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Uma catástrofe que pode render negócios

quarta-feira, maio 29, 2019

A China, maior produtor e consumidor de carne suína do mundo, vive um processo de crescimento do país que atualmente prevê ter 40% da sua população na classe média até 2020. Isso representará um elevado poder de consumo e oportunidade aos países que desejam exportar para este mercado tão relevante que, diga-se de passagem, escolhe de que pais deseja compra, o que comprar e como pagar!

A peste suína africana (PSA) é uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus e não acomete o homem, sendo exclusiva de suínos domésticos e asselvajados (javalis e outros cruzamentos). Com a crise na produção chinesa, as exportações brasileiras de soja em grãos são diretamente impactas, pois o alimento é usado na elaboração da ração dos animais. A ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) estima uma queda de US$ 2,1 bilhões na receita de exportação do grão em 2019.

Outro impacto importante é o reflexo na inflação, onde a carne suína no atacado teve o preço 17,1% mais caro, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Os bancos Safra e o Santander subiram suas estimativas de inflação (IPCA), com base nos desdobramentos negativos da peste para 4%.

Em recente comunicado do Rabobank as exportações brasileiras de carne suína para a China irão aumentar 65% neste ano, atingindo 260 mil toneladas, comparadas às 156,2 mil toneladas enviadas em 2018. Volume que apenas considera os frigoríficos habilitados para exportar. A China deve importar 5 milhões de toneladas neste ano, mais que o dobro das 2 milhões de toneladas trazidas do exterior no ano passado.

A economia brasileira já sente os primeiros impactos da Peste que desde setembro de 2018 obrigou a China a sacrificar aproximadamente 200 milhões de suínos, reduzindo em 35% sua produção local de carne deste animal. Este ano, em abril, as exportações brasileiras de suínos atingiram US$ 35,8 milhões só para a China, que de acordo com o CEPEA/ESALQ foi o maior valor mensal vendido para o desde 1997, um resultado 42% acima do obtido com exportações em abril de 2018. Sempre é possível encontrar novas oportunidades em momentos ruins.

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria e investidor em empresas.

O Agro não para!

Fonte: RV TV

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