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Europeus se agradam de café dos indígenas

segunda-feira, abril 08, 2019

Os índios Suruis, de Cacoal, já tem o produto na Suíça e outros países.


A produção de café em aldeias indígenas de Rondônia, com qualidade e utilização de técnicas sustentáveis, está ganhando mercado internacional. Os índios Suruis, de Cacoal, já tem o produto na Suíça e outros países. Para o cacique Almir Surui, principal líder da etnia, a agricultura não é conflitante com floresta, desde que utilizadas técnicas e critérios sustentáveis.Os suruís tem mais de 70 mil pés de café plantados em áreas antes degradadas, e a produção é de boa qualidade e quantidade.

Outras etnias também apostam no produto. Em concurso nacional, três cafeicultores indígenas foram premiados e classificados em 30 melhores do país. Luan Suruí, Valdir Aruá, e Vagner Tupari concorreram na categoria melhores amostras de café robusta (canéfora) no Coffee of the year 2018, que fez parte programação da Semana Internacional do Café, realizada em Belo Horizonte-MG.

Os indígenas Aruá, Suruí e Tupari tem apoio de seus municípios e parcerias com a Embrapa-RO que acompanha todo o processo de produção, fornecendo assistência técnica e conhecimentos tecnológicos e genéticos para melhoramento da produção cafeira.

O resultado desse apoio é visível: pela segunda vez uma comunidade indígena de Rondônia exportou um microlote de café especial para a Suíça. Para os gringos, o café cultivado com práticas sustentáveis agrega valor e qualidade. Luan Suruí disse que consegue vender o café especial que produz por até o dobro do valor da saca comercializada no mercado interno.

Outros prêmios

O ano de 2018 foi muito positivo para cafeicultores indígenas de Rondônia, com premiações importantes que estimularam ao crescimento da produção, esperando repetir o sucesso. Agricultores familiares das etnias Aruá, Suruí e Tupari ficaram entre os melhores produtores de cafés finos em Rondônia.
Valdir Ferreira Aruá e Luan Suruí conquistaram, respectivamente, o 2º e 8° lugares no Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia – Concafé. Outro destaque foi o jovem Vagner Kuwawi Tupari, de 18 anos, cuja nota de avaliação (acima de 80) o classificou entre os 20 melhores cafés especiais da competição.

O produtor de Alta Floresta D’Oeste, Valdir Aruá explica que a família planta café há seis anos, tendo incentivo de profissionais não índios e outros parceiros. Ele está satisfeito com os resultados e não abre mão do negócio.

No concurso realizado em Cacoal, os indígenas concorreram com outros produtores não índios, cerca de 132 cafeicultores de 24 municípios rondonienses. O evento foi organizado em setembro de 2018, pela Emater.

Cafeicultura indígena

Em publicação da Embrapa Rondônia, o pesquisador Enrique Alves diz que a cafeicultura familiar nas aldeias enfatiza a sustentabilidade. “A produção de cafés especiais renovou nesses indígenas a preocupação com o meio ambiente e reforçou a vontade de ser sustentável e orgânico, preservando e interagindo com a floresta. Inclusive, desistiram da praticidade dos herbicidas em prol da capina mecânica e já pensam em proteger o solo com adubação verde nas entrelinhas”, salienta.

Conforme explica Alves, a agricultura sustentável pode alcançar o equilíbrio entre geração de renda, melhoria de vida nas aldeias e preservação da floresta. Isto porque o cultivo do café “se adapta tanto a cultivos a pleno sol quanto arborizado e possui alta rentabilidade por área, resultando em menor dependência de grandes lavouras para proporcionar a viabilidade do módulo produtivo”.

Com uma abordagem contextualizada, Alves ressalta que os índios não vivem apenas da caça e coleta de alimentos. Por séculos, eles também aprenderam como conservar sementes e frutos. “Possuem, em sua tradição, o cuidado e o amor à terra e ao meio ambiente. Têm uma forma simples de agricultura e são extremamente seletivos no momento da colheita. E são essas as características principais que fazem dos indígenas potenciais produtores de cafés finos”, afirma.

Fonte: Diário da Amazônia

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