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Recuperação de florestas também pode ser um bom negócio rural

quarta-feira, outubro 31, 2018


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Novas técnicas tornam o processo mais simples e barato. Em SP, fazenda planta árvores pioneiras e um grupo de adubação verde ao mesmo tempo

Reconstruir uma floresta é um trabalho delicado, mas a pesquisa está apontando caminhos para tornar o processo mais simples e barato. A recuperação pode até se transformar num bom negócio.
Esta é a próxima etapa depois do cadastramento das propriedades rurais, que vai até o fim de dezembro, segundo as regras do Novo Código Florestal.
A nova fase é o Programa de Regularização Ambiental (PRA) e 19 estados já têm o módulo, segundo o Serviço Florestal Brasileiro.
Exemplos em São Paulo
O estado de São Paulo tem algo como 1 milhão de hectares de terras ruins para a agricultura, com morros e pedras, mas sem vegetação nativa porque foram tomados pelo fogo.
É uma área quase do tamanho do Rio de Janeiro e do Espírito Santo juntos. São terrenos pobres para a agropecuária, mas ótimos para florestas.
O laboratório de ecologia e restauração da Escola de Agricultura da Universidade de São Paulo (Esalq) testou com sucesso técnicas para reconstruir a Mata Atlântica na fazenda Capoava, em Itu, que se encaixava nessas condições.
A primeira medida foi cercar áreas de baixa produtividade. Nos morros de pedra, a vegetação voltou sozinha. Em outras áreas, foi preciso plantar.
Novas técnicas
Até então, para reflorestar uma área usava-se o conceito de espécies pioneiras - árvores que crescem mais rápido, e não pioneiras, as mais lentas, que chegam depois. Mas a Esalq ampliou esse conceito e criou mais etapas.
Além das árvores altas, as pioneiras, o solo na fazenda Capoava também está coberto por uma “adubação verde”, no caso, feijão guandu, gergelim, crotalária. São espécies que enriquecem o solo e são ainda mais rápidas que as nativas pioneiras.
As pioneiras e as de adubação verde são plantadas ao mesmo tempo, e só depois vêm as espécies mais lentas, que enriquecem a mata.
Plantio direto
A restauração florestal também se vale de técnicas consagradas na agricultura. Um exemplo é o plantio direto. Já tem plantadeira que serve para soja, milho e também para espécies nativas. Em uma linha, planta sementes arbóreas nativas e, em outra, a adubação verde.
Na fazenda Capoava, hoje, 60% da propriedade é ocupada por reflorestamento - muito além dos 20% de reserva legal exigidos pelo Código Florestal para a Mata Atlântica.
Depois de passar por ciclos da cana de açúcar, do café e da pecuária, ela agora é uma pousada rural que, pela lei, pode arrendar a mata extra para outros proprietários. É uma espécie de crédito de floresta.
“Essa região pode servir de compensação de reserva legal das propriedades que estão aqui no entorno e que são de alta produção agrícola, como por exemplo a cultura canavieira aqui do lado”, diz Ricardo Rodrigues, da Esalq.
Servidão florestal
Na chamada servidão florestal, o proprietário não perde o direito de uso da área e pode investir também no aproveitamento econômico da mata nativa, com espécies frutíferas, como a aroeira-pimenteira, que dá a pimenta rosa, ou madeira nobre. Tudo em sistema de rodízio.
É o que acontece em 300 hectares da fazenda Guariroba, em Campinas. Lá, tem plantados Araribá, que em 10 anos chega no ponto de corte, e o Jequitibá e Pau-Rosa, que demoram cerca de 20 anos.
Tem também Canafístula e Tamboril, duas espécies de madeira boa, aproveitadas para movelaria e infraestrutura da casa - e que estarão no ponto de corte em 3 anos.
A recuperação é obrigatória e, segundo os cálculos da Esalq, pode gerar um bom lucro: a cada R$ 10 mil investidos no plantio, o ganho seria de R$ 1,5 mil por ano.
Mas a exploração demora, para madeiras médias, 10 anos, e, para as madeiras finais, 18 anos. Por isso a importância de se ter uma política pública, uma linha de financiamento que permita que o agricultor faça isso.
Desmatamento
Desde 1985, o Brasil abriu 74 milhões de hectares em diferentes regiões. A maioria de forma ilegal e pelo menos 10% disso após o Novo Código Florestal, segundo o projeto de monitoramento do solo MapBiomas.
“Os números mostram que o desmatamento não caiu. Aliás, no caso da Amazônia, ele subiu. 2012 foi o ano com menor desmatamento: 4 mil quilômetros quadrados. E os últimos números falam em 8 mil quilômetros quadrados, então, dobrou”, afirma Tasso Azevedo, engenheiro florestal do MapBiomas.
Fonte: Globo Rural

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