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FAO pede que produtores de alimentos ofereçam comida mais nutritiva para consumidores

quarta-feira, junho 05, 2019

Graziano da Silva, chefe da FAO, no púlpito da Assembleia Geral da Caritas Internationalis. Foto: FAO/Alessia Pierdomenico
O chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, alertou em maio para o avanço do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio — mas pobres em outros nutrientes.

O chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, pediu em maio (24) que a produção de alimentos garanta não só mais quantidade de comida para alimentar todas as pessoas, como também mais qualidade no que chega à mesa dos consumidores. O dirigente da agência da ONU alertou para o avanço do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio — mas pobres em outros nutrientes.

“Concentrar-se apenas no crescimento da produção de alimentos não é suficiente. É igualmente importante produzir alimentos saudáveis ​​e nutritivos visando à preservação do meio ambiente”, defendeu Graziano durante a Assembléia Geral da Caritas Internationalis, realizada em Roma, na Itália.

“Mais de 2 bilhões de pessoas (no mundo) estão acima do peso, das quais 670 milhões de pessoas são obesas”, lembrou o chefe da FAO.

O especialista alertou ainda que o número de pessoas obesas ultrapassaria em breve os 821 milhões de indivíduos que passam fome. Essa virada já foi registrada na América Latina e no Caribe, desde 2015.

Graziano apontou que, embora a fome esteja restrita a áreas específicas, especialmente zonas de conflito e regiões afetadas pelas mudanças climáticas, a obesidade está por toda parte. “Estamos testemunhando a globalização da obesidade: oito dos 20 países do mundo com as maiores taxas de aumento da obesidade adulta estão na África, por exemplo.”

O dirigente da agência da ONU ressaltou que a obesidade está associada a muitos problemas crônicos de saúde, como diabetes, doenças cardíacas, hipertensão e algumas formas de câncer. O fenômeno gera um gasto de cerca de 2 trilhões de dólares por ano em assistência médica direta e também em perdas de produtividade.

Entre os principais impulsionadores da obesidade, Graziano citou o alto consumo de alimentos ultraprocessados. “Os alimentos ultraprocessados ​​contêm pouco ou nenhum valor nutricional, com alto teor de gorduras saturadas, açúcar refinado, sal e aditivos químicos”, explicou o chefe da FAO.

O dirigente acrescentou que esses produtos são geralmente mais baratos e de fácil acesso do que alimentos frescos, especialmente para pessoas pobres em áreas urbanas. “Precisamos não apenas produzir alimentos, mas produzir alimentos saudáveis ​​e nutritivos que preservem o meio ambiente. Alimentos saudáveis ​​para todos, com base no desenvolvimento agrícola sustentável: esse é o objetivo da FAO”, enfatizou o brasileiro.

De acordo com a agência da ONU, para melhorar as dietas das pessoas, os agricultores locais precisam ser encorajados a usar suas terras para plantar uma variedade de culturas ricas em nutrientes, incluindo frutas e verduras. Isso pode ser feito por meio de políticas e legislações sobre compras institucionais. Com o uso de estruturas governamentais para a aquisição de alimentos da agricultura familiar, é possível alavancar a produção de comida mais saudável.

Aumento da fome

Graziano também alertou que, desde a adoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), em 2015, a fome global só aumentou. Entre os principais motivos, estão os confrontos armados, guerras e os impactos da mudança climática. “Se não conseguirmos a erradicação da pobreza (o ODS 1) e a fome zero (o ODS 2), será impossível cumprir os outros 15 objetivos”, enfatizou o dirigente.

Para reverter essa tendência de crescimento da fome, o chefe da FAO pediu esforços em três frentes: construir a resiliência das comunidades rurais em áreas de conflito; promover a adaptação da agricultura familiar aos impactos das mudanças climáticas; e responder à desaceleração econômica por meio de redes de segurança social e políticas públicas, como programas de refeições escolares, que são baseados em compras locais de alimentos da agricultura familiar.

Atuação da Igreja Católica

Em seu discurso na Assembleia Geral, o chefe da FAO elogiou o papel fundamental da Santa Sé na promoção da inclusão e do desenvolvimento sustentável. “O papa Francisco é a maior referência de valores de solidariedade e de justiça social. Sua encíclica Laudato Si’ nos ensina sobre a importância de ter um maior equilíbrio entre os seres humanos e a Mãe Natureza, a fim de garantir um futuro sustentável para o nosso planeta”, disse o dirigente.

A FAO e a Caritas Internationalis — a Confederação de Organizações Católicas de Assistência, Desenvolvimento e Serviço Social — têm uma longa história de colaboração em temas de interesse mútuo, como a luta contra a fome e a pobreza em todo o planeta.

Fonte: Nações Unidas

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