro experimento avaliou: forma de colheita dos frutos (colhidos diretamente da planta, e após 7, 14 e 21 dias de exposição dos frutos ao solo), uso de fungicida (nas doses 0, 0,2 e 0,4% v/v) em pós-colheita e o armazenamento dos frutos em galpão até 40 dias. Os resultados mostraram que há um acúmulo natural no teor de óleo do mesocarpo da macaúba após a colheita dos frutos e que o uso de tratamento químico (fungicida) é eficaz na manutenção da qualidade do óleo do mesocarpo por até 20 dias de armazenamento, quando os frutos foram colhidos na planta. Quando os frutos são coletados aos 7 dias de exposição ao solo, deve-se processar imediatamente os frutos para obter uma qualidade do óleo do mesocarpo. No segundo experimento, foram avaliados o processo de maturação natural dos frutos e a qualidade do óleo do mesocarpo dos frutos de macaúba armazenados em silos do tipo secador-armazenador. O óleo do mesocarpo manteve qualidade satisfatória por aproximadamente 20 dias de armazenamento, independentemente do sistema de secagem-armazenagem (silos). No terceiro experimento, avaliou-se a associação de métodos químicos (fungicidas) e físicos (secagem) no tratamento de frutos de macaúba, visando à manutenção da qualidade do óleo do mesocarpo e o seu acúmulo natural após armazenamento à temperatura ambiente. Frutos secos em estufa a 60°C mantiveram baixa acidez do óleo do mesocarpo durante todo o tempo do seu armazenamento, 90 dias, tendo ocorrido perda significativa da estabilidade à oxidação do óleo. 

No estudo para investigar o potencial bioenergético dos coprodutos produzidos no processamento do fruto, estimou- se a produtividade de frutos em dois cenários: cenário 1, produtividade média de uma população nativa; e cenário 2, 10% das plantas nativas que obtiveram os maiores números de cacho por planta, simulando um cultivo comercial. Quantificou-se a produtividade de óleos e dos resíduos e foi feita uma caracterização físico-química dos resíduos com foco na produção de bioenergia. Os resultados desse experimento mostraram que algumas características físicas e químicas dos coprodutos são iguais e/ou superiores, havendo alguns resíduos agrícolas e florestais comumente utilizados como matéria-prima para a produção de biocombustíveis. Coprodutos como endocarpo apresentam alta densidade energética, elevados teores de lignina e alto carbono fixo e baixo teor de cinzas, que conferem vantagens adicionais em sua utilização para a produção de biocombustíveis sólidos. No segundo experimento, foi feita a carbonização da casca e do endocarpo do fruto da macaúba. O carvão de ambos os coprodutos apresentou alta densidade aparente e carbono fixo. O rendimento gravimétrico é semelhante a outros produtos utilizados para a produção de carvão vegetal, o que mostra seu potencial. 

Conclui-se que, para a manutenção do óleo do mesocarpo do fruto da macaúba para utilização como fonte de matéria-prima para a produção de biodiesel, é aconselhável que a colheita dos frutos seja na planta. Para promover acúmulo de óleo no mesocarpo e boa conservação dos frutos em pós-colheita, sugere-se aplicação de fungicida logo após a colheita e que o armazenamento seja feito por até 20 dias, em galpão ou em silos do tipo secador-armazenador. Além disto, os coprodutos dos frutos da macaúba apresentaram boas características para a produção de biocombustíveis sólidos.

Para ter acesso ao artigo completo, clique aqui.

Fonte: Locus UFV

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