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Com ampla utilização, química renovável é alternativa à indústria petroquímica

quinta-feira, setembro 27, 2018

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A biomassa gerada por cadeias produtivas da agropecuária pode mover uma indústria que pode substituir vários produtos da petroquímica. A química renovável, é considerada uma área muito promissora, na opinião do presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial – Embrapii, Jorge Guimarães.

Segundo ele, a empresa tem atualmente 20 empresas na área de indústria química trabalhando em projetos conjuntos com instituições de pesquisa e tecnologia públicas e privadas credenciadas. Entre elas a Oxiteno, Braskem, Brasil Kirin, Carbono Brasil Tecnologia, Rhodia, Kraton, Valorec. “São empresas que estão operando no modelo Embrapii, com química propriamente dita.”

Para Jorge Guimarães, a química verde tem um potencial muito grande, por exemplo, para contribuir com o equilíbrio na balança de pagamentos da indústria farmacêutica. “O Brasil é o maior produtor mundial de suco de laranja e importa ácido cítrico; é o maior produtor de sacarose e importa glucose, que é a matéria prima para confecção da molécula da sacarose. Nós temos uma enorme capacidade de ampliar a produção de produtos de origem renovável. Essas especialidades químicas para indústria farmacêutica são um nicho da maior importância, sejam elas originadas por síntese química, ou pela exploração da biodiversidade”, afirma.

Mas não é apenas nessa área. De acordo com o presidente da Embrapii, já estão sendo desenvolvidas tecnologias com a química verde para as indústrias de calçados, automobilística, de cosméticos e até para os setores alimentício e cervejeiro.

Porém, ainda há gargalos que precisam ser superados. Na opinião de Jorge Guimarães, apesar do potencial do setor, ainda há poucas empresas atuando nessa área. Para ele, um dos problemas são os custos elevados para manter equipamentos e equipes de pesquisa e desenvolvimento nas indústrias. Uma questão que as parcerias com as unidades da Embrapii visam resolver.

“A Unidade Embrapii funciona como um substituto do centro de P&D que a empresa não consegue manter”, explica Jorge Guimarães ao destacar a ampliação do modelo. “Quando a Embrapii começou, no final de 2014, eram 10 empresas, hoje são 250 e a maioria nunca fez pesquisa no Brasil.

Verticalização
Para o agrônomo Antônio Tafuri, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o estímulo à aproximação entre o setor produtivo e as instituições de P&D é fundamental para o avanço da química renovável e de outras áreas. “A Embrapa já tem um portfólio de tecnologias espetacular que as agroindústrias ainda não conhecem. Para dar o primeiro passo de aproximação, buscando a verticalização das agroindústrias, o portfólio de tecnologias existentes é mais do que suficiente”, afirma.

Segundo Antônio Tafuri, em várias regiões do Brasil não há muito espaço para expansão horizontal da produção, ou seja, aumento de área, e o nível de produtividade também já é elevado. “O próximo passo é verticalizar a produção, com produção de ração, de biocombustíveis, de óleos essenciais e biorrefinarias”, explica.

Para promover esse processo, a ABDI instituiu a Rede Nacional de Produtividade e Inovação – Renapi, que está estimulando o avanço de uma agenda estratégica nas áreas de biocombustíveis, química renovável, entre outras iniciativas. “O desafio é fazer o setor entender essa oportunidade de agregação de valor por meio da inovação e entender que a agenda positiva do setor não está mais na produção e sim na inteligência do negócio”, diz Antônio Tafuri.

Segundo o especialista da ABDI, trata-se de uma oportunidade de verticalizar a cadeia agroindustrial e gerar soluções regionais para o aproveitamento da biomassa, que muitas vezes é desperdiçada. Ele cita como exemplo de demanda do setor o desenvolvimento de processos enzimáticos para tratamento de tortas de algodão e de alguns grãos que apresentam algum nível de toxidade para monogástricos.

Para Antônio Tafuri, a química renovável também pode contribuir com a indústria farmacêutica e de cosméticos. “Nós temos ativos ambientais e extração de óleos essenciais da biomassa que podem e devem ser melhorados no Brasil, inclusive com o apoio da Embrapa nesse contexto. São áreas promissoras e o Brasil pode e deve alavancar esse tipo de agenda.”

De acordo com o Chefe Geral da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, a área de química de renováveis é uma das mais importantes no contexto da Bioeconomia Nacional. “Ao estabelecermos uma parceria com a Embrapii para sediar uma Unidade Embrapii no tema de Bioquímica de Renováveis na Embrapa Agroenergia, fomos capazes de dar grandes saltos científicos em apoio ao setor industrial químico e agroindustrial brasileiro”, afirma Capdeville. Este e outros mecanismos de financiamento de parcerias público privado como a que estabelecemos com empresas como a Rhodia/Solvay, o Grupo Santa Clara, Pangeia Biotech, Dimiagro Fertilizantes, entre outros, tem nos permitido trabalhar de forma efetiva na produção de ativos que de fato cheguem à sociedade. A Embrapa Agroenergia atua no desenvolvimento de pesquisas para produção de bloco-construtores químicos, enzimas e coquetéis enzimáticos, biodiesel, pigmentos, agentes de biocontrole de pragas e patógenos, dentre outros. Conheça mais sobre as pesquisas desenvolvidas no site.

No mesmo contexto da química de renováveis, informa Capdeville, estabelecemos uma parceria com a ABDI para realizar um mapeamento informatizado acerca da disponibilidade de matérias primas (biomassas, resíduos e efluentes) de diferentes origens, para que a Indústria de base biológica possa se posicionar em regiões onde as matérias-primas renováveis estejam disponíveis em abundância para sua conversão em produtos de valor agregado.

Este projeto está sendo implementado em uma fase piloto na região de Lucas do Rio Verde no Mato Grosso. A partir dos resultados e metodologias desenvolvidas nessa etapa piloto, reproduziremos o trabalho em outras regiões do país. “É com iniciativas como as mencionadas acima que iremos trazer as bases científicas para o estabelecimento de uma Bioeconomia sólida e competitiva, onde teremos independência tecnológica para desenvolvimento de processos de conversão e agregação de valor a matérias-primas nacionais” conclui Capdeville.

Fonte: Embrapa 

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