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Como o aquecimento global está matando milhares de pessoas todos os anos?

terça-feira, agosto 29, 2017

Em 2015, a temperatura média mundial na superfície da Terra registrou 1°C acima dos níveis pré-industriais (entre 1950 e 1900). O aquecimento global, consenso entre 97% dos cientistas, vem acompanhado da maior ocorrência e da intensificação de catástrofes ambientais -- como secas, temporais, inundações e ondas de calor.
Segundo a ONU, eventos extremos provocaram a morte de mais de 600.000 pessoas entre 1995 e 2015 . Embora os cientistas não sejam capazes de determinar o quanto desse número está diretamente relacionado às alterações climáticas, o aumento da ocorrência de catástrofes é atribuído às mudanças climáticas.
De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes, o número de desastres relacionados ao clima dobrou na última década.
O aumento da temperatura do planeta é democrático em termos de alcance, afetando todas as regiões do globo. Porém, é muito mais cruel com os mais pobres. As populações mais vulneráveis representam 89% das vítimas das catástrofes naturais.
No Acordo do Clima de Paris, assinado por mais de 180 nações em 2015, os países se comprometeram a adotar medidas voluntárias para frear o aquecimento global em no máximo 2°C. Sem ações efetivas, o mundo ruma para um aquecimento de 4°C até 2100.
Veja abaixo como o aquecimento global afeta diferentes regiões do planeta.

Nuno Andre Ferreira/EFE

Ondas de calor e incêndios na Europa e América do Norte

Apelidada de Lúcifer, a atual onda de calor na Europa tem provocado altas de temperatura, que ultrapassam 40°C em algumas regiões, e diversos incêndios florestais. De acordo com a ONU, as temperaturas extremas causaram 164 mil mortes no período de 20 anos a partir de 1995.
Em Portugal, ao menos 63 pessoas morreram em junho em um incêndio na região de Pedrógão Grande. Com as mudanças climáticas, os incêndios consomem áreas maiores, ganham maior duração e surgem em temporadas cada vez mais extensas .
O calor e o fogo nas matas castigam também os Estados Unidos. Segundo a ONG Union of Concerned Scientists (UCS), todos os Estados do Oeste dos EUA registraram um aumento na média anual das ocorrências de fogo incontrolável.
Até mesmo lugares lembrados pelo gelo, como como o Canadá e a Sibéria, têm sofrido com mais queimadas. Nas regiões onde neva, o clima mais quente implica um degelo precoce e um aumento do período em que a terra é seca.


Inundações e seca na África e na Ásia

De acordo com os dados da ONU, as inundações responderam por 47% das catástrofes dos últimos 20 anos. Elas afetaram 2,3 bilhões de pessoas, a grande maioria (95%) na Ásia, e provocaram 157.000 mortes. As tempestades foram os desastres mais mortais, com 242.000 mortes.
O clima seco, inverso da moeda, também provoca mortes devido ao impacto em colheitas, que causam fome, desnutrição e deslocamento de populações . A redução dos alimentos disponíveis afeta países de baixa e média renda, principalmente na região do Pacífico ocidental e do Sudeste da Ásia.
Na África, os países mais afetados por catástrofes naturais foram o Quênia e a Etiópia.

Mohammad Abu Ghosh/Xinhua

Guerra no Oriente Médio

Um estudo publicado na revista científica americana Pnas aponta que as mudanças climáticas globais foram um dos fatores que contribuíram para fazer eclodir a guerra civil na Síria , em 2011.

Entre os elementos centrais de conexão entre o clima e o conflito sírio estão o agravamento das secas causado pelo aquecimento global, a destruição das colheitas de trigo e o consequente deslocamento de uma enorme população refugiada.
Segundo os pesquisadores, as secas no Oriente Médio nos últimos 25 anos tiveram maior duração e foram mais severas. A seca é responsável pelo colapso da agricultura na região nordeste da Síria, o que fez com que o país, que era exportador de trigo, passasse a ter de importar a matéria-prima. 

Getty Images/istockphoto

Terrorismo na Europa, Ásia e África

Indiretamente, o aquecimento global também provoca mortes através do terrorismo . Atos terroristas que têm ocorrido em diferentes lugares do mundo, inclusive em cidades hiperseguras da Europa, possuem uma série de fatores determinantes. Dentre eles estão as situações caóticas das regiões que abrigam grupos que propagam o terror. 
Em março de 2008, o alto representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança transmitiu aos Estados-membros um relatório avaliando que aquecimento agia como um multiplicador de ameaças em zonas que já passam por tensões sociais, políticas, religiosas e étnicas.
De acordo com os especialistas, as mudanças climáticas têm consequências na estabilidade social e política no Oriente Médio e no norte da África, levando a tensões ligadas à gestão dos recursos, desestabilização política e aumento das pressões migratórias.
A instabilidade política em regiões como a Síria e o Iraque, que tiveram áreas dominadas pelo Estado Islâmico, está relacionada aos recentes atentados terroristas em cidades europeias.


Doenças no Brasil

De acordo com um estudo da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o aquecimento global impacta a saúde humana de diferentes maneiras. A intensificação dos efeitos da poluição atmosférica e a elevação de doenças infecciosas estão entre elas.
Estudos indicam que a associação entre altas temperaturas e elevadas concentrações de poluentes atmosféricos pode gerar um incremento das hospitalizações, atendimentos de emergência, consumo de medicamentos e taxas de mortalidade.
As queimadas que ocorrem nas regiões onde há avanço do desmatamento na Amazônia fazem com que doenças do aparelho respiratório se tornem as principais causas de internação de crianças menores de 5 anos. De acordo com a Opas e a Fiocruz, a interação entre poluição e clima também eleva o risco de problemas no coração.
O aquecimento global pode provocar ainda o aumento de doenças infecciosas. O efeito das mudanças climáticas na proliferação de vetores transmissores de doenças é indireta, mediada por inúmeros fatores ambientais e sociais, como migração para cidades, urbanização, etc.
As mudanças climáticas têm intensificado o calor e chuvas, o que contribui para o desenvolvimento de mosquitos . A umidade que favorece a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, piora ainda mais com a ocorrência de fenômenos como o El Niño, mais forte do que nunca justamente por causa do aquecimento global.

Fonte: Jornal Floripa

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