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Como a greve dos caminhoneiros afetou o agronegócio do Brasil em 2018

quarta-feira, agosto 29, 2018


Como a Greve dos Caminhoneiros Afetou o Agronegócio Brasil em 2018

A greve dos caminhoneiros que aconteceu no Brasil durante o mês de maio de 2018 durou 10 dias, mas teve efeitos suficientes para afetar o agronegócio brasileiro durante o restante do ano.
Não apenas o agronegócio, mas toda a economia brasileira foi prejudicada de alguma maneira pela paralisação do trabalho dos motoristas de caminhão.
Neste texto você terá a oportunidade de conhecer melhor como a greve dos caminhoneiros afetou especialmente o agronegócio brasileiro, tanto a nível doméstico, como internacional. Continue lendo para saber mais.

A produção agrícola não chegava a lugar algum

Uma vez produzidos a partir da terra ou de animais, nenhuma das mercadorias do nosso agronegócio conseguia chegar a lugar algum.
A paralisação dos caminhoneiros não afetou apenas os grevistas, pois os manifestantes também impediam que qualquer veículo grande passasse, obrigando trabalhadores não envolvidos com o movimento a também parar.
O principal efeito disso foi a perda de plantios inteiros de milho, soja, algodão, entre outras commodities.
Os grãos não conseguiam chegar até suas usinas de beneficiamento. Os portos também pararam de receber a produção que seria exportada. Como resultado, as exportações brasileiras para o mês de maio foram prejudicadas severamente – cerca de 2% em relação ao mês anterior.
Se o escoamento de produtos vindos da propriedade agrícola para portos ou indústrias ficou prejudicado, o caminho inverso também ficou completamente parado.
Nos portos do Rio de Janeiro, Santos e Paranaguá, os maiores do país, cargas ficavam encalhadas e pagavam aluguéis mais caros.
Como resultado do completo descontrole, empresas de logística cobravam até 100% a mais no valor para estocar cargas que deveriam ser transportadas para o produtor. Insumos e equipamentos deixaram de ser entregues ao agricultor.
Bens perecíveis começaram a estragar nas carretas, no meio da estrada, enquanto animais morriam de fome e de sede nas propriedades rurais, sem ração ou medicamentos.
Segundo a Comissão Nacional de Agricultura, ao todo, foram mais de R$ 6,6 bi em prejuízos para os agricultores.

Efeitos políticos e econômicos catastróficos

A negociação para que os caminhoneiros abandonassem a paralisação e voltassem para o trabalho também representou risco ao agronegócio nacional, e as razões são, principalmente, políticas.
Uma das demandas do movimento grevista, além da redução do valor do Diesel, era a de que o valor pago por cada carga transportada – a Carta Frete – fosse maior, remunerando melhor os motoristas.
Entretanto, o valor pago por cada transporte é livre, estabelecido em relações de mercado (oferta e procura), em uma realidade nacional em que cerca de metade dos caminhoneiros atua de forma autônoma (dono do próprio veículo), enquanto a outra metade opera vinculada a empresas que detém a propriedade dos caminhões.
Para tentar resolver os conflitos com os caminhoneiros, o Governo decidiu criar tabelas fixas para os valores pagos aos motoristas pelas cargas transportadas.
A experiência nacional mostra que nenhum preço fixado costuma dar certo: o custo do transporte sobe com a tabela fixada, tornando a produção agrícola mais onerosa.
À medida que sente este aumento nos custos de produção, o agricultor repassa os aumentos para os demais intermediários.
Essa inflação chega à mesa do trabalhador brasileiro, até mesmo às famílias dos caminhoneiros, que recebem mais, mas agora também pagam mais pelos produtos que consomem.

Desgaste da relação agronegócio x logística

Nos primeiros dias do movimento grevista, os caminhoneiros contaram com o apoio da maioria dos agricultores, que chegaram a reforçar os protestos pelas estradas usando seus tratores.
Entretanto, conforme os caminhoneiros exigiam preço fixo nas tabelas de frete, essa relação se rompeu, e aí cada categoria puxava para um lado: agricultores defendiam o livre mercado para a manutenção do preço, enquanto caminhoneiros defendiam valor fixado para receber mais.
O fruto disso é o desgaste da relação entre as propriedades produtivas do agronegócio e as empresas/profissionais transportadores – dois setores cujas atuação dependentes uma da outra.
Com isso, o Governo entrou em uma indefinição que pode até mesmo levar a um novo processo de greve: a edição de uma nova legislação para a precificação dos serviços de frete.
A primeira dava privilégio aos caminhoneiros. Foi derrubada por pressão da bancada rural no Congresso. A segunda privilegia agricultores, sendo retirada de pauta pela manutenção da greve dos caminhoneiros.
O Governo editou então uma terceira carta regimental que buscou atender a interesses de ambas as partes com equilíbrio.
O país ainda se recupera de todos os efeitos intensos causados pela paralisação dos caminhoneiros.
Como um dos setores mais afetados pela greve, o agronegócio caminha de forma mais lenta, mas também se recupera dos bloqueios, caminhando novamente para ser o motor econômico do país.
E qual a sua opinião sobre esta greve que mexeu com a nossa economia? Comente aqui embaixo nos comentários.
Fonte: AgroComunica

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