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Agronegócio brasileiro vai concorrer com um setor superprotegido e subsidiado na Europa, diz analista

terça-feira, julho 16, 2019

Diretor da Brasoja analisa o impacto do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.


O setor agrícola, de maneira geral, celebrou o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, anunciado em 28 de junho, uma vez que há potencial de o Brasil expandir suas exportações de produtos. Segundo o governo federal, com o início do tratado com a UE, produtos agrícolas “de grande interesse do Brasil” terão suas tarifas “eliminadas”. É o caso de suco de laranja, frutas, café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais.

“A notícia do acordo é muito boa”, comenta o diretor da Brasoja, Antônio Sartori, ao lembrar que o mercado consumidor do bloco europeu tem 493 milhões de pessoas com alto poder aquisitivo, em 27 países. “É mercado com demanda importante”, afirma.

Para ele, a grande questão é que o agronegócio brasileiro terá que passar por um processo de adaptação às rígidas regras do mercado europeu. “Vai haver muita restrição. Vamos ter que nos adaptar às regras da União Europeia, que é muito diferente das nossas.” Para Sartori, alegando questões de sanidade animal “ou outras desculpas”, os europeus “vão tentar dificultar as exportações” do Mercosul.

Conforme ele, o protecionismo europeu decorre da experiência histórica de o continente já ter passado por fome, miséria e guerras em seu território. “Esses países subsidiam, protegem a agricultura. Nós não. É ridículo. A diferença é muito grande. O bloco subsidia a agricultura e sabe que a agricultura é estratégica”, ressalta o diretor da Brasoja.

Conforme Sartori, dentro da porteira, os produtores brasileiros são melhores. Os europeus superam no lobby e no marketing. “No mano a mano, nós somos mais competentes.”

Implementação demorada

O analista lembra que, para o acordo entrar totalmente em vigor, “demora de 10, 15, em alguns produtos, 20 anos”. “Não vai ser de hoje para amanhã”, pondera. “É um processo muito demorado. São mudanças muito importantes de comportamento, de tecnologia. E nós vamos concorrer com quem subsidia. Isso é o que mais preocupa”, sublinha.

“Resumo da opera: quem dançar a nova musica, se adaptar e for profissional, vai sobreviver e ganhar bem. Quem não se adaptar às novas regras da União Europeia para produtos do agro, vai ter muita dificuldade.” TS

Fonte: Independente

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