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Beneficiamento da casca de coco verde para a produção de fibra e pó

segunda-feira, março 05, 2018



O desenvolvimento de alternativas de aproveitamento da casca de coco possibilita a redução da disposição inadequada de resíduos sólidos e proporciona uma nova opção de rendimento junto aos locais de produção. A tecnologia de processamento das cascas de coco verde foi desenvolvida pela Embrapa Agroindústria Tropical, em parceria com a metalúrgica FORTALMAG, e pode ser implementado em todas as áreas produtoras de coco no território nacional.
Estima-se que o Brasil possui uma área plantada de 100 mil hectares de coqueiro-anão, destinados à produção do fruto verde para o consumo da água-de-coco. As cascas geradas por este agronegócio representam 80% a 85% do peso bruto do fruto e cerca de 70% de todo lixo gerado nas praias brasileiras representa cascas de coco verde. Este material tem sido correntemente designado aos aterros e vazadouros sendo, como toda matéria orgânica, potenciais emissores de gases estufa (metano), e, ainda, contribuindo para que a vida útil desses depósitos seja diminuída, proliferando focos de vetores transmissores de doenças, mau cheiro, possíveis contaminação do solo e corpos d'água, além da inevitável destruição da paisagem urbana.
O processo de obtenção do pó e da fibra é feito mecanicamente, com a utilização de um conjunto de equipamentos desenvolvidos em parceria com a metalúrgica Fortalmag. O pó de coco é um material biodegradável, renovável, muito leve e bastante parecido com as melhores turfas de Sphagnum encontradas no Norte da Europa e América do Norte. Apresenta uma estrutura física vantajosa, proporcionando alta porosidade, alto potencial de retenção de umidade, favorecimento da atividade fisiológica das raízes. Pode ser usado como ingrediente para a formulação de substratos agrícolas e composto orgânico. A fibra pode ser usada como matéria-prima para o artesanato, para a confecção de vasos e placas para o plantio, em substituição ao xaxim, para estofamento de veículos e para fabricação de biomantas, que podem ser usadas na contenção de encostas ou de áreas degradadas e em decoração de interiores.
Quem ganha com isso
São considerados beneficiários desta tecnologia empresários do setor de envase de água de coco e empresários que queiram implantar uma unidade exclusiva de beneficiamento da casca de coco. Além dos impactos positivos para o meio ambiente, haja vista o reaproveitamento de um material que seria despejado na natureza, o processo de beneficiamento pode gerar emprego e renda para associações e agroindústrias.
Abrangência geográfica
Áreas litorâneas do Ceará a São Paulo. A produção de pó de coco seco é concentrada no Pará e na Bahia principalmente, enquanto a produção do pó da casca de coco verde é descentralizada em todo o território nacional.
Benefícios econômicos e sociais
Em 2012 se encontravam em funcionamento 12 unidades em todo o país com um volume médio de processamento de 10 toneladas de cascas/dia, a agregação de valor total é de mais de R$ 7,7 milhões por ano.
Cada unidade implantada representou a criação, em média de 5 postos de trabalho, na operação da fábrica, também forma observadas em menor escala a criação de vagas para técnicos de nível médio e nível superior, em geral na condução das empresas. A origem do pessoal empregado é principalmente do município onde se localizam as empresas, com alguma contratação na região. O número de postos de trabalho gerados nas cerca de 16 empresas em funcionamento é de cerca de 112, 80 diretamente nas atividades de produção e 32 em atividades técnico/administrativas.
A proliferação de unidades de beneficiamento de casca de coco verde está intimamente ligada à questão ambiental. Três unidades de processamento avaliadas pela Embrapa trabalham com cascas coletadas na zona urbana das cidades onde estão sediadas (originadas no consumo do fruto in natura). Nas proximidades dessas unidades o impacto na redução do resíduo é perceptível: em média cada unidade dessas retira do meio urbano cerca de 5 mil casca de coco por dia.
Fonte: Soluções Tecnológicas EMBRAPA

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