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Radiação gama e secagem na conservação da qualidade do óleo de frutos de macaúba

quarta-feira, janeiro 02, 2019

a) Despolpamento dos frutos; b) Organização das amostras para prensagem; c) Prensagem do mesocarpo e acondicionamento do óleo em frascos âmbar, envoltos por papel alumínio. Foto Autoral

Autor: Adalvan Daniel Martins

Resumo:

A macaúba [Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Martius] apresenta-se como fonte promissora de óleos vegetais, especialmente como matéria-prima para produção de biodiesel. Isso se deve ao elevado teor de óleo no mesocarpo e na amêndoa dos frutos, à possibilidade de completo aproveitamento desses frutos, além da grande adaptabilidade dessa espécie às condições climáticas brasileiras. Entretanto, faltam informações para conservação da qualidade do óleo após a colheita e armazenamento dos frutos, gerando a necessidade de desenvolver estudos que prolonguem a vida pós-colheita, mantendo a qualidade do óleo extraído. 

Os objetivos desse trabalho foram avaliar a qualidade e teor de óleo do mesocarpo e da amêndoa de frutos de macaúba submetidos a tratamentos físicos de radiação gama e secagem, ao longo do armazenamento, à temperatura ambiente. Realizou-se dois experimentos: no primeiro experimento, 120 unidades experimentais, compostas por 24 frutos de macaúba, foram tratadas com as doses de 0; 0,5; 1,0; 3,0 5,0 e 10,0 kGy de radiação gama e armazenadas por 0, 15, 30, 45 e 60 dias à temperatura ambiente. A interação entre doses e tempo de armazenamento foi significativa. Melhor qualidade visual foi observada em frutos irradiados com as doses mais elevadas, nos primeiros dias de armazenamento. O índice de acidez do óleo de frutos irradiados foram menores que o tratamento controle, sendo a dose de 10,0 kGy a que propiciou maior redução desse índice. 

A radiação gama reduziu o acúmulo de óleo e a estabilidade oxidativa no mesocarpo. O teor de água no óleo do mesocarpo aumentou com o incremento das doses e do tempo de armazenamento. O ácido oleico e o ácido láurico estão presentes em maiores quantidades nos óleos do mesocarpo e da amêndoa, respectivamente. Dentre os principais ácidos graxos presentes no óleo do mesocarpo e da amêndoa, o ácido oleico é o ácido graxo que apresenta maiores variações no decorrer do armazenamento. No segundo experimento, 100 unidades experimentais, compostas por 24 frutos de macaúba cada, foram submetidas a diferentes combinações de temperatura e tempo de secagem: 1) sem secagem dos frutos (SS); 2) secagem em estufa a 45°C por 4 dias (45°C/4d); 3) secagem em estufa a 65°C por 4 dias xvi (65°C/4d); 4) secagem em estufa a 45°C por 8 dias (45°C/8d); 5) secagem em estufa a 65°C por 8 dias (65°C/8d). 

Após esse tratamento as amostras foram conduzidas ao armazenamento, à temperatura ambiente, por 0, 15, 30, 60 e 120 dias. Houve influência do processo de secagem e do tempo de armazenamento nas características avaliadas. A secagem a 65°C por 8 dias foi eficiente para manter o índice de acidez do óleo do mesocarpo estável durante o armazenamento. A secagem restringiu o acúmulo de óleo no mesocarpo e na amêndoa dos frutos. A estabilidade oxidativa foi reduzida pelo tratamento de secagem. Maiores concentrações de ácidos graxos oleico e láurico foram encontrados nos óleos do mesocarpo e da amêndoa, respectivamente. 

As variações observadas no óleo da amêndoa foram de menor intensidade que as obtidas no óleo do mesocarpo, sendo que o ácido oleico é o ácido graxo mais susceptível à variação ao longo do armazenamento. Nos dois experimentos conduzidos, os tratamentos físicos de radiação gama e secagem ajudaram na conservação do fruto em pós-colheita. Ambos apresentaram menores progressões do índice de acidez em relação ao tratamento controle, durante o armazenamento, porém o tratamento com secagem foi mais eficiente no controle da acidez do óleo dos frutos. 

O acúmulo de óleo e a estabilidade oxidativa foram reduzidos em ambos os tratamentos. O tratamento de secagem proporciona menores variações no perfil de ácidos graxos, tanto para o óleo do mesocarpo, quanto para o óleo da amêndoa.

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