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A ciência como fator determinante do desenvolvimento

terça-feira, agosto 22, 2017

Ciência, tecnologia (Foto: Pixabay)
A ciência e a técnica, suas aplicações e inovações decorrentes, vêm, há séculos, assombrando e mudando o mundo. As inegáveis contribuições de Galileu e Newton, por exemplo, revolucionaram a ótica e a mecânica, e se transformaram na base de muitos conceitos que regem a engenharia na atualidade.
Daniel Lederman e William F. Maloney, dois renomados economistas, mostraram que 85% dos conhecimentos acumulados, ao longo da história da humanidade, foram gerados entre 1948 e 1983, um curto espaço de tempo.
Da pesquisa surgem novas descobertas, invenções e as inovações. Sem a inovação, a economia dos países permanece estagnada e o desenvolvimento econômico dá lugar a intermináveis crises, com reflexos sobre a geração de emprego e renda, e sobre a estabilidade das organizações.
Também é necessário entender que, muitas vezes, as inovações surgem do trabalho das universidades. Mais da metade da riqueza criada nos EUA, após a Segunda Guerra Mundial, teve origem na pesquisa universitária. Tecnologias, como a do laser, a internet, o telefone celular e muitos produtos nas áreas farmacêutica, biológica e da saúde, são resultantes das atividades nos laboratórios acadêmicos.
No Brasil, ainda exportamos principalmente commodities, a produção agropecuária e a mineral. Entretanto, os esforços realizados por muitos dos nossos grupos de pesquisa já tiveram alguma repercussão sobre a nossa economia do país e permitiram mostrar a força da ciência e da técnica no país.
Assim, por exemplo, foi possível obter uma sensível melhoria na produção de alimentos, notadamente nas frutas tropicais, na laranja e nos cereais, bem como na produção animal.
O Brasil é hoje visto como uma liderança na indústria aeronáutica, no tratamento de doenças tropicais, na produção de biocombustíveis, na exploração de petróleo em águas profundas e na produção de celulose, dentre outras.
O resultado aparece na expansão dos nossos arranjos produtivos locais e das cadeias de fornecedores, geradoras de emprego e renda. As microempresas inovadoras, muitas instaladas em incubadoras e parques tecnológicos, têm procurado contribuir para o aumento dos índices de competitividade e responder às inúmeras demandas e necessidades do setor produtivo.
Lamentavelmente, a comunidade científica do país está sentindo os efeitos da política econômica adotada, e muitos pesquisadores estão buscando centros, em outros países, onde seus trabalhos possam ser realizados com sucesso.
Os cortes, que alcançam mais de 40% do orçamento global de ciência e tecnologia, atingem também as agências de fomento, inviabilizando projetos que, certamente, estariam contribuindo para o incremento da competitividade das nossas organizações e para a instalação de empresas inovadoras, indispensáveis no processo de recuperação da economia.
O financiamento da pesquisa, originária do próprio setor produtivo, também foi drasticamente reduzido.
Gerou-se no país uma situação inusitada, onde o “ajuste fiscal”, urgente e necessário, é visto apenas como o aumento contínuo dos impostos e a redução das despesas, sem critérios que preservem financiamentos em áreas estratégicas para o crescimento do país.
As políticas de contenção atingem todos os níveis, e programas de investigação com destaque internacional simplesmente desapareceram, quase sem deixar vestígios. A pesquisa depende da continuidade dos investimentos e do aporte nos montantes necessários e, sem ela, não há desenvolvimento da indústria, e muito menos inovação.
Por isso, é urgente assegurar o repasse de recursos necessários para projetos e programas que resultem na formação de pesquisadores, no incremento de competitividade de nossas empresas e da produção científica de universidades e institutos de pesquisa. Em resumo, torna-se imperioso tratar a ciência e a tecnologia como prioridades nacionais.

Fonte:O Globo

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