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Oferta de café no Brasil fica "normal" pela 1ª vez em mais de um ano, diz Abic

quarta-feira, abril 11, 2018




Esse cenário tem levado produtores do Brasil, maior exportador mundial, a comercializar agora suas colheitas antes que os preços do café caiam ainda mais, disse o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz


A oferta de café para a indústria brasileira atingiu níveis considerados normais pela primeira vez em mais de um ano, com produtores dispostos a vender para gerar caixa e escapar de preços ainda mais baixos às vésperas de uma safra que promete ser recorde, disse uma liderança do setor nesta quarta-feira à Reuters.
Pelos dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil pode produzir mais de 58 milhões de sacas em 2018, em um ano de alta na bianualidade do arábica e também como resultado de uma recuperação nas lavouras de conilon, que sofreu com fortes secas nos últimos anos.
Em meio a essa perspectiva, além da própria ampla oferta global, as cotações da commodity vêm caindo tanto interna quanto externamente. No Brasil, a saca do arábica, principal variedade produzida, já cedeu 5,4 por cento em 2018, segundo o Cepea, enquanto os futuros da commodity na Bolsa de Nova York recuaram 7,6 por cento.
Esse cenário tem levado produtores do Brasil, maior exportador mundial, a comercializar agora suas colheitas antes que os preços do café caiam ainda mais, disse o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz.
"Tem havido maior oferta tanto de conilon quanto de arábica... Isso tem vários fatores. O principal, talvez, é que estamos no fim da entressafra de conilon, em mais alguma semanas vamos começar a colheita, e os produtores tendem a vender mais para suportar as despesas com essa colheita", afirmou Herszkowicz.
O Índice de Oferta de Café para a Indústria (IOCI), calculado pela Abic, atingiu no período de 26 a 29 de março 7,22 pontos, acima da marca de 7 pontos, que indica oferta normal, pela primeira vez desde novembro de 2016, quando foi lançado.
O índice vai de 1 a 9 e, quanto maior, melhor a disponibilidade do produto.
No começo de 2017, ainda na esteira da quebra de safra no Espírito Santo, o IOCI chegou a se aproximar de 2 pontos, apontando oferta crítica para a indústria. Nos últimos meses, oscilou em torno de 5 a 6 pontos, o que configura disponibilidade seletiva do produto.
Conforme Herszkowicz, essa maior oferta tem sido puxada pelo conilon, cujos preços em baixa vêm "trazendo grande preocupação". A saca do produto está hoje perto de 300 reais, bem aquém dos mais de 500 reais vistos durante os problemas no Espírito Santo.
"No caso do arábica a resistência dos preços é maior... Mas os fenômenos são parecidos. Os números da Conab já apontam para uma oferta equilibrada, que não permite que o preço caia tanto e também não justifique um aumento de preço", comentou.
A safra de café no Brasil começa pela colheita do conilon, já a partir de abril. Em meados do ano, entre junho e julho, ganha força a colheita do arábica.
Fonte: Reuters

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