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Minas Gerais investe na inclusão socioprodutiva e recuperação da Bacia do Rio Pandeiros

sexta-feira, novembro 18, 2016

Chamada da Fapemig quer incentivar a preservação do local e o desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais
A Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio Pandeiros é a maior unidade de conservação de Minas Gerais | Foto: divulgação IEF

A Fapemig abriu a terceira chamada para dar continuidade às ações de recuperação da Bacia Hidrográfica do Rio Pandeiros, no Norte de Minas, à margem esquerda do Rio São Francisco. Com o novo edital, a fundação vai apoiar projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação que contribuam para a preservação do meio ambiente de forma compatível com o desenvolvimento socioeconômico, a partir da inclusão socioprodutiva de agricultores familiares e membros de comunidades tradicionais.

O edital prevê aporte total de R$ 1,5 milhão e os pesquisadores devem submeter os projetos até 30 de novembro deste ano. Na área socioambiental, podem ser inscritas propostas para desenvolver tecnologias sociais de bombeamento e tratamento de baixo custo para águas superficiais e subterrâneas. Em outra vertente está o incentivo ao turismo ecológico e cultural, com mapeamento dos atrativos e criação de roteiros.

“A falta de agua potável é um problema que está ameaçando a todos. A conservação da bacia é de vital importância para a região que está inserida no semiárido brasileiro com a proteção das nascentes e da vegetação, principalmente da mata ciliar que protege as margens dos rios e veredas reduzindo o assoreamento”, explica a analista ambiental do Instituto Estadual de Floretas (IEF), Escritório Regional Alto Médio São Francisco, Laíssa de Araújo Viana.

Já os projetos da área socioprodutiva devem apoiar a produção agroecológica de alimentos, inclusive de hortaliças, voltada para a comercialização em mercados locais e o fortalecimento da cadeia produtiva da farinha de mandioca. Destaca-se ainda o desenvolvimento de processos para beneficiamento, extração e qualificação de concentrados de polpas, óleos, princípios ativos e especialidades químicas.

Ainda de acordo com o edital, todas as propostas devem respeitar as vocações naturais e culturais da região, caracterizada pela diversidade de povos, costumes e saberes tradicionais. Comunidades como veredeiros, geraizeiros, chapadeiros, ribeirinhos e quilombolas ocuparam o território há séculos e usam os recursos naturais do Cerrado de maneira sustentável.

Clique aqui para ler a íntegra do edital.

Pesquisas em andamento

Duas outras chamadas também voltadas para a preservação da Bacia Hidrográfica do Rio Pandeiros já haviam sido abertas pela Fapemig em anos anteriores. Inclusive, os estudos para recuperação do local já estão em andamento, como é o caso do trabalho coordenado pelo professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Marcos Koiti Kondo, que pesquisa formas de controlar a erosão na bacia.

“O mais problemático na região é a erosão do solo arenoso, o voçorocamento. A voçoroca é uma forma de erosão muito agressiva que forma crateras enormes causadas, sobretudo, pelas águas das chuvas. Estamos desenvolvendo tecnologias para que possam ser aplicadas na bacia futuramente”, esclarece o pesquisador da Unimontes.

De acordo com Marcos Kondo, a ideia é evitar que os sedimentos sejam transportados para a parte baixa da bacia, onde está localizado o Pântano dos Pandeiros, refúgio ecológico protegido pelo Estado, onde se reproduzem cerca de 70% das espécies do Médio e Baixo São Francisco. Os sedimentos, sobretudo a areia, têm provocado o soterramento do pântano.

“Vamos testar várias ações, desde a revegetação de espécie nativas, como o pequizeiro e o araçazeiro, à construção de barramentos para que os sedimentos não continuem avançando. São várias práticas que vão acontecer simultaneamente”, conta o professor. O período chuvoso deste ano vai ser usado para testar as ações de manejo de solo e água.

O projeto coordenado pelo pesquisador Jefferson Vianna Bandeira, do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também propõe identificar as causas da intensa erosão que ocorre na parte alta da bacia. Com o estudo, o pesquisador pretende contribuir para a determinação das intervenções mais adequadas para minimizar o assoreamento da região do pântano.

Patrimônio natural

A Bacia Hidrográfica do Rio Pandeiros está localizada no Norte de Minas, envolvendo os municípios de Januária, Bonito de Minas e Cônego Marinho. A região é considerada uma área de transição entre os biomas da Caatinga e Cerrado, com predomínio do segundo. São frequentes as espécies arbóreas pequi, jatobá, aroeira, sucupira, tamboril e ipê amarelo; e da fauna, animais como corujas, garças, gavião carcará, sapos, jacarés, capivaras, tatu, micos dentre outros.

Devido à sua grande riqueza, a bacia compreende duas áreas protegidas pelo Estado. Uma delas é o Refúgio Estadual de Vida Silvestre do Rio Pandeiros, criado em 2004 e que ocupa 6.102,7526 hectares no município de Januária. Tem o objetivo proteger a rica fauna aquática (ictiofauna) da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, em especial na área alagável e lagoas marginais do Rio Pandeiros.

“O pântano, único de Minas Gerais, possui extensas áreas alagadas tidas como um berçário natural, responsável pela reprodução de aproximadamente 70% dos peixes do Rio São Francisco, sendo um dos maiores criatórios de peixes da bacia. Sua área inundada, em torno de 3 mil hectares, possui dezenas de lagoas que se interligam no período chuvoso, coincidente com o período da piracema”, enfatiza Laíssa Viana.

Outra parte da Bacia do Rio Pandeiros foi transformada em Área de Proteção Ambiental (APA) pela sua importância ecológica para a manutenção do ecossistema da região. Criada em 1995 e com 396.060,407 hectares – maior unidade de conservação do estado –, a APA encontra-se nos municípios de Januária, Bonito de Minas e Cônego Marinho.

O principal objetivo de sua criação foi de abranger toda a Bacia Hidrográfica do Rio Pandeiros e ainda compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parte de seus recursos hídricos, além de proteger a diversidade biológica presente em lagoas marginais, córregos, cachoeiras e veredas, fonte de sustento das populações extrativistas locais.

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