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Brasil discute papel do biodiesel no cumprimento do Acordo de Paris

quarta-feira, novembro 09, 2016

Foto retirada do site Ubrabio
Reunidos em Marrakesh, no Marrocos, durante a 22ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22), os 192 países signatários do Acordo de Paris sobre o Clima discutem como implementar as obrigações assumidas para limitar o aumento da temperatura da Terra até no máximo 2°C até o final deste século. No Brasil, representantes do governo, instituições de pesquisa e setor produtivo se reuniram nesta terça-feira (8) para discutir o papel dos biocombustíveis no cumprimento das metas brasileiras estabelecidas no pacto.

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Ao ratificar o acordo, o País assumiu o compromisso de aumentar para 18% a participação de bioenergia na Matriz Energética, elevando o uso de biocombustíveis, como o biodiesel, para reduzir 37% das emissões de CO2 até 2025 em relação aos níveis de 2005 e 43% até 2030.

“É preciso saber como colocar em prática esses compromissos”, destacou o senador Fernando Bezerra (PSB-PE), ao presidir a Audiência Pública Interativa da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC). O senador comentou que participará da COP22 e levará as propostas brasileiras no setor de biocombustíveis.

O evento contou com a presença do secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix; do chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville; do diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski; da pesquisadora da Rede Clima Samya de Lara Pinheiro; e do professor da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Donato Aranda; além de representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e da Agroicone.

O diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, apresentou o potencial de evolução do biodiesel na matriz energética brasileira e as contribuições que o uso deste combustível renovável pode oferecer para o cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

O setor elaborou uma projeção em que, caso seja adotado um cronograma mínimo de aumento da mistura obrigatória de B8 em 2017, B9 em 2018 e B10 em 2019, conforme já determinado por lei, chegando a B15 em 2025 e B20 em 2030, o biodiesel representará 3,31% da Matriz Energética em 2030.

Para o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, o Brasil deve ser ainda muito mais ambicioso nessas metas, mas, para isso, serão necessário investimentos em pesquisa, inovação e diversificação de matérias-primas, para aproveitar a biodiversidade brasileira na produção sustentável de biocombustísveis.

Já o secretário Márcio Félix elogiou a iniciativa da comissão, que vai ao encontro da proposta do governo de construção de uma estratégia coletiva para que o país possa renovar ainda mais sua matriz. Em outubro, o secretário convidou os setores de biodiesel, etanol e bioquerosene para apresentar suas demandas e propostas, reforçando o diálogo para a elaboração de uma plataforma de biocombustíveis.

Redução de emissões

Só na fase de produção, o biodiesel reduz 70% das emissões em relação ao diesel fóssil, de acordo com estudos brasileiros apresentados pelo professor da UFRJ Donato Aranda. O pesquisador mostrou ainda um levantamento norteamericano que afirma que o biodiesel reduz em até 85% as emissões.

“Isso no caso do biodiesel de soja. Aqui no Brasil, 20% do volume produzido é a partir de resíduos pecuários, que deixam de ir para os lixões. Nesse caso, a redução das emissões é ainda maior”, explicou Aranda.

Questão de saúde

Segundo a pesquisadora da Rede Clima, entidade de pesquisas sobre mudanças climáticas, Samya de Lara Pinheiro, o setor de transportes é um setor crucial na redução das emissões de gases de efeito estufa.

“Embora nós tenhamos uma melhora tecnológica dos fatores de emissões, por outro lado, com o crescimento da população, nós temos o aumento da frota e dos congestionamentos”, alerta a pesquisadora, que apresentou dados alarmantes sobre o aumento da temperatura nas capitais brasileiras nos próximos anos.

“Isso tem impactos na saúde das pessoas, na produção de alimentos, na economia do país. É importante que o planejamento para os próximos anos leve em conta esses fatores”, frisou.

Clique aqui para acessar as apresentações na íntegra

Fonte: Ubrabio

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